<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100</id><updated>2012-01-03T20:55:03.765-02:00</updated><category term='sociedade'/><category term='democracia'/><category term='simplicidade'/><category term='evolução'/><category term='divulgação científica e filosófica'/><category term='conhecimento'/><category term='post_idiota'/><category term='jornalismo'/><category term='enciclopéida'/><category term='europa'/><category term='linguística'/><category term='francês'/><category term='eugenia'/><category term='música'/><category term='pacifismo'/><category term='mídia'/><category term='woody Allen'/><category term='ócio criativo'/><category term='intelectualidade'/><category term='política'/><category term='saramago'/><category term='biologia'/><category term='literatura'/><category term='cultura'/><category term='cinema'/><category term='banda'/><category term='feminismo'/><category term='filosofia'/><category term='crítica literária'/><category term='psicologia evolutiva'/><category term='ciência'/><category term='blues'/><category term='eleições'/><category term='trabalho'/><category term='informação livre'/><category term='ambientalismo'/><category term='brasil'/><title type='text'>Pensamentos Fugazes</title><subtitle type='html'>Cultura, intelectualidades, informação livre</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>258</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-9207098660108757820</id><published>2011-08-17T21:46:00.000-03:00</published><updated>2011-08-18T19:16:35.747-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>O jornalismo crítico e independente do "Observatório da Imprensa"</title><content type='html'>&lt;p&gt;Com o excelente e verdadeiro mote "&lt;b&gt;Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito&lt;/b&gt;", o &lt;i&gt;observatório da imprensa&lt;/i&gt; é hoje, sem qualquer sombra de dúvida, o maior e mais esclarecido meio de discussão sobre a mídia em nosso país. Independente, responsável e de foco voltado para o interesse público, o observatório da imprensa presta um importante serviço ao jornalismo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://observatoriodaimprensa.com.br"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/images/logo-observatorio-da-imprensa.png" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="56" width="415" src="http://observatoriodaimprensa.com.br/images/logo-observatorio-da-imprensa.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O observatório possui um sítio na internet (clique &lt;a href="observatoriodaimprensa.com.br"&gt;aqui&lt;/a&gt; para visitá-lo) onde muitos dos maiores jornalistas e críticos de imprensa brasileiros escrevem com frequência; e um programa semanal de televisão -- altamente recomendado! -- que vai ao ar na &lt;a href="http://tvbrasil.org.br/observatoriodaimprensa/"&gt;TV Brasil&lt;/a&gt; a partir de 22hs, todas as terças-feiras. O leitor também está convidado a escrever colunas para o sítio, que muitas vezes publica textos relevantes de autores independentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos programas televisivos são discutidas as mais recentes questões sobre o jornalismo canarinho e a cobertura jornalística das mais diversas questões por diferentes veículos da imprensa brasileira e internacional. O caso do &lt;i&gt;News of the world&lt;/i&gt;, por exemplo, onde um tablóide britânico de mais de 100 anos foi fechado devido à descoberta de que investigava, seguia e grampeava ilegalmente várias personalidades inglesas, foi destaque de um programa inteiro no mês de Agosto desse ano. Nesta semana, foram discutidos os princípios editoriais que foram divulgados pelo conglomerado das organizações Globo e que devem (ou deveriam) reger seus veículos de comunicação, como o compromisso em fornecer um jornalismo laico. A cada semana convidados escolhidos a dedo dentre importantes e experientes jornalistas ou tomadores de decisão da sociedade participam do programa, onde realizam discussões aprofundadas sobre os temas em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yio8YeBE-2A/Tk2D4pVMPvI/AAAAAAAAAk8/C1Gb1iUAYKM/s1600/100326-alberto-dines.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="299" width="210" src="http://2.bp.blogspot.com/-yio8YeBE-2A/Tk2D4pVMPvI/AAAAAAAAAk8/C1Gb1iUAYKM/s400/100326-alberto-dines.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Alberto Dines é um dos mais influentes jornalistas brasileiros contemporâneos. Nascido em 1932, Dines é pesquisador sênior do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Ele foi editor-chefe do Jornal do Brasil durante doze anos e foi também diretor da sucursal da Folha de São Paulo no Rio de Janeiro, além de ter dirigido o Grupo Abril em Portugal. Hoje está à frente do jornalismo independente e socialmente compromissado do &lt;b&gt;Observatório da Imprensa&lt;/b&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ante as questões propostas pelo &lt;b&gt;Observatório&lt;/b&gt; torna-se possível entender como os veículos de comunicação são organizações feitas e organizadas por humanos falíveis e cercados de interesses próprios; assim como em que proporção as reportagens da mídia são capazes de influenciar de forma significativa nossa população e nosso entendimento da realidade contemporânea. O observatório prega portanto um jornalismo sério, de qualidade e que vá em direção ao interesse público. É claro que ainda temos muito a melhorar no jornalismo brasileiro e o observatório está aí para nos ajudar a evidenciar os caminhos a trilhar através de suas discussões sérias, bem escolhidas, profundas e pautadas no respeito a todas as raças, credos, culturas e opiniões. Este blogue vem a este meio virtual humildemente parabenizar aqueles que fazem parte desta empreitada.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-9207098660108757820?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/9207098660108757820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=9207098660108757820&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9207098660108757820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9207098660108757820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2011/08/o-jornalismo-critico-e-independente-do.html' title='O jornalismo crítico e independente do &quot;Observatório da Imprensa&quot;'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yio8YeBE-2A/Tk2D4pVMPvI/AAAAAAAAAk8/C1Gb1iUAYKM/s72-c/100326-alberto-dines.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-6857774690715536508</id><published>2011-03-10T22:53:00.001-03:00</published><updated>2011-03-11T10:12:23.182-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>As canções de liberdade, elogio a Bob Marley</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Robert Nesta Marley nasceu na Jamaica, em fevereiro de 1945. Ele foi um dos maiores músicos do século XX, tendo sido o principal divulgador e o mais influente músico do agora já afamado estilo conhecido como o reggae. Este ritmo parece ser uma certa releitura americanizada de ritmos africanos e apresenta grande inovação musical no que se refere à cadência, ritmo e melodia. As investidas de Bob Marley no terreno da música renderam a ele uma grande legião de fãs, muitos adeptos do uso da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cannabis sativa&lt;/span&gt; enquanto meio de iluminação, deleite e criatividade. Bob inventou uma batida característica associada a uma progressão ritmica altamente criativa e inovativa na percussão e também nas sequências do baixo de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aston_Barrett"&gt;Aston Barrett&lt;/a&gt;, dando ao reggae sua marcante característica dançante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrIBw6aDhI/AAAAAAAAAa4/f9rt5ppJYMk/s1600/Bob.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrIBw6aDhI/AAAAAAAAAa4/f9rt5ppJYMk/s320/Bob.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546965823695490578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Bob Marley foi um dos principais músicos do século XX, tendo sido o principal divulgador, cantor, compositor e criador do gênero Reggae. Até hoje suas canções inspiram jovens e adultos em todas as partes do mundo. Suas canções espalham a paz, a positividade, a liberdade, a igualdade entre as raças e a busca por iluminação, tendo como pano de fundo vários tipos de repressões sociais sofridas pelos negros.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bob Marley era negro e cantou, em muitas de suas músicas um orgulho negro que ainda tem resquícios de épocas passadas onde imperava um extremo racismo e até a escravidão. Serão épocas passadas mesmo? Particularmente em sua canção "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Redemption song&lt;/span&gt;" ou "Canção da redenção", Marley pede que os fãs contem consigo uma música de liberdade já que tudo que ele tem escutado até então consiste em músicas de redenção, onde os negros lamentam suas condições ao invés de extravasarem suas ânsias através de canções falando do sentimento de liberdade. O trecho da música mais característico dessa questão é o seguinte: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Won't you help to sing / The songs of freedom / 'cause all I ever heard / Redemption song&lt;/span&gt;" (Você não vai ajudar a cantar? / As canções da liberdade / Porque tudo que sempre escutei / [Foram] canções de redenção). Outra de suas grandes letras consiste na reprodução do início de uma carta do imperador &lt;i&gt;Haile Selassie&lt;/i&gt;, com relação à igualdade de raças e que foi utilizada na abertura da música entitulada "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;War&lt;/span&gt;". Lançada em 1976 no album "Rastaman vibrations", Marley brilhantemente recupera seu mentor ao dizer que "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;That until the philosophy which holds one race superior and another inferior is finally and permanently discredited and abandoned / Everywhere is war&lt;/span&gt;" (em tradução livre: "Até que a filosofia que assegura que uma raça é superior e outra inferior esteja final e permanentemente desacreditada e abandonada, em todo lugar haverá guerra").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fã e interessado na carreira do compositor jamaicano, busquei algumas biografias suas para conhecer melhor de sua tragetória e encontrei na verdade a biografia de sua principal companheira ao longo da vida, Rita Marley. A obra entitulada "&lt;i&gt;'No woman no cry', my life with Bob Marley&lt;/i&gt;" consiste em uma prosa simples, quase uma conversa com a autora relatando sua vida. Embora ele certamente apresenta uma visão ligeiramente enviesada da vida do maior compositor de reggae da história, acredito que o livro é interessante e revelador, principalmente nas fases iniciais de vida do cantor, quando ele ainda morava na Jamaica e deslocava entre cidades com os Wailers tentando o sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrEtDJoycI/AAAAAAAAAaw/qKrPeVXpAhg/s1600/NoWomanNoCryEx.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 286px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrEtDJoycI/AAAAAAAAAaw/qKrPeVXpAhg/s320/NoWomanNoCryEx.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546962169279072706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Capa da autobiografia escrita pela esposa de Bob Marley, Rita Marley. Neste livro ela revela detalhes principalmente do início de sua carreira na Jamaica como cantor de reggae, junto aos amigos Bonny Wailer e Peter Tosh entre o fim dos anos 60 e início dos anos 70.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente notória foi a gravação da música de Marley "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;I shot the sheriff&lt;/span&gt;", por &lt;b&gt;Eric Clapton&lt;/b&gt;, em 1974. Ambos os cantores buscavam ainda seu reconhecimento e Clapton com sagacidade percebeu a brilhante música do jamaicano que fez bombar a carreira de ambos. A versão da canção que saiu no album "&lt;i&gt;461 Ocean Boulevard&lt;/i&gt;" do guitarrista inglês alcançou o número 1 na lista do Billboard Hot 100 -- e curiosamente é até hoje a música de Clapton que teve mais sucesso nos Estados Unidos. Nesta canção, Bob fala sobre um negro que é acusado de matar um deputado. Ao que parece, o xerife da cidade, que sempre teve bastante preconceito com este indivíduo, ("&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sheriff John Brown always hated me / for what, I don't know / Every time I plant a seed / He said kill it before it grows&lt;/span&gt;"), um negro livre, e vai buscá-lo fora da cidade supondo fortemente que ele fosse o responsável por tal assassinato. Ao longo da música dá a entender que o xerife já vai atrás do "suspeito" daquele jeito que muitos xerifes costumam mesmo fazer: atira-se antes e pergunta-se depois. Então o personagem acaba assassinando o xerife e agora torna-se realmente um bandido, mas ele diz que matou o xerife por legítima defesa e que nada tem a ver com a morte do deputado. A música mostra a problemática dos negros "livres", que infelizmente continuam sendo os primeiros suspeitos de qualquer atrocidade que aconteça na sociedade; e os policiais são o alter-ego do xerife John Brown ao incriminá-los e tentar enquadrá-los por crimes que eles não cometeram. Até hoje parece haver verdade neste lamento em forma de reggae que Marley canta de forma dramática e absolutamente bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrJHTPtgDI/AAAAAAAAAbA/202EVBsIo_k/s1600/EricClapton461OceanBoulevar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 301px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrJHTPtgDI/AAAAAAAAAbA/202EVBsIo_k/s320/EricClapton461OceanBoulevar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546967018322624562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O album "461 Ocean Boulevar" de Eric Clapton, lançado em 1974, tinha como principal hit uma versão da canção "I shot the sheriff" do jamaicano Bob Marley. A gravação desta canção e seu estouro como número um nas paradas de sucesso norte-americanas projetaram final e solidamente ambos os guitarristas enquanto gênios da música pop mundial.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Particularmente interessante também é o fato de Bob Marley participar da religião &lt;i&gt;Rastafari&lt;/i&gt;. Esta crença monoteística foi mesmo criada na Jamaica por volta de 1930, derivado de algumas idéias cristãs e que tinham no imperador da Etiópia a figura de um deus encarnado. Mas o rastafari nunca foi uma religião institucionalizada e é mais frequentemente tida como um movimento ou uma ideologia [2]. Haile Selassie I, que foi o imperador da Etiópia entre as décadas de 40 e 70 é visto como uma segunda encarnação de Cristo. De forma bastante avessa ao cristianismo, no rastafarianismo a utilização da maconha é vista como forma de alcançar a iluminação e afastar-se da cultura ocidental deturpada, chamada de Babylon (&lt;i&gt;Babilônia&lt;/i&gt;), numa referência a uma cultura má onde há a ausência das principais virtudes físicas ou espirituais. E em uma maravilhosa revolta pacífica, nosso jamaicano produz a canção "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Get up Stand up&lt;/span&gt;", onde faz um apelo aos indivíduos que acordem e levantem suas vozes em busca de seus direitos / &lt;i&gt;Stand up for your rights&lt;/i&gt;. Esta canção é também uma crítica aberta ao cristianismo, onde Marley canta para que o pastor não o diga que o paraíso está abaixo da terra ("&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Preacherman don't tell me / heaven is under the earth&lt;/span&gt;") e termina sugerindo que a igreja pode enganar o povo por algum tempo, mas que eles jamais serão capazes de enganar a todo o povo durante todo o tempo do mundo ("&lt;span style="font-style:italic;"&gt;You can fool some people some time / but you can't fool all the people all the time&lt;/span&gt;"). E agora que você vê a luz de Marley, lute pelos seus direitos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrJ_E8ioOI/AAAAAAAAAbI/BtjhKJrUg4Y/s1600/Bob-Marley-Flag-LP1198.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrJ_E8ioOI/AAAAAAAAAbI/BtjhKJrUg4Y/s320/Bob-Marley-Flag-LP1198.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546967976556798178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bob Marley e os seguidores do movimento Rastafari acreditam no deus Jah e usam a maconha como forma de atingir a iluminação. Não tendo jamais sido levado a sério com relação à utilização da canabis para fins recreativos e religiosos, Bob sem dúvida popularizou o uso recreativo e contemplativo da droga, que ainda hoje é proibida em grande parte do mundo. &lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Em 1978, Marley foi ainda condecorado pela ONU com uma medalha da paz (UN Peace Medal), o que pode significar que mesmo o ocidente institucionalizado reconheceu sua contribuição para a libertação do seu povo. Vale lembrar aqui outra parte da Canção de Redenção, onde ele canta orgulhosamente a seu povo "&lt;i&gt;Emancipate yourselves from mental slavery / None but ourselves can free our mind&lt;/i&gt;", em tradução livre: "Emancipem-se (a si mesmos) da escravidão mental / Apenas vocês mesmos podem libertar sua própria mente". Acrescento que a libertação mental é sim um primeiro passo para a libertação de um povo ou raça, mas é fácil perceber ainda hoje uma inércia histórica oriunda dos tempos da escravidão que faz dos negros um povo menos respeitado e mais pobre, marcado amargamente pela insígnia do preconceito racial. Não apenas a emancipação do próprio povo deve fornecer subsídios para sua libertação e para a transformação social, também o governo deve ser responsável por financiar a busca pela &lt;b&gt;diminuição das desigualdades&lt;/b&gt;, e não apenas das raciais, como também das sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marley também esteve no Brasil, em março de 1980, quando jogou bola com Chico Buarque, Toquinho e Alceu Valença, dentre outros, no Rio de Janeiro. Ele viera participar de uma festa inaugurando as atividades do selo alemão Ariola no país. Os wailers tocavam à época com o sub-selo Island, da Ariola. Bob Marley disse apreciar o futebol brasileiro assim como seus compatriotas jamaicanos e marcou ao menos um gol na partida que terminou em 3 x 0 e onde o senhor Francisco Buarque de Hollanda também deixou seu recado balançando o filó. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ra8S7MxxMQg/TXmI7U9GzuI/AAAAAAAAAg4/VKo-CEVosNM/s1600/MarleyBrasil.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="331" width="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ra8S7MxxMQg/TXmI7U9GzuI/AAAAAAAAAg4/VKo-CEVosNM/s400/MarleyBrasil.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;blockquote&gt;Rio de Janeiro, 19 de março 1980. Em pé: Junior Marvin, Toquinho e um &lt;b&gt;penetra&lt;/b&gt;. Agachados: Jacob Miller, Chico Buarque, Paulo César Caju e Bob Marley.&lt;/blockquote&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Nesta Marley morreu em Miami aos 36 anos, no dia 11 de maio de 1981, curiosamente devido a uma infecção não tratada no dedão do pé resultado de uma dividida ocorrida durante a partida de futebol. As histórias são diversas, mas parece que seu dedo do pé não melhorava e quando ele foi ao médico, descobriu que se tratava de um melanoma maligno. Tentou se tratar com &lt;i&gt;homeopatia&lt;/i&gt;, mas obviamente não se curou e o câncer se espalhou, sendo que em pouco tempo seu corpo não mais aguentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde sua morte, Marley continua sendo um símbolo de paz, força e alegria. Para muitos ele é &lt;i&gt;o maior ídolo do terceiro mundo&lt;/i&gt; de todos os tempos. No Brasil, nosso ex-ministro da cultura &lt;i&gt;Gilberto Gil&lt;/i&gt; gravou um disco inteiro em homenagem a várias canções de Bob Marley. &lt;b&gt;Kaya N'gan Daya&lt;/b&gt; é sem dúvida uma grande obra a transportar todo o explendor de marleiriano em uma forma brasileira, ainda que respeitando em grande medida os arranjos originais do ídolo jamaicano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-f9I5N_QvhGY/TXmFge_azxI/AAAAAAAAAgw/KrgQFvF4HDM/s1600/gilberto-gil-kaya-ngan-daya-dvd-cover-art.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="280" width="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-f9I5N_QvhGY/TXmFge_azxI/AAAAAAAAAgw/KrgQFvF4HDM/s400/gilberto-gil-kaya-ngan-daya-dvd-cover-art.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;O CD e DVD do nosso ex-ministro Gilberto Gil. Kaya N'gan Daya consiste em belíssimas versões das músicas originais de Marley para o português, ainda que Gil tenha amenizado um pouco no conteúdo político das letras originais.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, vale comentar que Marley pregava veementemente a utilização de canabis como forma de alcançar a iluminação. Ainda hoje é estranho perceber como seus apelos nesse sentido foram totalmente ignorados pela sociedade da Babilônia, à qual se refere sempre e à qual tenta influenciar com suas canções de liberdade. De forma estranha e evidenciando um enorme conservadorismo da sociedade ocidental, esta planta de enormes potencialidades comerciais enquanto fibra e de uso médico comprovado para uma enorme quantidade de síndromes (analgésico, anti-inflamatório, anti-ansiolítico e modulador do apetite), ainda encontra resistência em ser utilizada -- mesmo para a ação médica -- devido justamente aos efeitos psicoativos aos quais os bem-aventurados rastafari tinham como principal motivação de sua utilização. Deveríamos talvez escutar melhor estes que nos enviaram tanta &lt;i&gt;vibração positiva, yeah&lt;/i&gt;, e que continuam nos maravilhando enquanto damos nossos pequenos saltos em êxtase. Salve Jah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Declaração&lt;/i&gt;: este sítio não tem parceiros comerciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para saber mais, clique:&lt;br /&gt;* &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bob_Marley"&gt;Bob Marley&lt;/a&gt; na wikipedia &lt;br /&gt;* &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rastafari_movement"&gt;Rastafari movement&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;* &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cannabis_(drug)"&gt;Cannabis sativa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;* Canção &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/War_(Bob_Marley_song)"&gt;War&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;* Canção &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/I_Shot_the_Sheriff"&gt;I shot the sheriff&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;* Este sítio recomenda ainda o download de alguns dos principais concertos de Bob Marley e este blogueiro gosta particularmente dos shows realizados em Dortmund e Santa Barbara.&lt;br /&gt;* Aqui mesmo neste blogue, há algum tempo atrás eu já havia publicado um breve relato sobre o livro de &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/no-woman-no-cry.html"&gt;Rita Marley&lt;/a&gt;, além de uma apreciação da música &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/01/get-up-stand-up.html"&gt;Get Up Stand Up&lt;/a&gt;, quando pela primeira vez contemplei racionalmente sua letra, em toda sua beleza e pujança.&lt;br /&gt;* Este blogue recomenda também fortemente o CD/DVD Kaya N'Gan Daya do nosso querido &lt;a href="http://www.gilbertogil.com.br/"&gt;Gilberto Gil&lt;/a&gt;. Gil é por muitos considerado o Bob Marley brasileiro e seu disco de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=lU3CdbX1_C4"&gt;reprises de canções de Marley&lt;/a&gt; em versões aportuguesadas é simplesmente maravilhoso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;* Um vídeo de Bob Marley fazendo seu gol na visita ao Brasil pode ser visto &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=CPiS3fD7-EI"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-6857774690715536508?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/6857774690715536508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=6857774690715536508&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6857774690715536508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6857774690715536508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2011/03/as-cancoes-de-liberdade-elogio-bob.html' title='As canções de liberdade, elogio a Bob Marley'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPrIBw6aDhI/AAAAAAAAAa4/f9rt5ppJYMk/s72-c/Bob.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4685717075176565828</id><published>2011-02-26T10:30:00.001-03:00</published><updated>2011-03-10T22:19:57.189-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='informação livre'/><title type='text'>Acervo Folha de São Paulo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-An-CyPjV57A/TXeEGztbN5I/AAAAAAAAAgo/kSvzvgcvspA/s1600/acervo_folha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="201" width="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-An-CyPjV57A/TXeEGztbN5I/AAAAAAAAAgo/kSvzvgcvspA/s400/acervo_folha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores jornais brasileiros, &lt;a href="http://www.folha.uol.com.br/"&gt;A Folha de São Paulo&lt;/a&gt;, decidiu brilhantemente abrir seu passado ao público e aos leitores. Em um empreendimento inédito, todas as edições dos 90 anos deste diário brasileiro foram disponibilizadas "&lt;i&gt;on line&lt;/i&gt;" em um sítio contendo todo seu acervo, que pode ser acessado clicando em &lt;a href="http://acervo.folha.com.br/"&gt;http://acervo.folha.com.br/&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao tomar essa decisão, a &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; corajosamente decide assumir publicamente todas as opções ideológicas tomadas ao longo de sua história, inclusive gafes como um certo suporte à ditatura no período militar. Apesar disso, a disponibilização do conteúdo consiste em decisão louvável em um mundo onde frequentemente as pessoas e instituições insistem em tentar esconder e alterar o passado ao dizer que tomaram atitudes diferentes das reais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem é entusiasta da &lt;b&gt;informação livre&lt;/b&gt;, vale notar que segundo dados da própria empresa, eles disponibilizaram 1,8 milhão de páginas gratuitamente na internet! Como se não bastasse fizeram o OCR (ou seja, a digitalização dos textos) de todo o conteúdo e agora os últimos 90 anos da história de nosso país está facilmente acessível através de buscas textuais no sítio da empresa -- pra quem tiver paciência de ler e buscar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, vale notar que o acervo estará disponível publicamente apenas no "período de degustação", como revela o sítio. Esperemos que este período se estenda tanto quanto possível. E, finalmente, um desafio ao leitor menor de 90 anos: qual terá sido a reportagem de capa do jornal no dia do seu nascimento? Acesse e encontre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras informações: &lt;br /&gt;* &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha90anos/877777-os-90-anos-da-folha-em-9-atos.shtml"&gt;Os 90 anos da Folha em 9 atos&lt;/a&gt;, por Oscar Pilagallo&lt;br /&gt;* Do observatório da imprensa, por &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=630IMQ003"&gt;Fernando Rodrigues&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=629IMQ013"&gt;Alberto Dines&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=630IMQ002"&gt;Eugênio Bucci&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Declaração&lt;/i&gt;: este sítio não possui nenhum parceiro comercial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4685717075176565828?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4685717075176565828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4685717075176565828&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4685717075176565828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4685717075176565828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2011/02/acervo-folha-de-sao-paulo.html' title='Acervo Folha de São Paulo'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-An-CyPjV57A/TXeEGztbN5I/AAAAAAAAAgo/kSvzvgcvspA/s72-c/acervo_folha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-9213901029368544542</id><published>2010-12-01T20:49:00.001-02:00</published><updated>2011-03-10T22:20:23.610-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Arquivo digital do programa Roda Viva</title><content type='html'>Venho aqui desta vez ressaltar e exaltar o maravilho e extenso &lt;a href="http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/arquivo"&gt;arquivo digital do programa Roda Viva&lt;/a&gt;. Para quem não sabe, o &lt;b&gt;Roda Viva&lt;/b&gt; é um programa de entrevistas da &lt;i&gt;TV Cultura&lt;/i&gt; que existe há mais de 20 anos e é frequentemente levado ao ar nas noites das segundas-feiras. Abrangendo uma enorme gama dos mais variados assuntos, o arquivo digital do Roda Viva pode ser acessado gratuitamente e apresenta, &lt;b&gt;na íntegra&lt;/b&gt;, entrevistas com muitos dos grandes nomes da intelectualidade brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Ljvx0Igc6zE/TW_na7SNMeI/AAAAAAAAAgQ/kult26yhG0Y/s1600/RodaViva.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="81" width="394" src="http://2.bp.blogspot.com/-Ljvx0Igc6zE/TW_na7SNMeI/AAAAAAAAAgQ/kult26yhG0Y/s400/RodaViva.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 30 de Agosto de 2010, o Roda Viva passou por grandes mudanças em sua fórmula original e é agora apresentado por &lt;i&gt;Marília Gabriela&lt;/i&gt;, tendo dois comentaristas e entrevistadores residentes (Paulo Moreira Leite e Augusto Nunes) e mais dois outros entrevistadores que variam de acordo com o entrevistado. O único representante do velho formato do programa é o cartunista &lt;i&gt;Paulo Caruso&lt;/i&gt;, que está sempre a apresentar, com suas charges bem-humoradas, críticas aos entrevistados e pontuações inteligentes sobre aspectos gerais das entrevistas. Preciso confessar que inicialmente achei a mudança no formato errônea e lamentei a "atualização" do programa ao novo formato pop-moderno. Entretanto, depois de assistir várias entrevistas com os novos titulares do programa, acredito que a perda não foi extensa e que o programa pode ainda ser considerado como o melhor programa de entrevistas da TV brasileira. Se alguém souber de outro melhor, favor avisar a este blogueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-np02u6mTbvA/TW_p0jiidmI/AAAAAAAAAgY/fETKqkp_b98/s1600/Roda_Viva_Ferreira_Gullar_1298405643.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="194" width="350" src="http://2.bp.blogspot.com/-np02u6mTbvA/TW_p0jiidmI/AAAAAAAAAgY/fETKqkp_b98/s400/Roda_Viva_Ferreira_Gullar_1298405643.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Saudações à TV Cultura pela disponibilização desse rico acervo contendo informação livre, inteligente e de alta qualidade! Salve o arquivo eletrônico do programa Roda Viva! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Declaração&lt;/i&gt;: este sítio não possui nenhum parceiro comercial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-9213901029368544542?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/9213901029368544542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=9213901029368544542&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9213901029368544542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9213901029368544542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2010/12/arquivo-digital-do-programa-roda-viva.html' title='Arquivo digital do programa Roda Viva'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Ljvx0Igc6zE/TW_na7SNMeI/AAAAAAAAAgQ/kult26yhG0Y/s72-c/RodaViva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5118239715950881882</id><published>2010-06-18T10:40:00.007-03:00</published><updated>2010-08-06T18:25:01.260-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saramago'/><title type='text'>José Saramago</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Conheces o nome que te deram, não conheces o nome que tens&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blogue está de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;luto&lt;/span&gt; pela morte de José Saramago no dia de hoje (Azinhaga, 16 de Novembro de 1922; Lanzarote, 18 de Junho de 2010), aos 87 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago foi o único escritor em língua portuguesa a ganhar o prêmio &lt;a href="http://nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/1998/"&gt;Nobel de literatura&lt;/a&gt;, fato ocorrido no ano de 1998. Tendo lido quase uma dezena de suas obras, considero Saramago como um dos maiores literatos do século. Particularmente aprendi muito na leitura de suas obras sobre diferentes e novas formas de expressar em nossa língua pátria -- tanto em forma quanto em conteúdo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tendo o autor inovado a escrita do português sintática e semanticamente&lt;/span&gt;. Seus diálogos contínuos e surreais, sua ausência totalmente compreensível de pontuação (segundo aquela pregada pelos gramáticos), sua clareza lógico-argumentativa e sua moral humanista invejável fazem dele um dos meus maiores ídolos, ser humano modelo, grande personalidade. Em seus "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cadernos de Lanzarotti&lt;/span&gt;", Saramago publicou crônicas e criticas ferrenhas da sociedade moderna, da massificação, da intolerância religiosa e das políticas colonizatórias norte-americanas; atuando sempre em defesa da paz entre os indivíduos e povos. Teria sem dúvida merecido também o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nobel da paz&lt;/span&gt; se tivesse sido levado verdadeiramente a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TBt4nQNNWwI/AAAAAAAAAVs/hmmCV8j3ReQ/s1600/saramago_postcard.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 396px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TBt4nQNNWwI/AAAAAAAAAVs/hmmCV8j3ReQ/s400/saramago_postcard.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484109587014310658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Este blogue está de luto pela morte do escritor português José Saramago, um dos maiores escritores em língua portuguesa de todos os tempos e ganhador do prêmio Nobel de literatura&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mesmo blogue, o grande escritor já havia sido citado em diferentes postagens, a saber:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* 10/09/2006 -- &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2006/09/saramaguiologia.html"&gt;Saramaguiologia&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;* 09/01/2009 -- Crítica breve e elogio da obra &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/01/viagem-do-elefante-de-jos-saramago.html"&gt;A viagem do elefante&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;* 08/08/2007 -- Minha &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2007/08/biografia-literria.html"&gt;biografia literária&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano tive o prazer de ler duas obras do autor. Pelo fato dele ter publicado a novela "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Caim&lt;/span&gt;" (2009), aproveitei a deixa para retornar a um de seus mais clássicos livros sobre o qual ainda não tinha me debruçado. Assim, li seguidamente em janeiro e fevereiro deste ano suas duas obras sobre as religiões: "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O evangelho segundo Jesus Cristo&lt;/span&gt;" e "Caim". Nelas Saramago apresenta suas críticas sobre as religiões institucionalizadas e as supostas morais que julga enviesadas na cultura ocidental com relação ao conceito de deus, do diabo, do paraíso, pecados e mártires. A teologia de Saramago evidencia -- com beleza e elegância -- vários dos erros cometidos por uma cultura cristã retratada sutilmente como preconceituosa, amedrontada e enviesada de um ideal humanista maior. As imagens de um deus possessivo apresentando uma moral rígida e absolutamente questionável é apresentada face-a-face à imagem de um suposto crítico da teologia divina de mais alta sensibilidade e carisma, visto entretanto com desconfiança pelos homens. Estes são os personagens que guiam a vida do humano Jesus Cristo, deus e o pastor, no recomendado "O evangelho segundo Jesus Cristo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago morre, mas as desventuras de Tertuliano Máximo Afonso, protagonista doppleganger do romance "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O homem duplicado&lt;/span&gt;" já estão eternizadas nas linhas e na historiografia da literatura em língua portuguesa. Tampouco a história da ganância dos homens, escancarada de forma magistral na obra "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ensaio sobre a cegueira&lt;/span&gt;" serão esquecidos. Neste clássico romance em língua portuguesa, toda a história é apresentada sem se dizer o nome de uma só personagem; e sem que isso perturbe a narrativa de forma notável; muitos leitores sequer tomam conta disso e veem como natural chamar os personagens de médico, mulher do médico, o primeiro cego, etc. Em suas "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Intermitências da morte&lt;/span&gt;", a argúcia esplêndida da personagem Morte aguça a inteligência do leitor, tais quais as críticas do cornaca Subhro ao atravessar um elefante pela Europa ou mesmo as desventuras de suas versões críticas de Caim, Abel, Jesus Cristo, deus e o diabo -- fazendo do autor talvez o maior nome da literatura contemporânea mundial. É claro que Saramago também sofreu críticas vindas de pessoas e instituições de visões dogmáticas com relação à igreja e seus ícones, que Saramago retrata e respeita sem deixar de apresentá-los de forma sincera e apaixonante. A teologia deste afamado escritor português, entretanto, defende valores éticos e morais de forma exímia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O legado de Saramago sobreviverá certamente por muitos anos, décadas, quiçá séculos. Sua esposa, fiel escudeira e alvo de simplesmente todas as dedicatórias, Pilar del Río, será responsável por manter viva a lembrança, as idéias e o humanismo saramaguiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sítio principal da &lt;a href="http://www.josesaramago.org/"&gt;fundação José Saramago&lt;/a&gt;, vê-se hoje os seguintes dizeres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12.30 horas na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.&lt;br /&gt;O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundação José Saramago&lt;br /&gt;18 de Junho de 2010&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Brasília, estamos tristes e prestamos luto ao grande escritor português.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5118239715950881882?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5118239715950881882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5118239715950881882&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5118239715950881882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5118239715950881882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2010/06/jose-saramago.html' title='José Saramago'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TBt4nQNNWwI/AAAAAAAAAVs/hmmCV8j3ReQ/s72-c/saramago_postcard.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5952410257193967588</id><published>2010-05-23T19:56:00.014-03:00</published><updated>2010-10-20T13:00:43.801-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><title type='text'>O castelo, por Franz Kafka</title><content type='html'>INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franz Kafka foi talvez o mais influente autor de ficção em língua alemã do século XX. Tendo sido o mais velho de seis irmãos, Kafka nasceu no ano de 1883 em Praga, na república Tcheca. Franz estudou química por dois anos na universidade mas posteriormente decidiu formar-se em direito, carreira que aparentemente lhe traria melhores possibilidades de trabalho. Na universidade organizava grupos de discussão sobre literatura e por lá conheceu o amigo Max Brod, principal responsável pela obra de Kafka ter-nos chegado hoje às mãos, já que suas obras magnas "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Processo&lt;/span&gt;" e "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Castelo&lt;/span&gt;" [1] consistem em trabalhos em grande medida inacabados e organizados por Brod depois da morte do autor. Em 1917, Kafka começa a sofrer de tuberculose, morrendo 7 anos depois (em 1924, antes de completar 41 anos) provavelmente de inanição, uma vez que a alimentação era-lhe especialmente dolorosa devido a problemas na garganta [2]. Tendo sido considerado um dos maiores romancistas do século XX ao lado de Proust e Joyce, Kafka morreu praticamente desconhecido das esferas literárias. "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tudo o que não é literatura me aborrece&lt;/span&gt;", disse um dia o escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S_m_NoV19UI/AAAAAAAAAUU/03B5WRl0Jg4/s1600/franz-kafka.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 244px; height: 276px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S_m_NoV19UI/AAAAAAAAAUU/03B5WRl0Jg4/s400/franz-kafka.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474617062933787970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Franz Kafka foi um dos mais influentes escritores do século XX. Sendo principalmente conhecido pela novela "A metamorfose", diz-se que seus romances "O Processo" e o aqui comentado "O castelo" formam um todo comum onde se discute meandros escusos da sociedade dos homens. Tais representações de nossa sociedade são construídas literariamente sob um pano de fundo normalmente sinistro, com pitadas de surrealismo e um aguçado senso crítico, frequentemente utilizado como metáfora para a recriação da sociedade e de suas injustiças -- de uma forma onde o supostamente irreal ou surreal serve para escancarar a bruta e infeliz realidade desta sociedade dos homens.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o tradutor da obra "O Castelo" para o português, Modesto Carone, a obra foi editada em pelo menos 3 edições modificadas por Brod ao longo do tempo (em 1926, 1935 e 1946) já que parece que o manuscrito não se encontrava em fases adiantadas de edição. Segundo o tradutor "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;As interpretações de O Castelo têm um volume e uma diversidade que nenhum posfácio sensato é capaz de reproduzir -- sem mencionar que a iniciativa seria inócua, uma vez que a instância mais indicada é a experiência concreta do leitor&lt;/span&gt;". Tal visão &lt;a href="http://tragodefilosofia.blogspot.com/2010/01/ciencia-da-literatura.html"&gt;pós-modernista barthesiana&lt;/a&gt; é compartilhada por este blogueiro que, não obstante, vem aqui apresentar seus próprios sentimentos, inquietações e reflexões sobre esta exuberante obra literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRÍTICA À OBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história contada na obra "O Castelo" trata das desventuras do agrimensor K. em uma vila subordinada a um castelo. K. teria vindo de outro lugar -- nunca se fala de onde e jamais o passado de K. é colocado em pauta -- e passado dias viajando para chegar à aldeia, onde fora contratado justamente para trabalhar na medição de terras para conde ou para algum alto funcionário subordinado ao conde. Na aldeia, entretanto, o que se percebe é uma falta completa de informações precisas sobre como eles próprios são governados pelos indivíduos do castelo e também sobre assuntos administrativos de menor importância, como a contratação de K. Ninguém consegue contatar pessoa alguma no castelo a saber sobre as tarefas a serem atribuídas a K. ou onde e como hospedá-lo. Mesmo assim, são-lhe atribuídos dois auxiliares para ajudá-lo na tarefa de agrimensura. Tais auxiliares consistem num par de gêmeos um tanto quanto loucos ou infantis que se repetem e se atrapalham a todo momento dando um certo ar cômico à estória [Nota 1]. K. sabe que um alto funcionário de nome Klamm tem mais informações sobre suas funções e tenta a todo modo encontrá-lo e comunicar-se com ele. Mas então se percebe o que creio ser o tema principal do enredo: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;as complexas artimanhas através dos quais os poderosos utilizam do medo e da autoridade para executarem seus poderes e serem respeitados na sociedade&lt;/span&gt;; ou ainda: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;como um imenso aparato burocrático separa e dificulta as ações dos profissionais e mantém uma estrutura hierárquica rígida e estática&lt;/span&gt;. A leitura de "O Castelo" nos faz refletir se a verdadeira função da burocracia não seria exatamente manter as relações de poder na sociedade. Voltando à estória, ninguém sabe como fazer para conversar com Klamm e todas as tentativas de K. em ter com este alto funcionário vão aos poucos se mostrando inúteis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S_m_TsOQ62I/AAAAAAAAAUc/7r7azN2sYpk/s1600/ocastelo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 137px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S_m_TsOQ62I/AAAAAAAAAUc/7r7azN2sYpk/s400/ocastelo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474617167054957410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Em "O Castelo", Kafka nos conta a história do agrimensor K. que chega -- vindo de longe -- a uma aldeia onde foi supostamente contratado para medir algumas terras do conde. Chegando lá, entretanto, ninguém sabe muito bem porque ele foi contratado ou por quem. E assim K. tenta arduamente descobrir quem o contratou e para quê, enquanto vai aos poucos se envolvendo nos meandros de uma sociedade de líderes estranhos, autoritários, respeitados e ausentes, onde a burocracia processual funciona de forma extremamente tosca e sigilosa; e onde as relações pessoais entre os personagens passam a moldar cada vez mais e melhor a posição de cada um em uma sociedade complexa de indivíduos autoritários, invejosos e egocêntricos. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma brilhante metáfora de nossa sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É recorrente na obra a problemática da complexidade gerada pela burocracia e o prefeito da aldeia chega a falar que K. provavelmente fora contratado por um completo engano. Houve épocas em que se precisou de um agrimensor mas parece que ele não mais seria necessário. Não obstante, os altos funcionários não irão admitir que houve algum erro em sua contratação e K. recebe carta de Klamm parebenizando-o pelos serviços que tem feito. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;K. entretanto é um rebelde, ele não aceita que não se saiba o que ele deve fazer ou quem ele deva contratar.&lt;/span&gt; Sendo novo na sociedade onde adentra, não aceita conselhos sobre como se portar ou sobre como proceder em diversas ocasiões. As pessoas assim passam a vê-lo como excêntrico ou louco, passando também a temê-lo por não compreenderem-no. Em certas ocasiões, ele mesmo chega a mostrar o mesmo autoritarismo que critica nos velhos burocratas e o leitor que inicialmente deveria tender a suportar o herói da história por vezes se vê em uma relação de ódio para com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este extremo clima de desinformação e autoritarismo dos superiores que circunda a história faz com que o leitor passe a perceber exatamente estas mesmas características na sociedade em que vive; e assim percebemos o quanto os meandros do poder são autoritários, confusos e desinformados. Nossa sociedade funciona toscamente e os sistemas políticos das instituições são altamente influenciados pelo autoritarismo dos líderes, pela vontade de ascensão social dos indivíduos (representados na obra principalmente por K., por Barnabás e sua família, por Frieda e Pepi) e pelas injustiças e confusões que ocorrem ao longo de uma imprecisa hierarquia que caracteriza nossa sociedade enquanto espelho da sociedade d'O Castelo. Em princípio, as pessoas da vila tratam o agrimensor com respeito por não saberem ao certo se ele é ou não alguém de altos postos hierárquicos a quem devam respeitar. A idéia de que os altos funcionários do castelo devem ser respeitados e tratados com extrema polidez é recorrente, enquanto a outros indivíduos quaisquer parece poder-se tratar com total desprezo e desrespeito. Klamm, o suposto chefe de K. jamais é visto que senão quando mostrado através de um buraco na parede por Frieda, sua suposta amante a quem K. supostamente se apaixona e com ela desenvolve um breve e estranho romance. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;De fato, as relações presentes na obra não parecem quase nunca sinceras e dão a impressão de serem todas motivadas pela busca de ascensão social das personagens. Mesmo quando as atitudes são realizadas de modo sincero pelas personagens, sempre há quem posteriormente as discuta e interprete como se fossem artimanhas executadas na busca de ascensão social por elas.&lt;/span&gt; A gerente do albergue fala de K. para Frieda como se seus interesses fossem apenas a ascensão social, assim como Pepi fala sobre Frieda da mesma forma. O livro parece também poder ser dividido em duas partes: nos primeiros capítulos ele apresenta a chegada de K. à aldeia do castelo e sua interação com alguns personagens, enquanto os capítulos que seguem depois da metade do livro consistem em elocubrações teóricas sobre as motivações que teriam levado os personagens -- na primeira metade da obra -- a tomarem esta ou aquela atitude. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Assim, enquanto a primeira parte da obra apresenta algumas ações e idéias que parecem naturais, ainda que estranhas, muitas dessas ações são analisadas de forma racional, fria e lógica na segunda metade.&lt;/span&gt; As análises racionais feitas pelos personagens mostram frequentemente o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;egocentrismo&lt;/span&gt; dos mesmos que tendem a colocar-se como centro dos acontecimentos do mundo e a julgar as ações de todos os outros personagens às custas de como elas afetam a vida de cada um deles. Pepi gosta de K. porque ao ter escolhido Frieda para ficar consigo, deixou vago o posto de atendente da hospedaria dos senhores e ela assim pôde ser promovida de camareira de quarto a atendente de bar, um posto muito mais nobre. A nobreza das profissões e o estatus dos postos de trabalho são temas recorrentes nesta obra de Kafka, mostra-se claramente como indivíduos são selecionados para postos de trabalho e promovidos, assim como por vezes são retirados de seus postos de trabalho e voltam a ter posições subalternas. Conta-se ali o caso dos pais de Barnabás que foram destituídos de seus postos de trabalho e humilhados pelo simples fato da filha não ter respondido com a devida educação ou presteza esperada a um alto funcionário que a enviara uma carta, toscamente escrita, querendo ter com ela: exemplo claro desta faceta expressa no livro a mostrar o poder da autoridade influenciando a ocupação de postos profissionais. Como no mundo real, não parece haver meritocracia na sociedade e ela consiste apenas no bem-querer dos poderosos. Também representam esta visão (i) o próprio Barnabás, que tentava conseguir um posto como mensageiro oficial (de uniforme), (ii) o caso já comentado de Pepi com relação ao posto de atendente da hospedaria dos senhores e finalmente (iii) o próprio caso do protagonista K. tentando sempre se comunicar com alguém no castelo, evidenciam essa busca humana pela ascensão social. Por outro lado, fica claro também que a ascensão social passa por nuances muitas vezes incompreendidas (sorte, azar, simpatia) pelas pessoas e às vezes compreendidas erroneamente: como quando alguém tenta montar sua idéia sobre uma situação complexa conhecendo apenas poucos e razoavelmente enviesados fatos. Esta pessoa portanto monta uma situação e um discurso que não representam o que de fato aconteceu, interpretando erroneamente as ações dos outros indivíduos por não saber deles a visão e sempre se colocando no centro dos acontecimentos, a razão última para todos os eventos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo social em O Castelo é um mundo complexo, sujeito aos gostos duvidosos dos mais poderosos e dependente de respeito à hierarquia social, além de sorte e autoritarismo ao lidar com outros indivíduos. Por outro lado, percebe-se também na obra como as boas ações feitas por uns e outros personagens são muitas vezes incompreendidas por outros que passam a tratá-los como as piores das pessoas. A forma como a dona do albergue vê as atitudes de K. ou como Pepi vê as atitudes de Frieda vão totalmente contra o que o leitor supõe saber que os próprios personagens queriam fazer quando tomaram tais atitudes. Não obstante, por vezes a argumentação é tão bem construída que o leitor chega mesmo a duvidar das boas intenções dos protagonistas e acreditar mesmo em suas tentativas de ascensão social e falta de caráter. Mais do que tudo acredito que esta obra evidencia muito da complexidade da estrutura social que construímos e revela estruturas super-burocráticas e de hierarquia rígida que os indivíduos precisam ultrapassar para ascender socialmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Castelo é uma crítica contundente à estruturação hierárquica da sociedade, ao abuso de poder, aos problemas ligados à administração e à burocratização social. Sem dúvida, uma das obras mais importantes da literatura do século XX, merece ser lida e interpretada com atenção e perspicácia pelos leitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, vale ainda ressaltar que tanto esta obra quanto "O Processo" consistem em trabalhos inacabados realizados por Kafka: "O castelo" de fato (i) termina no meio de uma frase e, principalmente, (ii) precisou de três ou quatro versões para alcançar a Versão hoje tida como definitiva. Mesmo assim, um clássico da literatura. De fato, esse caráter inacabado reflete simplesmente que a crítica do livro foi até onde deveria ir e não precisa de mais lero-lero. O que talvez menos importe em "O Castelo" é onde iria acabar esta história, embora fique-se extremamente curioso para saber onde-isso-vai-dar ao longo da leitura do livro. Fica claro então que o escritor não sabia exatamente onde chegaria quando começou a escrever ambas suas obras e que elas saíram de si naturalmente, tendo sido moldadas por "si mesmas", sem ter provavelmente jamais tido um enredo pré-definido ou lugar onde chegar. A idéia grega portanto do início-meio-e-fim parece ser demolida por este que foi um dos maiores escritores do século XX. Mais do que um enredo bem montado, portanto, parece que uma grande obra pode nascer simplesmente da invenção de um mundo fantasioso de incríveis e mágicas semelhanças com o mundo real onde há uma boa caracterização dos personagens e uma discussão racional sobre suas atitudes ao longo da trama, que parece ser montada e criada quase automaticamente na mente do escritor. Seria no mínimo uma idéia kafquiana pensar nesta história enquanto um organismo parasita-memético que teria sequestrado o escritor e tomado seus braços a sair de um mundo das idéias livres onde vagava perdida a se transformar em uma das grandes obras literárias do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais:&lt;br /&gt;[1] Kafka, F. O Castelo. Companhia das Letras, 2008.&lt;br /&gt;[2] &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Franz_Kafka"&gt;Kafka&lt;/a&gt; na wikipedia&lt;br /&gt;[3] &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Castle_%28novel%29"&gt;O castelo&lt;/a&gt; na wikipedia&lt;br /&gt;[4] Posfácio de Modesto Carone à obra O Castelo [1].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Nota 1] Vejo uma semelhança aqui com as trapalhadas do personagem Drômio, da "Comédia dos erros" de Shakespeare; ou com Bam e Bum de Lewis Caroll em "Alice no país das maravilhas".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5952410257193967588?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5952410257193967588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5952410257193967588&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5952410257193967588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5952410257193967588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2010/05/o-castelo-por-franz-kafka.html' title='O castelo, por Franz Kafka'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S_m_NoV19UI/AAAAAAAAAUU/03B5WRl0Jg4/s72-c/franz-kafka.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-606235091058135169</id><published>2010-05-23T00:01:00.002-03:00</published><updated>2010-05-26T18:43:01.140-03:00</updated><title type='text'>Resultado: Concurso "Música no seu Cérebro"</title><content type='html'>Gostaria de parabenizar os vencedores dos dois exemplares da obra "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A música no seu cérebro&lt;/span&gt;". O sorteio foi realizado por representantes da editora &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Civilização Brasileira&lt;/span&gt; e os ganhadores foram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Amanda Guimarães&lt;br /&gt;* José Maria Lobato &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a participação de todos os concorrentes. Os vencedores já foram contactados e devem receber em breve o livro em suas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquem atentos a novas promoções culturais neste mesmo blogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Chico Prós&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-606235091058135169?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/606235091058135169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=606235091058135169&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/606235091058135169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/606235091058135169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2010/05/resultado-concurso-musica-no-seu.html' title='Resultado: Concurso &quot;Música no seu Cérebro&quot;'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1875078198915817932</id><published>2010-04-25T12:28:00.011-03:00</published><updated>2010-04-29T16:11:12.825-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>A música no seu cérebro</title><content type='html'>&lt;br&gt;Promoção &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pensamentos Fugazes&lt;/span&gt; e editora &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Civilização brasileira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S9nZjqUUoEI/AAAAAAAAAUM/72iiZ6I9yPw/s1600/CivBras.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 172px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S9nZjqUUoEI/AAAAAAAAAUM/72iiZ6I9yPw/s200/CivBras.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465638829468983362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreva um e-mail para &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chicopros @ uol . com . br&lt;/span&gt; contendo no título da mensagem "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Promoção Música no seu Cérebro e Pensamentos Fugazes&lt;/span&gt;" e concorra a dois exemplares do livro de Daniel Levitin "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A música no seu cérebro&lt;/span&gt;". Os livros serão enviados gratuitamente para você em qualquer lugar do Brasil. A data limite para o envio das mensagens é o dia do aniversário deste blogueiro: 20/05/2010 e o sorteio dos vencedores será realizado 25/05/2010 e apresentado aqui mesmo neste blogue. Boa sorte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Introdução&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como amante da música e estudioso amador de neurobiologia e teoria musical, foi com prazer que descobri o livro "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;This is your brain on music: The Science of a Human Obsession&lt;/span&gt;" em fins de 2008. Morando na França, comprei a versão da obra em inglês e, em fevereiro de 2009 escrevi uma postagem sobre ela (que pode ser acessada clicando &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/02/this-is-your-brain-on-music-de-daniel.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). No mês passado, recebi uma mensagem de uma representante de marketing da editora Civilização Brasileira informando-me que o livro havia sido finalmente traduzido para o português. Dada a razoável publicidade deste blogue, a simpática editora Luiza Lewkowicz sugeria que eu escrevesse uma nova postagem aqui sobre a obra e me oferecia dois livros a serem sorteados entre os leitores deste blogue. Assim nasceu essa nova postagem que me permitiu reavaliar a obra de Levitin e repensar a neurobiologia da música descrita neste livro excelente e esclarecedor. O leitor pode comprar o livro ao clicar &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=22097734&amp;sid=89274416912222844239342932&amp;k5=21992C6C&amp;uid="&gt;aqui&lt;/a&gt; (eu não ganho nada com isso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S9RjJssVv6I/AAAAAAAAAT8/MiT2Rptrn_4/s1600/M%C3%BAsicaEmSeuCerebro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S9RjJssVv6I/AAAAAAAAAT8/MiT2Rptrn_4/s400/M%C3%BAsicaEmSeuCerebro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464101266174361506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O livro "A música no seu cérebro" do produtor musical e pesquisador da Universidade McGill (Canadá) Daniel Levitin explora a percepção musical do cérebro humano. Usando exemplos que vão de Mozart a Eminem, passando pelos Beatles, Jimmy Hendrix e Creedence, o autor faz uma investigação do papel da música ao longo da evolução da espécie humana e da história de nossa sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A música em seu cérebro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levitin primeiramente introduz o leitor a diversas características da música e dos sons, garantindo logo no primeiro capítulo que o leitor será capaz de entender o restante do livro, que utiliza bastante do vocabulário introduzido. Baseando-se em grande exemplos do rock, como "Johnny Be Goode" e "Light my fire", Levitin explica as diferenças entre acordes maiores e menores, assim como a sonoridades esperadas em harmonias musicais. O fato de utilizar canções bastante conhecidas em seus exemplos facilita a compreensão de sua abordagem científica com relação à música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como cientista profissional e músico amador achei particularmente interessante a abordagem utilizada pelo autor ao comparar &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;música e ciência&lt;/span&gt;, argumentando em que sentido ambos os empreendimentos são parecidos em sua prática cotidiana. Tanto na ciência quanto na música, argumenta Levitin, existem etapas criativas e exploratórias na busca de idéias, seguidas de etapas de teste experimental e refinamento que são realizadas utilizando métodos já classicamente padronizados. Nas duas atividades são necessárias máquinas e equipamentos adequados que devem ser operados com capacidade técnica exemplar e cujos resultados produzidos são abertos a diferentes interpretações. Cientista e artista vivem sempre em condições de re-execuções, re-interpretações e re-análise dos resultados de seus trabalhos. Parece-me claro entretanto que a música permite uma maior liberdade de criação do que o empreendimento científico, embora certamente o desenvolvimento de novas teorias em arte ou ciência são custosos de maneira semelhante e exigem grandes genialidades criativas associadas a uma disciplina rígida e empenhada em transformar todo o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;brainstorm &lt;/span&gt;inicial em um produto a ser descrito enquanto artigo científico ou gravação em estúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra também nos fornece informações impressionantes sobre a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;indústria musical&lt;/span&gt;, que gera altíssimos dividendos à cultura norte-americana: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;os americanos gastam mais dinheiro com música do que com sexo ou remédios&lt;/span&gt;", revela Levitin na página 13 de sua Introdução. Assim portanto é possível que os financiamentos e a aposta comercial em músicas que poderão vir a ser de sucesso sejam ainda mais ferrenhas do que aquelas feitas pelas indústrias farmacêuticas, embora talvez um único fármaco provavelmente renda mais do que uma única banda, com exemplares exceções, evidentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S9RxQq_JQnI/AAAAAAAAAUE/YS7ChEnhzSI/s1600/daniel_levitin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 280px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S9RxQq_JQnI/AAAAAAAAAUE/YS7ChEnhzSI/s400/daniel_levitin.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464116779138237042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Daniel Levitin (1957-) é um psicólogo cognitivo americano, neurocientista, produtor musical, músico e escritor. Tendo iniciado sua carreira como músico e produtor musical, Daniel esteve sempre interessado na forma como os seres humanos compreendem a música, tendo mais tarde em sua carreira decidido tornar-se pesquisador da área de neurobiologia e psicologia cognitiva relacionada à apreensão musical. Com a completude de um currículo em ambas as áreas e notável sensibilidade artística e intelectual, Daniel dá um show de multidisciplinaridade ao apresentar ao leigo informações sobre como compreendemos a música em nosso cérebro de primatas.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, desde fevereiro de 2009 até hoje, fui membro de duas bandas amadoras de Rock 'n Roll e aos poucos minha percepção musical tem ficado mais aguçada, de forma que tenho podido ao longo dos anos compreender e aplicar melhor as idéias de Levitin em minhas próprias composições -- que ainda considero pobres musicalmente, mas que tendem a melhorar. A principal questão da música parece-me ter sido bem colocada pelo autor em toda a extensão de sua obra e está relacionada à questão -- já discutida na postagem original -- sobre a expectativa na música. Toda a questão da música se insere num contexto onde o músico joga com expectativas com relação ao ouvinte. Por vezes ele satisfaz expectativas ao seguir a harmonia melódica de maneira perfeita e, por outras, frustra as expectativas do ouvinte ao desviar os sons produzidos de uma conclusão esperada por uma tensão harmônica. Reproduzo aqui algo que havia escrito há cerca de ano e meio atrás sobre a questão: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br&gt;Outro conceito importante que apreendi na leitura de "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Seu cérebro musical&lt;/span&gt;" vem do fato de que nosso cérebro evoluiu de certa maneira a apresentar algum tipo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;expectativa musical&lt;/span&gt;. Tal expectativa está relacionada à ordem que as notas soam em uma sequência harmônica e é interessante notar como o nosso "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;sistema sensorial pode restaurar informações faltantes que podem nos ajudar a tomar decisões rápidas em situações de risco&lt;/span&gt;". Da mesma forma como na figura abaixo temos uma ilusão de óptica ao vermos um triângulo que não está desenhado, temos também ilusões auditivas -- e quando uma sequência harmônica é tocada sem uma nota, nosso cérebro automaticamente a adiciona, sem que nos demos conta disso, de modo a completar a nota faltante e criar uma &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;alucinação sonora&lt;/span&gt;. E é exatamente na modulação desta expectativa -- indo por vezes à favor e por vezes contra ela -- que identificamos os grandes compositores a trabalharem com os sons e, por conseguinte, com nossas emoções ao escutá-las. Levitin postula claramente: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A formação e então a manipulação de expectativas está no coração da música e é realizada de um número incontável de maneiras.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahJU1R85OI/AAAAAAAAAGs/2JO7tmTUjmU/s1600-h/triangle.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 285px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahJU1R85OI/AAAAAAAAAGs/2JO7tmTUjmU/s320/triangle.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307572783104713954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;De forma a criar uma ilusão de óptica, nosso cérebro nos permite ver um triângulo, na figura, que não existe. Levitin mostra que da mesma forma que temos ilusões ópticas, temos também ilusões auditivas e sonoras, onde nosso cérebro "escuta" algo que não foi tocado. Uma dessas ilusões é exemplificada na música dos Beatles "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lady Madonna&lt;/span&gt;", onde temos a impressão de escutarmos saxofones numa parte da canção onde eles não estão presentes.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da expectativa da música, vale a pena ficar atento ao fato de que a música consiste simplesmente em trazer algum tipo de experiência sensorial agradável ao ouvinte. Com relação a este ponto -- embora o conhecimento de teoria musical ajude --, deve-se prezar ainda mais um certo tipo de sensação musical complexa e inexplicável que só nos pode ser trazida por algum verdadeiro artista da música. Parece-me inclusive que os grandes artistas são aqueles indivíduos que conseguem justamente reunir tal sensibilidade com uma capacidade técnica de reproduzir tais sons e, finalmente, uma capacidade intelectual em criar letras e rimas que componham de forma completa a experiência musical do ouvinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Definitivamente apresentei outras apreciações mais interessantes em minha postagem original deste mesmo blogue publicada em fevereiro de 2009, cuja leitura recomendo: clique &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/02/this-is-your-brain-on-music-de-daniel.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; para lê-la. Nela falo sobre como nosso desenvolvimento musical foi influenciado por uma seleção sexual darwiniana, além de tratar das definições de tipos de músicas sob uma óptica wittgensteiniana e sobre o quanto se deve estudar para se tornar um músico, considerando que todos nós já podemos nos considerar músicos iniciantes por termos justamente um aparato auditivo e cérebro característico da espécie &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Homo sapiens&lt;/span&gt;. Envie seu e-mail para concorrer ao livro e boa sorte!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1875078198915817932?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1875078198915817932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1875078198915817932&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1875078198915817932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1875078198915817932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2010/04/musica-no-seu-cerebro.html' title='A música no seu cérebro'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S9nZjqUUoEI/AAAAAAAAAUM/72iiZ6I9yPw/s72-c/CivBras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4519041417676711282</id><published>2010-01-07T12:40:00.003-02:00</published><updated>2010-04-05T23:13:05.285-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ambientalismo'/><title type='text'>Avatares desde Matrix</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;INTRODUÇÃO SÓCIO-POLÍTICO-CINEMATOGRÁFICA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Talvez fosse previsível que um blogue sobre cultura fosse trazer aqui o filme de maior bilheteria do ano, mas talvez fosse imprevisível que este blogue, por suas características ideológicas e intelectuais fosse trazer um filme hollywoodiano a ser comentado, uma vez que aproximadamente noventa e nove por cento do que se faz lá é mesmice e fórmulas aplicadas e reaplicadas a diferentes histórias. O filme hollywoodiano típico começa com um cena de ação que é para entreter os espectadores, então desenvolve-se uma história normalmente de violência, com a fórmula grega do começo-meio-fim onde há um herói, há amores e há tarefas a serem cumpridas, mentores e farsantes a serem encontrados. Desvios mal-acabados da fórmula descrita por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Campbell&lt;/span&gt; em "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O herói com mil faces&lt;/span&gt;" onde personagens centrais encarnam a mitologia da própria vida humana, coisa que o público quer ver na tela para identificar-se. Mas enquanto apenas um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;George Lucas&lt;/span&gt; é capaz de adaptar as nuances mitológicas de um herói com mil faces, hollywood vem fracassando solenemente -- com louváveis exceções. Felizmente no entanto, dado um total esgotamento da fórmula, tem-se visto surgir sucessos de bilheteria que fogem a estas regra básicas da cinegrafia massificadora hollywoodiana, como são os criativos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;tarantinos&lt;/span&gt; ou os mundanos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;almodovares&lt;/span&gt;. No Brasil, o grande &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nelson Rodrigues&lt;/span&gt; já usava a fórmula mais criativa desde os anos 60, veja "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Boca de ouro&lt;/span&gt;" com seu enredo ainda modernista, uma vez que até mesmo a personalidade e lealdade dos personagens mudam dentro da mesma trama segundo humores variáveis da entrevistada que nos relata os acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S7E8TQg65eI/AAAAAAAAATk/6E-wUNKcEZo/s1600/boca%2Bde%2Bouro1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 395px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S7E8TQg65eI/AAAAAAAAATk/6E-wUNKcEZo/s400/boca%2Bde%2Bouro1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454206925270607330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O filme "Boca de ouro" (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos é baseado em  peça teatral de Nelson Rodrigues. Modernista na fórmula, não deixa em nada para trás as grandes obras do cinema contemporâneo.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho aqui entretanto dar o prêmio de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;melhor filme ambientalista do ano&lt;/span&gt; ao afamado "Avatar" cuja história contra a dominação dos povos parece até impossível ter vindo de onde veio, o país dos maiores conquistadores do planeta que tentam exatamente fazer tudo isso que Cameron nos mostra na caricatura anti-navï de nossa própria sociedade. Cameron evidentemente sabe disso e talvez só mesmo o cineasta que tem no seu currículo a maior bilheteria de todos os tempos com Titanic (além dos filmes &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Exterminador do Futuro&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aliens&lt;/span&gt;, dentre outros) pode se dar ao luxo de criticar sua própria política governamental. Doutro modo, poder-se-ia pensar que os financiadores da obra, de tão mesquinhos e gananciosos, mal perceberam seu conteúdo humanista, ou nem se importaram. Mas ela está lá, indubitavelmente. Pela super-produção do filme e pelo alcance que tem, pela popularidade mundial e pelo divulgar ambiental Cameron teria talvez merecido ainda mais o grande prêmio da paz que seu próprio presidente, que não hesitou em mandar mais americanos ao Afeganistão no ano em que recebera a honraria. O filme pode representar também uma resposta, quiçá um acordar dos intelectuais e da cultura americana para as injustiças que teem cometido desde o fim da segunda guerra mundial, quando se tornaram a potência dominante e deixaram escorrer pelo ralo o ideal de liberdade em que o país se fundara. Obama tentou recapitular isso em seu discurso de candidato mas no poder provavelmente não consegue se ver livre dos militares e diversos setores conservadores da sociedade a comandar-lhe todas as tarefas. Veja sua dificuldade até com um simples e claramente justo (ou aquém da justiça) plano de saúde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S7E_V6eLahI/AAAAAAAAATs/6-teYzZ9K-Y/s1600/avatar-poster-french.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 282px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S7E_V6eLahI/AAAAAAAAATs/6-teYzZ9K-Y/s400/avatar-poster-french.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454210269428017682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Avatar, a grande super-produção socioambientalista vem do coração capitalista da américa hollywoodiana. Obama é presidente: será o começo de uma nova era?&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;AVATARES DESDE MATRIX&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Enfim, deixemos toda esta discussão de lado por ora. De fato, a reflexão que me trouxe aqui foi ter pensado fugazmente em quão parecidos não são os avatares em "Avatar" e em "Matrix". As maiores e melhores ficções científicas dos últimos 10 anos têm um assunto em comum: a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;filosofia da mente&lt;/span&gt;. Podemos de fato passar nossa consciência para outros corpos, máquinas ou dividir um mundo inexistente e que está apenas nas mentes das pessoas? No filósofo francês René Descartes tais filmes travam herança, mais precisamente no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Discurso do Método&lt;/span&gt; onde o filósofo francês desconstrói todo o mundo, questiona sua própria experiência sensível ao supor um demônio a enganar seus sentidos, descredita em absoluto sua experiência sensorial e chega finalmente à resposta última, máxima magna da filosofia: "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;penso, logo existo&lt;/span&gt;". Matrix é também um filme de avatares, deita-se também no aparelho com o corpo verdadeiro e então incorpora-se outra criatura. Em Matrix diz-se que a criatura que se incorpora é como uma imagem idealizada de si mesmo, enquanto em Avatar incorpora-se uma criatura de outra espécie, um indivíduo da espécie Navï, que inclusive tem novos sistemas sensoriais e agilidades extras às de um ser humano. De fato, cientistas personagens em Avatar revelam que a criatura avatar é feita de DNA híbrido de humanos e navïs, mas de fato o indivíduo é indiferenciável de um Navï típico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambientalismo em Avatar é exultante, presente e maravilhoso; há na ficção a idéia comum ao índigena sobre uma &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Unidade da Natureza&lt;/span&gt; e assim os organismos vivos podem estabelecer um contato físico através de um órgão de comunicação específico para tal. Através das pontas de seus cabelos os navï conectam-se a árvores e animais, integrando-se de forma mais completa a outras formas de vida e conseguindo inclusive uma comunicação mais eficiente com elas. Revitalizar e materializar essa metáfora da integração da vida entre espécies parece extremamente interessante em uma época onde a população é predominantemente urbana e esquece da forte relação que existe entre os homens e outros animais. Índios e gente do campo, entretanto, além de apreciadores da natureza e dos animais sabem que este canal de comunicação existe de fato entre o ser humano e os entes naturais, embora seja muito mais sutil do que esta comunicação direta que Cameron brilhantemente encontra como metáfora ao criar os navï.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S7FAHS-BHVI/AAAAAAAAAT0/Rmelkk-OfZU/s1600/matrix-800x600.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S7FAHS-BHVI/AAAAAAAAAT0/Rmelkk-OfZU/s400/matrix-800x600.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454211117817601362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Matrix também é um filme onde estão presentes avatares. Mas em que sentido são eles parecidos com os avatares do povo Navï de Cameron?&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão do mundo ao qual se viaja em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Avatar&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Matrix&lt;/span&gt; pode ser comparada. No sombrio clássico do cinema moderno, o mundo real é completamente diferente deste em que se vive: o tempo é diferente e toda a tecnologia é também diferente. Em Matrix o mundo real está duzentos ou trezentos anos à frente da era atual onde os personagens se inter-relacionam e -- de forma antes alarmista sobre o poder das máquinas e da inteligência artificial, na linha cinematográfica de obras como "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Blade Runner&lt;/span&gt;" e "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Exterminador do Futuro&lt;/span&gt;"  -- o filme mostra como a primazia da ordem do planeta pode ser tomada por seres que nós mesmos teríamos inventado, programas egoístas que dada uma catástrofe nuclear precisam utilizar nossa própria energia metabólica para alimentá-los em suas necessidades energéticas. Copiando em parte o que acontece hoje em nossa sociedade e agora também ligado a um catastrofismo observado na trilogia "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mad Max&lt;/span&gt;", o mundo matrixiano é um lugar onde a busca por energia é o que move a ganância dos seres. Tema recorrente na ficção e na realidade (dos empreiteiros), o mundo parece precisar de mais energia. Em Matrix, a energia é produzida por nós mesmo, que funcionamos como pilhas para as máquinas, escravizados que estamos. Já em Avatar, o mundo em que o avatar vive é exatamente o mesmo do que o humano, não há diferenças em tempo ou em espaço e inclusive o avatar pode entrar fisicamente em contato com o corpo do indivíduo que lhe controla a mente. Em Matrix isso seria completamente impossível, os corpos das pessoas reais estão empilhados e deitados em substâncias nutrientes, não há qualquer relação entre o mundo do avatar e o mundo do indivíduo em sua real existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma questão tecnológica que não é abordada em nenhum dos dois filmes -- mas que seria importantíssima se quisermos pensar sobre uma tecnologia de transferência de consciência -- teria relação com a velocidade de transmissão das informações nervosas entre o indivíduo "real" e o avatar. Como essa informação é transmitida? Através de qual meio? Algo pode interrompê-la ou prejudicá-la? O quê? Pelo fato de que em ambos os filmes a passagem da capacidade cognitiva do humano ao avatar termina com morte do humano-real, fica-se então a idéia e a impressão de que é nele que está fisicamente situada a consciência, transmitida em ambos os filmes instantaneamente, até o módulo avatar. Da mesma forma, as informações sensoriais obtidas pelo avatar precisariam ser transmitidas até o cérebro do humano, processadas e então re-enviadas ao avatar para que este tomasse atitudes. Entretanto na ficção dos filmes não há esse problema de transmissão de informações e tudo funciona como se fosse o próprio cérebro do avatar que comandasse, ex loco, suas ações e movimentos. Algumas diferenças lógicas precisariam acontecer caso as coisas não acontecessem dessa forma e esta pode ser considerada, de certa forma, uma falha conceitual relacionada à existência de avatares. Doutro modo, caso as informações do cérebro humano fossem passadas ao avatar e nele residissem por um determinado tempo, a morte do humano não causaria morte instantânea do avatar; doutra forma poderia acontecer do indivíduo -- se morto na vida real -- ficar para sempre aprisionado dentro ao corpo do avatar. Noutro caso poder-se-ia quiçá transferir a mente para o avatar e continuar-se com a própria mente, neste caso ter-se-ia inventado um clone mental de si mesmo. Espera-se, inclusive -- justamente pelos problemas que pode criar -- que tal técnica de transferência de consciência continue no campo da ficção, do contrário loucos autoritários, poderosos e ignorantes poderiam querer fazer clones mentais de si mesmo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ad infinitum&lt;/span&gt;; dá medo imaginar um mundo cheio de clones mentais de Bush Junior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, vale mais uma vez ressaltar o enorme empenho de Cameron trabalhando durante anos a fio em produzir um filme &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;socioambientalista&lt;/span&gt; dentro do coração hollywoodiano de uma américa super-capitalista e ainda em grande medida controlada por um exército cuja fonte de renda consiste na realização de guerras e na opressão de povos. Os navï são sem dúvida uma metáfora para populações presentes em todas as partes do globo que ainda precisam lutar para manter suas terras e sua tradição à despeito da desenfreada, absurda e assassina corrida do capital e do dinheiro, corrida esta que tem destruído nosso planeta e espalhado terror e guerra entre os povos. Avatar é uma crítica a tudo isso, nascida no berço da dominação e, tendo sido um filme que liderou bilheterias por semanas, influenciou positivamente a humanidade do porvir. Esperemos que o ideal e a história mágica produzam resultados práticos, senão hoje, ao menos para uma próxima geração de crianças e jovens maravilhados pelas peripécias e pelo drama do belo e pobre povo navï.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4519041417676711282?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4519041417676711282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4519041417676711282&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4519041417676711282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4519041417676711282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2010/01/avatares-desde-matrix.html' title='Avatares desde Matrix'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/S7E8TQg65eI/AAAAAAAAATk/6E-wUNKcEZo/s72-c/boca%2Bde%2Bouro1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2900353161105930458</id><published>2009-12-05T00:59:00.000-02:00</published><updated>2009-12-05T04:23:25.058-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pacifismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Imagine, John Lennon</title><content type='html'>Líder da maior banda de rock de todos os tempos, é praticamente desnecessário apresentar o senhor &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;John Winston Lennon&lt;/span&gt; nesta postagem. Nascido em 1940, John Lennon nunca conheceu seu pai, um marinheiro inglês que lutava na segunda guerra mundial quando o filho nasceu. Quando seu pai voltou da guerra, sua mãe Julia já estava grávida de outro filho, com outro homem; e John foi então criado por sua tia Mary "Mimi" Smith.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxOkHhNPAeI/AAAAAAAAAP4/1rNOkoPBTEg/s1600/Imagine_JohnLennon.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxOkHhNPAeI/AAAAAAAAAP4/1rNOkoPBTEg/s400/Imagine_JohnLennon.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409848026482016738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;O DVD Imagine, de John Lennon. Um tributo à vida de um dos maiores artistas e pacifistas que já nasceram na Inglaterra (e no mundo).&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 17 anos, John já queria ser músico e fundou com uma amigo a banda The Quarrymen. Logo depois teve seu primeiro encontro com Paul McCartney e decidiu tomá-lo como parceiro. Paul trouxe o amigo George Harrison para a banda e eles começaram a tocar em alguns bares de Liverpool. Os Beatles não foram reconhecidos na Inglaterra até que fossem tocar algumas vezes em bares de Hamburgo, na Alemanha. O sucesso deles aumentava e quando finalmente voltaram e tocaram no Cavern Club (1961), deram a sorte de terem sido vistos por Brian Epstein que gerenciou o grupo em sua fase inicial. Daí para o sucesso foi um salto quase natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as viagens e turnês estavam ficando cansativas. Depois de todo o sucesso monstruoso dos Beatles ao longo da década de 60, John cansou-se da histeria. O show no alto do edifício da Apple foi a última apresentação ao vivo dos Beatles para uma Londres estupefata. John conhecera Yoko Ono e sua relação com esta artista plástica vanguardista mudaria para sempre sua vida e sua carreira. Pelo filme &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Imagine &lt;/span&gt;percebe-se o quanto Yoko inspirava e trazia força para John Lennon. (Desejo a todos os homens idealistas que encontrem uma Sra. Ono para impulsioná-los a transformar seus sonhos em realidade.) A mudança na vida, carreira e interesses de John ao lado de Yoko era clara; agora John tornara-se um pacifista, alguém com idéias e ideais nobres a serem passados para a humanidade. Creio que se pode dizer que este período solo ao lado de Yoko tenha sido o maior período criativo e intelectual de Lennon. Para a sociedade inglesa, entretanto, Yoko era uma má influência ao Beatle bonitinho e careta. Mas a imagem comercial dos Beatles nunca mostrou de fato a psicodelia e a criatividade regada a drogas ao qual os membros da banda eram adeptos. Particularmente interessante neste filme é o diálogo entre Lennon e uma senhora, editora de TV que diz ter gostado dos Beatles e que agora criticava duramente as ações de John; com sua foto nu ao lado de Yoko e sua entrevista de uma semana na cama, dando lições pacifistas à sociedade. John diz à pobre de espírito algo mais ou menos assim: "ok, fico feliz se a senhora gostava de 'Hard days night' e coisas do gênero; mas eu não sou mais o mesmo, eu cresci; o que não parece ter acontecido com a senhora". Excelente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxOsxyabwXI/AAAAAAAAAQA/okq7-mMNMZE/s1600/johnle-unfin1-thumb-300x300-51.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxOsxyabwXI/AAAAAAAAAQA/okq7-mMNMZE/s400/johnle-unfin1-thumb-300x300-51.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409857548748308850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;John Lennon e Yoko Ono em sua famosa foto em nu frontal na capa do album experimental e vanguardista "Unfinished Music No.1: Two Virgins".&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de John ao lado de Yoko era questionar a estúpida moral estabelecida e não só chocar a sociedade inglesa e mundial como fazer uma campanha grande pela paz no mundo. São dessa época as músicas "Imagine", "Give peace a chance", "Happy Xmas (War is over!)". Em 1972, sob a administração de Richard Nixon, tentou-se deportar Lennon dos Estados Unidos sob a alegação de que em 1968 ele havia sido preso por porte de maconha. Em 1973, Lennon foi obrigado a deixar o país por dois meses enquanto Yoko recebeu o visto de residência permanente. Numa conferência de imprensa enquanto discutiam exatamente este ponto, Lennon e Ono apresentaram seu conceito de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nutopia&lt;/span&gt;, um país utópico onde não haveriam terras, fronteiras ou passaportes: haveria apenas o mundo. "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nutopia não teria leis que senão as leis cósmicas. Todas as pessoas de Nutopia seriam embaixadoras do país.&lt;/span&gt;", disse Lennon nesta ocasião. E como embaixadores de Nutopia, John e Yoko pediam asilo político aos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John pregou também a paz do cabelo ou "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hair peace&lt;/span&gt;" incentivando os americanos a deixarem o cabelo crescer como protesto a favor da paz. Em outra entrevista, John e Yoko cobriram seus corpos com uma manta branca para mostrar aos jornalistas que não importava quem estivesse por trás daquele lençol: eram suas palavras que precisavam ser ouvidas e avaliadas; de fato não importava quem estivesse ali pregando sobre a paz e a favor dos direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxOx48qHahI/AAAAAAAAAQI/zB-RFApqdHQ/s1600/bed_in_lennon_ono.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 309px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxOx48qHahI/AAAAAAAAAQI/zB-RFApqdHQ/s400/bed_in_lennon_ono.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409863169315662354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;John e Yoko em sua entrevista de casamento realizada durante uma semana inteira em uma cama, onde pregavam pela paz e o amor&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite do dia 8 de dezembro de 1980, por volta das 23:00, um mero idiota e simples desconhecido, Mark David Chapman cometeu a enorme covardia de atirar em Lennon quatro vezes pelas costas quando este entrava em seu apartamento. O problemático indivíduo ainda ficou ali assentado lendo sua cópia do livro "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O apanhador no campo de centeio&lt;/span&gt;" até que a polícia chegasse para detê-lo. Acusado de homicídio em segundo grau, Chapman foi sentenciado, em 1980, a 20 anos de pena; mas permanece até hoje preso, tendo sido negada sua libertação por cinco vezes (de dois em dois anos, entre 2000 e 2008). Yoko escreveu vários artigos portando-se contra sua libertação e, embora dizendo que estamos em "tempo de perdão", revela que ainda não conseguiu perdoar o idiota a quem Lennon havia dado um autógrafo algumas horas antes de ser baleado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, não custa apresentar aqui a inspiradora letra de Imagine, que a ainda precisa ser ouvida e transmitida como mensagem de paz a toda a humanidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Imagine (John Lennon)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine there's no Heaven&lt;br /&gt;It's easy if you try&lt;br /&gt;No hell below us&lt;br /&gt;Above us only sky&lt;br /&gt;Imagine all the people&lt;br /&gt;Living for today&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine there's no countries&lt;br /&gt;It isn't hard to do&lt;br /&gt;Nothing to kill or die for&lt;br /&gt;And no religion too&lt;br /&gt;Imagine all the people&lt;br /&gt;Living life in peace&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You may say that I'm a dreamer&lt;br /&gt;But I'm not the only one&lt;br /&gt;I hope someday you'll join us&lt;br /&gt;And the world will be as one&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine no possessions&lt;br /&gt;I wonder if you can&lt;br /&gt;No need for greed or hunger&lt;br /&gt;A brotherhood of man&lt;br /&gt;Imagine all the people&lt;br /&gt;Sharing all the world&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You may say that I'm a dreamer&lt;br /&gt;But I'm not the only one&lt;br /&gt;I hope someday you'll join us&lt;br /&gt;And the world will live as one &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve Mr. Lennon!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;== Para saber mais ==&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;John Lennon @ wikipedia &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Lennon"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/John_Lennon&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;The Beatles @ wikipedia &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Beatles"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/The_Beatles&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Mark David Chapman @ wikipedia &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_David_Chapman"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_David_Chapman&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Unfinished Music No.1 @ wikipedia  &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Unfinished_Music_No.1:_Two_Virgins"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Unfinished_Music_No.1:_Two_Virgins&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Yoko Ono @ wikipedia &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yoko_Ono"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Yoko_Ono&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no mundo real... o ganhador do Nobel da Paz do ano decide mandar mais 30.000 para a guerra. Alguém poderia ressuscitar o senhor John, por favor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2900353161105930458?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2900353161105930458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2900353161105930458&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2900353161105930458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2900353161105930458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/12/imagine-john-lennon.html' title='Imagine, John Lennon'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxOkHhNPAeI/AAAAAAAAAP4/1rNOkoPBTEg/s72-c/Imagine_JohnLennon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4746155825064851534</id><published>2009-12-01T10:40:00.000-02:00</published><updated>2009-12-01T19:35:20.527-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='enciclopéida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conhecimento'/><title type='text'>Elogio à Wikipedia (a enciclopédia livre)</title><content type='html'>Quando doei a todo o mundo livremente o que de melhor havia em mim, nada recebi em troco. Um ou outro congratularam-me pelas idéias e criatividade; muitos não quiseram conhecer-me e alguns olharam-me com desgosto. O homem não gosta de nada que lhe chegue gratuitamente e quando vendi meus livros, com praticamente o mesmo conteúdo que havia publicamente na internet, muitos agora me louvavam. As coisas só valem, para o ser humano, quando estão envolvidos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;valores&lt;/span&gt;. "O que é gratuito não pode valer coisa alguma!", parecem pensar as pessoas. Mas estamos no século XXI, na era da internet: as coisas estão mudando, embora ainda não se perceba. Meus colegas professores doutras disciplinas ainda não aceitam trabalhos referenciando sítios na internet e já conheci pessoas que simplesmente arrotavam sobre as mazelas da maior enciclopédia livre do mundo, a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page"&gt;wikipedia&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxWA7Ujk-YI/AAAAAAAAAQQ/y-RAE-aH558/s1600/wikipedia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 278px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxWA7Ujk-YI/AAAAAAAAAQQ/y-RAE-aH558/s400/wikipedia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410372283974089090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A wikipedia consiste no maior repositório público e gratuito de conhecimento existente hoje no mundo. Facilmente acessível de qualquer lugar do mundo com acesso à internet, ela tem revolucionado nossa capacidade de apreender conhecimento sobre toda e qualquer área que se deseje saber. Dinâmica como nenhuma outra enciclopédia pode vir a ser, a wikipedia simplesmente revoluciona nossa busca pelo conhecimento e tende a tornar todo ser humano mais culto e integrado aos conhecimentos produzidos dia-a-dia em qualquer parte do mundo, sendo uma ferramenta eficiente para o aumento da intelectualidade global.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mais de 10 anos trabalhando com biologia, lendo livros de divulgação científica e especializando-me em minha área de atuação dentro da chamada bioinformática e na ciência genômica, posso finalmente dizer que existem assuntos que compreendo com clareza. Há conhecimentos que são do meu domínio e que posso contar, passar adiante, transmitir este conhecimento para meus alunos ou para quenquer que me queira ouvir. Fato é que meu conhecimento especializado gerado por uma década do fazer-ciência, desde a minha graduação, passando pelo meu mestrado e doutorado, além dos dois anos e meio de pós-doutorado e mais estes últimos seis meses como professor universitário transformaram-me num especialista sobre as ciências da vida e sobre técnicas modernas e abrangentes de estudá-la. Também como intelectual e leitor assíduo de informações sobre diversas áreas do conhecimento que abrangem literatura, linguística, música, história, epistemologia, filosofia e etc., tenho acumulado conhecimento sobre diversas área da cultura já produzidas pela humanidade. Sem falsa modéstia venho aqui, portando, do alto de meu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;suposto&lt;/span&gt; poderio do saber para dizer que, quando o assunto aborda questões que são do meu conhecimento técnico, muitos sítios da internet contêm informações fenomenais e excelentes. A &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;wikipedia&lt;/span&gt; é, sem qualquer sombra de dúvida, o principal lugar de onde hoje verifico o que sei e retiro meus conhecimentos ao aprender sobre qualquer idéia nova que a mim se apresente. Principalmente o sítio em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;inglês&lt;/span&gt;, o que mais utilizo, contém resumos muitas vezes brilhantes sobre as principais áreas do conhecimento humano; além de abundantes e fascinantes mini-biografias dos maiores pesquisadores e intelectos da história da humanidade. Creio que no futuro a wikipedia poderá vir a ser comparada à primeira grande &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Encyclop%C3%A9die"&gt;enciclopédie&lt;/a&gt;, de Diderot e d'Alembert (publicada na França entre os anos de 1751 e 1772). Desta vez, entretanto, uma enciclopédia pública, feita não por um ou outro, mas por uma comunidade de pensadores e amantes do conhecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxWIEpSTeNI/AAAAAAAAAQg/F70T8fwGNRA/s1600/ENC_1-NA5_600px.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxWIEpSTeNI/AAAAAAAAAQg/F70T8fwGNRA/s400/ENC_1-NA5_600px.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410380140739000530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A capa da primeira grande enciclopédia produzida no mundo, publicada na França entre 1751 e 1772. Editada por Denis Diderot e Jean d'Alembert, esta enciclopédia ancestral à wikipedia consistia em 35 volumes e mais de 71 mil artigos. Muitas figuras do iluminismo francês colaboraram com sua escrita, entre Voltaire, Rousseau e Mostesquieu. O mais prolífico contribuinte para a enciclopédie francesa foi Louis de Jaucort que escreveu 17.266 artigos entre 1759 e 1765 (uma média de oito artigos por dia).&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a wikipedia apresenta erros? Sem dúvida apresenta. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todo o trabalho feito pelo ser humano apresenta erros e falhas. Somos limitados e jamais alcançaremos a perfeição, ainda que devamos sempre buscá-la; estando sempre à sua margem.&lt;/span&gt; Se existe algum progresso, este vem a partir da modificação e acréscimo de conhecimento que a humanidade -- como um todo -- alcança ao longo de sua ininterrupta caminhada intelectual. A wikipedia consiste num sítio democrático onde qualquer pessoa bem intencionada pode chegar e acrescentar conteúdo em determinada área do conhecimento que lhes seja familiar. A idéia de uma enciclopédia livre e aberta é simplesmente sensacional. Quanto às más informações ou informações politicamente enviesadas: elas serão banidas em pouco tempo pela própria comunidade de amantes e divulgadores do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A wikipedia consiste num projeto destinado a produzir enciclopédias livremente acessíveis em todos os idiomas do mundo. Seus serviços iniciaram em Janeiro de 2001 e hoje ela contém mais de 10 milhões de artigos publicados em 250 idiomas diferentes. Desde seu começo, a wikipedia contém mais de 650 mil usuários registrados que tenham feito pelo menos dez edições em artigos do sítio. A maior parte das edições entretanto vêm de alguns milhares de usuários mais dedicados a colocar seu conhecimento publicamente disponível para o público geral; ou seja, nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxWHBFiTLjI/AAAAAAAAAQY/dQCkvHvQI-Y/s1600/429px-Charles_Darwin_seated.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 286px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxWHBFiTLjI/AAAAAAAAAQY/dQCkvHvQI-Y/s400/429px-Charles_Darwin_seated.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410378980091178546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Foto de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin"&gt;Charles Darwin&lt;/a&gt; retirada de um artigo altamente esclarecedor sobre o inglês na wikipedia. Além de apresentar artigos, a wikipedia apresenta conjuntos de fotos, gravuras e diagramas de domínio público -- dos quais blogueiros do mundo todo podem utilizar livremente em seus sítios sem temerem ser processados ao utilizarem material alheio.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enciclopédia mais famosa do mundo até a chegada da wikipedia era a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Enciclopédia Britannica&lt;/span&gt;. Com uma periodicidade de publicação de alguns-anos, a Britannica não pode mais competir com a dinamicidade da informação sempre atualizada da sua mais direta concorrente: a livre, on line e gratuita &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Wikipedia&lt;/span&gt;. Em um artigo publicado no dia 14 de dezembro de 2005, a revista Nature fez um estudo baseado em 42 artigos científicos escolhidos ao acaso em ambas as enciclopédias e foi capaz de identificar 162 erros na wikipedia contra 124 erros na britannica (Giles, 2005). Com mais de 3 milhões de artigos escritos em inglês e mais de 500 mil em português, a wikipedia engloba um arcabouço de informações que transforma toda nossa sociedade em um lugar de maior compreensão e intelectualidade; a despeito de alguns vieses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em artigos onde há uma certa dúvida sobre a informações ou onde as discussões seguem acaloradas, há frequentemente uma &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;etiqueta&lt;/span&gt; dizendo que a informação é controversa ou que uma referência é necessária para comprovar determinada informação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A wikipedia também se expande, já existe a &lt;a href="http://en.wikibooks.org/"&gt;wikibooks&lt;/a&gt; com várias obras completas, o &lt;a href="http://en.wiktionary.org/"&gt;wikidicionário&lt;/a&gt;, a parte da wikipedia relacionada apenas às espécies biológicas &lt;a href="http://species.wikimedia.org/"&gt;wikispecies&lt;/a&gt; e a &lt;a href="http://en.wikiquote.org/"&gt;wikiquote&lt;/a&gt; com diversas citações das mais célebres personalidades da história humana e a &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/"&gt;wikimedia commons&lt;/a&gt;, com informações publicadas nas diferentes mídias (fotografias, diagramas, mapas, vídeos, animações, música, sons, textos falados). Sempre publicamente disponíveis e gratuitas. Obras completas dos maiores pensadores da humanidade estão ali armazenadas e ao alcance de toda a humanidade, ao clique de um mouse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;== Referências ==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Jim Giles. &lt;a href="http://www.nature.com/nature/journal/v438/n7070/full/438900a.html"&gt;Internet encyclopaedias go head to head&lt;/a&gt;. Nature 438, 900-901 (15 December 2005) | doi:10.1038/438900a.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Charles Darwin @ wikipedia. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Enciclopédie @ wikipedia. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Encyclop%C3%A9die"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Encyclop%C3%A9die&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Wikipedia Main page. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4746155825064851534?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4746155825064851534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4746155825064851534&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4746155825064851534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4746155825064851534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/12/elogio-wikipedia-enciclopedia-livre.html' title='Elogio à Wikipedia (a enciclopédia livre)'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SxWA7Ujk-YI/AAAAAAAAAQQ/y-RAE-aH558/s72-c/wikipedia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5720353544625674198</id><published>2009-11-11T00:06:00.001-02:00</published><updated>2011-04-19T12:18:23.133-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divulgação científica e filosófica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>A série Cosmos, de Carl Sagan</title><content type='html'>Sinceramente chegam-me a faltar palavras para descrever quão agradecido não tenho sido -- ao longo de minha curta vida de estudos e questionamentos -- ao grande divulgador de ciência e astrônomo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Carl Edward Sagan&lt;/span&gt;. E esse agradecimento dá-se tanto pela produção de várias de suas obras de divulgação do conhecimento, à sua excelente ficção científica &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Contato&lt;/span&gt; quanto a esta série televisiva de extrema didática, perfeição e bom gosto. Tento aqui representar toda a humanidade neste agradecimento a Sagan por produzir uma sequência de filmes assim tão motivadores quanto são os da série &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cosmos&lt;/span&gt;. Sagan chega ao triunfo de conseguir ressuscitar o meu já cansado gosto e delírio pelo "fazer científico". &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Com dados históricos perfeitos, uma visão positiva e otimista, metáforas científicas deliciosas e idéias simples, arrisco-me a dizer que a série Cosmos de Carl Sagan será ainda por muito tempo a melhor série científica televisa já produzida por seres humanos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SwZlZiyr45I/AAAAAAAAAPQ/lgH0z2OUKbs/s1600/cosmos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 243px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SwZlZiyr45I/AAAAAAAAAPQ/lgH0z2OUKbs/s400/cosmos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406119892215391122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O livro Cosmos de Carl Sagan, que deu origem à melhor série televisiva que já tenha me chegado ao conhecimento. Ciência, filosofia, história da ciência, conhecimento, estética e sonho. Tudo está em Sagan, tudo está em Cosmos.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série cosmos consiste em 14 documentários de cerca de uma hora de duração produzidos entre 1978 e 1979. A série foi televisionada em 1980 em canais públicos da TV norte-americana e teve custo estimado de US$8 milhões. Ganhou diversos prêmios, como o Emmy, e segundo o sítio da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cosmos:_A_Personal_Voyage"&gt;wikipedia&lt;/a&gt;, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;a séria foi assistida em mais de 60 países por mais de 500 milhões de pessoas&lt;/span&gt; -- ou seja 8% da população mundial. Quiçá todas essas pessoas tivessem assistido com atenção e se inspirado como este blogueiro. Sagan apresenta-nos nesta série todo o arcabouço do conhecimento científico de sua época, vai da física à química e a biologia; chega à neurociência e compara a evolução do cérebro com a evolução das cidades. O físico jamais titubeia em suas afirmações e nos dá a certeza e a sensação de que gerar conhecimento é fazer a coisa certa, é melhorar a humanidade. Sagan tem uma epistemologia positivista e inaugura de certa forma o movimento racionalista e secularista que hoje engloba uma grande gama de cientistas em todo o mundo. Com uma entonação de voz que chega a ser engraçada ou parecer forçada de tão motivadora, Sagan nos apresenta as maravilhas que o questionamento honesto do mundo nos permitiu alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Físico e astrônomo de formação, Sagan participou da elaboração e idealização de vários projetos de sondas espaciais que viajaram pelo universo e nos trouxeram as mais maravilhosas fotografias sobre a identidade do universo: Marte, Júpiter, Saturno, super-novas, anãs brancas, pulsares e outras galáxias distantes; afastando-se de nós e emitindo luz no comprimento de onda do vermelho. Particularmente, os filmes 2 e 11 tratam com vigor de assuntos mais relacionados à área biológica, nos quais Sagan também trafega com exímia desenvoltura. Com exemplos dos mais impressionantes sobre pesquisas na fronteira do conhecimento científico e idéias geniais sobre questões há muito já estressadas -- como o calendário cósmico --, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sagan nos presenteia com o que de mais belo pode haver em nossa busca do saber&lt;/span&gt;. No filme 11 da série, cujo título é uma alusão ao quadro de Salvador Dali "A persistência da memória", Sagan explica o conceito de informação e viaja dos genes ao cérebro, passando pela evolução das cidades e pela invenção da imprensa. A metáfora do funcionamento e evolução das estruturas cerebrais quando comparadas à evolução da cidade de Nova Iorque é simplesmente uma das mais esclarecedoras idéias sobre a evolução do cérebro do qual eu já tenha sido apresentado -- e expande as observações que o cientista apresenta em sua obra de divulgação entitulada "Os dragões do éden".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SwZl_szD_-I/AAAAAAAAAPY/mtW4P52lMOo/s1600/sagan2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 279px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SwZl_szD_-I/AAAAAAAAAPY/mtW4P52lMOo/s400/sagan2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406120547736354786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O físico, divulgador de ciência e racionalista Carl Sagan (1934–1996). Um dos maiores cientistas do século XX, escreveu diversos livros de divulgação do conhecimento científico e influenciou toda uma geração de jovens cientistas, da qual -- sem qualquer sombra de dúvida -- este blogueiro faz parte.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino, de fato, que Sagan deve ter sido um tanto quanto influente nas esferas públicas da ciência americana e deve ter tido papéis importantes da administração da ciência de seu país por algumas décadas. Acho praticamente impossível que alguém -- mesmo Sagan -- tenha um conhecimento tão amplo de ciência sem que tenham chegado às suas mãos projetos para analisar das mais diferentes áreas da ciência natural. Nem Sagan seria tão brilhante assim para tirar tudo isso de uma cartola e acredito que muito provavelmente ele esteve envolvido na alta esfera do financiamento científico americano, julgando com eficiência os projetos mais interessantes que tenham surgido na América ao longo da segunda metade do século XX. Enfim, posso estar errado nesta colocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo já lido uma meia-dúzia das obras de Sagan, creio finalmente precisar ler o livro Cosmos para tentar apreender ainda mais detalhes interessantes sobre a história da ciência e do pensamento intelectual que Sagan nos proporciona nesta série de documentários. Sua explicação sobre a velocidade máxima possível para a luz, dentre outras idéias com relação ao paradoxo dos gêmeos e à viagens próximas à velocidade da luz, são simplesmente brilhante e me permitiram finalmente compreender vários conhecimentos que ainda tinha como nebulosos com relação à física einsteinena. Sua defesa dos Jônicos é deliciosa e conhecer a histórias de algumas personalidades da ciência também nos inunda de conhecimento e esplendor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como apaixonado pela ciência, não posso deixar de prestar meu tributo a Sagan; provavelmente o maior divulgador de ciência de todos os tempos. Parabéns, Mr. Sagan! E três vivas para a ordem existente no universo que nos apresenta ao questionamento e análise: viva o cosmos! Viva! Viva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série Cosmos pode ser toda visualizada no &lt;a href="http://www.youtube.com"&gt;YouTube&lt;/a&gt; com legendas em português. E há também outra versão do filme dublada disponível... embora seja muito mais agradável escutar a voz de Sagan com suas entonações características do que a voz monótona do dublador. Recomendo a versão em inglês. Prometo ainda voltar aqui futuramente para comentar um ou outro episódio em especial que tenha me comovido mais; e foram vários. Segue abaixo a lista dos filmes e o link para o youtube. Apenas o último filme não está legendado para o português. Boa diversão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Episódio 1: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GIYvwjFlSUA"&gt;As margens do oceano cósmico&lt;/a&gt;; "The Shores of the Cosmic Ocean"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 2: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Z7M4SS1Mcss"&gt;Uma voz na sinfonia cósmica&lt;/a&gt;; "One Voice in the Cosmic Fugue"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 3: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ku5fODEtHao"&gt;A harmonia dos mundos&lt;/a&gt;; "The Harmony of the Worlds"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 4: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=piqWJpCTASY"&gt;Céu e inferno&lt;/a&gt;; "Heaven and Hell"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 5: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=d2Wg8u9tA-Q"&gt;O planeta vermelho&lt;/a&gt;; "Blues for a Red Planet"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 6: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=h-0gmyYEV-I"&gt;A saga dos viajantes&lt;/a&gt;; "Travellers' Tales"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 7: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Hx0aBgnsNiU"&gt;O esqueleto da noite&lt;/a&gt;; "The Backbone of Night"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 8: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VU12HNL72s4"&gt;Viagens pelo tempo e espaço&lt;/a&gt;; "Journeys in Space and Time"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 9: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=l7bRP2Y_tHI"&gt;A vida das estrelas&lt;/a&gt;; "The Lives of the Stars"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 10: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wj1RDj1czxU"&gt;O limite da eternidade&lt;/a&gt;; "The Edge of Forever"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 11: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ubbzF2kqmGM"&gt;A persistência da memória&lt;/a&gt;; "The Persistence of Memory"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 12: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FgmFB8WP6m8"&gt;Enciclopédia galática&lt;/a&gt;; "Encyclopaedia Galactica"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 13: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xb87i9iTZQo"&gt;O futuro da Terra&lt;/a&gt;; "Who Speaks for Earth?"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Episódio 14: "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=k2zMa3unSN8"&gt;Ted Turner Interviews Dr. Sagan&lt;/a&gt;"&lt;br /&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5720353544625674198?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5720353544625674198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5720353544625674198&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5720353544625674198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5720353544625674198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/11/serie-cosmos-de-carl-sagan.html' title='A série Cosmos, de Carl Sagan'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SwZlZiyr45I/AAAAAAAAAPQ/lgH0z2OUKbs/s72-c/cosmos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1821099329461867021</id><published>2009-10-20T09:20:00.002-02:00</published><updated>2009-10-31T11:16:40.227-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ócio criativo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trabalho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Domenico de Masi</title><content type='html'>Domenico de Masi é um sociólogo italiano, mais conhecido por seu célebre livro "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O ócio criativo&lt;/span&gt;". Acredito que como um estudioso da sociedade contemporânea, o italiano foi capaz de criar uma teoria eficiente -- baseada na sociologia do trabalho -- capaz de explicar os dramas presentes e futuros da sociedade moderna e pregar um modelo de desenvolvimento belo, interessante e criativo para o século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/Suo8mUxn7tI/AAAAAAAAAMA/0MvWM_vmcd0/s1600-h/demasi_busto.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 336px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/Suo8mUxn7tI/AAAAAAAAAMA/0MvWM_vmcd0/s400/demasi_busto.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398193732466503378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O sociólogo italiano Domenico de Masi, autor de idéias como "O ócio criativo" e estudioso dos movimentos criativos do século XX e dos dramas trabalhistas na sociedade pós-industrial.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Tentarei resumir aqui três de suas principais idéias que considero interessantes e originais:&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O desenvolvimento da sociedade contemporânea (pós-industrial)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domenico divide a evolução de nossa sociedade em três partes, baseado sempre na principal atividade dos trabalhadores em determinada época: (i) a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sociedade pré-industrial&lt;/span&gt;, onde a maior parte dos trabalhadores trabalha no campo produzindo alimento e bens de consumo primários; (ii) a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sociedade industrial &lt;/span&gt;que veio depois da revolução industrial (início do século XIX) com a criação de maquinário e onde os trabalhadores agora trabalhavam em linhas de produção sendo responsáveis por apertar parafusos ou bater pregos [1]; (iii) e a sociedade moderna, ou pós-industrial, onde as máquinas/tecnologias fazem o trabalho duro dos operários da era industrial. Agora a maioria dos indivíduos trabalha no setor de serviços e o trabalho é mais &lt;span style="font-style:italic;"&gt;intelectual&lt;/span&gt; do que manual. Os batedores de pregos foram substituídos por trabalhadores do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tele-marketing&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora Domenico ressalte o fato de que numa sociedade industrial não se tenha acabado com os camponeses; e que numa sociedade pós-industrial ainda existam trabalhadores dando duro nas fábricas, e também no campo; o sociólogo está mais interessado na forma como a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;maioria &lt;/span&gt;dos trabalhadores da sociedade exercem seu papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele argumenta ainda que determinados países como o Brasil praticamente pularam a fase industrial e passaram quase diretamente da fase pré à pós-industrial. Dessa forma também, passamos muitoo tempo como "escravos" (leia-se consumidores) dos produtos industrializados do primeiro mundo [2]. O desenvolvimento de nossa indústria nas últimas décadas tem nos permitido uma certa independência industrial, ainda que boa parte deste capital seja estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A luta entre capitalismo e socialismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho muito interessante quando De Masi diz que a grande guerra entre modelos sociopolíticos no século XX, foi a guerra entre capitalismo e socialismo. Ele completa argumentando que o socialismo parece ter perdido a batalha quando da queda do muro de Berlim, entretanto, ele é enfático: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;o socialismo perdeu, mas o capitalismo não ganhou&lt;/span&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dez anos, De Masi já teorizava sobre a quebra do capitalismo ferrenho que com Bush parece ter tido (esperamos) seu último e amargo suspiro. O sociólogo então argumenta sobre a crise americana e diz que o império americano está em decadência. O império deles não tem um lastro social, posto que vem de uma sociedade de cerca de 200 anos cujo modelo político não é estável e divergiu em grande medida de seus ideais liberais históricos de fundação da nação americana. Domenico associa a política americana a um modelo político machista e opressor, com explorações acontecendo de forma pesada, belicosa e desumana. Uma vez tendo percebido e previsto a queda do império americano, Domenico então busca de onde poderia surgir um novo modelo sustentável de mundo. Ele argumenta em prol da feminilização do mundo e sugere que o modelo do século XXI privilegiará a compaixão, o ócio criativo e a ajuda social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este terceiro modelo a suplantar capitalismo e socialismo e substituir este modelo capitalista americano machista e opressor poderia ter vindo do mundo árabe, sugere o sociólogo. Entretanto este modelo tem as mas características do modelo americano, a saber: é belicoso, machista, opressor e ineficiente quanto o modelo político para uma sociedade de massas que precisa se desenvolver. Assim, a terceira via árabe já nasce em sua própria cova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto modelo, que De Masi acredita mais eficiente, seria o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;modelo latino&lt;/span&gt;. O latino é povo que tem uma alegria de viver apesar das dificuldades e que é um modelo alegre, inteligente, criativo e dotado de compaixão com os mais necessitados. Seria um modelo capitalista onde haveria uma ajuda eficiente aos menos capacitados e injustiçados por fatores históricos ou sociais. A sociedade precisa evoluir em conjunto e a opressão dos menos necessitados pelo modelo capitalista gera enormes problemas sociais como hoje vemos nos países em desenvolvimento. É preciso um modelo que privilegie o social e ajude das mais diversas formas possíveis, os indivíduos mais necessitados. É preciso diminuir a desigualdade para que todo o sistema avance. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domenico sugere que talvez justamente nós, o Brasil, possamos vir a ter um papel de destaque ao longo do século XXI se formos capazes de erigir um modelo novo de capitalismo com mais justiça social. O sociólogo sugere que, se encontrarmos uma fórmula eficiente para crescermos com justiça social, provavelmente esta será a fórmula a ser adotada no resto do mundo. Ele diz que o Brasil pode ser o grande líder dos países de terceiro mundo e de uma nova ordem mundial se formos capazes de fundar este novo modelo político para o alvorecer do terceiro milênio. O problema do Rio de Janeiro basicamente resume o problema do mundo inteiro no século XXI. Será que seremos capazes de resolvê-lo? Domenico ao menos parece acreditar que este novo modelo deve chegar através dos países do terceiro mundo, que precisarão crescer com saúde política e social. [3]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SupDPj-kGVI/AAAAAAAAAMI/H0W-AJyPhFE/s1600-h/lula.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 205px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SupDPj-kGVI/AAAAAAAAAMI/H0W-AJyPhFE/s320/lula.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398201037991713106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;O presidente Lula, estadista brasileiro que foi capaz de compreender que o novo capitalismo do século XXI só pode existir com mais justiça social. Herdeiro e praticante (em certos aspectos) da política sugerida por De Masi, diminuiu a desigualdade no país e tem tentado promover mais justiça social. É claro, estamos apenas no começo... uma reforma ainda maior terá de surgir ao longo dos próximos anos. [4]&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O ócio criativo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sua argumentação embasada em sua área de especialidade acadêmica, a sociologia do trabalho, Domenico agora filosofa sobre as relações de trabalho neste novo século. Primeiro, ele sugere menores jornadas de trabalho diárias e brilhantemente conclui o óbvio: com pessoas trabalhando menos horas por dia, haverá a necessidade de mais postos de trabalho e, portanto, haverão menos desempregados. Ele sugere fortemente que sejam adotados pelas sociedades trabalhos em meio-período; o que sem dúvida diminuirá a taxa de desemprego. Ele sugere também uma maneira mais livre de trabalho, que privilegie a criatividade; é a favor de horários livres de trabalho, ambientes limpos e esteticamente agradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, Domenico faz uma constatação clara: devido aos avanços da tecnologia, os seres humanos estão vivendo mais. E considerando que têm hoje uma grande sobrevida com relação ao tempo de suas aposentadorias, somado à possibilidade de trabalharem com jornadas mais curtas, ele mais uma vez brilhantemente conclui que os indivíduos do futuro terão cada vez uma quantidade maior do que chama de "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;tempo livre&lt;/span&gt;". A sociedade industrial, entretanto, educou os indivíduos para trabalhar, mas não os ensinou como gastar seus tempos-livres. Então o indivíduo aposenta-se hoje cedo e daí por diante não é mais capaz de gastar sua ainda relativa juventude e força de trabalho em algo útil, belo ou eficaz para si e para a sociedade. A sociedade industrial não disse ao trabalhador o que ele deveria fazer em seu tempo livre; nem mesmo a sociedade pós-industrial dá esse subsídio ao indíviduo que então se aposenta e vê sua vida perder todo o sentido. O trabalhador do século XX não sabe aproveitar seu tempo livre em atividades de crescimento pessoal e profissional; e a grande maioria deles morre intelectualmente quando de sua aposentadoria. E a morte intelectual parece ser normalmente acompanhada também de decaimento físico e moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso, argumenta De Masi, um novo modelo de trabalho que privilegie a criatividade e o tempo-livre. É só com o abuso do tempo-livre que o indivíduo pode ficar tranquilo e relaxado o suficiente para refletir sobre suas ações e produzir obras e trabalhos eficientes que deixem viva sua chama e gosto pelo viver e pelo saber. Ele diz que o trabalho deve ser visto como um tipo de lazer e que o indivíduo que é capaz de fazer essa mistura entre trabalho-estudo-lazer sem nem mesmo perceber está praticando o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ócio criativo&lt;/span&gt; [5].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, acredito que o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ócio criativo&lt;/span&gt; e o gosto pelo trabalho dado justamente por sua associação com o lazer certamente alavancará ainda mais aqueles indivíduos que os praticarem no século XXI. Com o excesso de informação de qualidade publicamente acessível -- principalmente através da internet -- aqueles indivíduos que tiverem o gosto pelo trabalho e correrem atrás de informação (brincando) em seus "tempos-livres" acabarão por conhecerem mais e mais sobre o mundo, tornando-se receptáculos e disseminadores ativos de informação e conhecimento. Eles farão isso porque terão gosto pelo assunto e se desenvolverão cada vez mais rapidamente em seus tópicos de trabalho-lazer, conhecendo cada vez mais-e-mais, o que certamente afetará em suas qualidades como profissional. O melhor profissional será sempre aquele que fará seu trabalho -- em grande medida -- como uma forma de satisfação e prazer. Aquele que o faz não vê hora para parar de trabalhar. Mas é preciso um trabalho aberto e livre, coisa que não parece possível ter em toda e qualquer profissão.&lt;br /&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena acompanhar as entrevistas do sociólogo Domenico de Masi ao programa Roda Viva, realizadas respectivamente nos anos de 1998 e 1999. Com uma clareza e uma força argumentativa impressionantes, Domenico defende suas idéias e esclarece as raízes de seu pensamento, falando ainda da questão do Brasil com relação ao ócio criativo e à sociedade pós-industrial. Clique &lt;a href="http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/5/entrevistados/domenico_de_masi_1998.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/30/entrevistados/domenico_de_masi_1999.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt; para acessar. As reportagens são muito boas e é possível comprar os DVDs com as versões completas da entrevista nas melhores livrarias. Faça bom proveito de seu ócio criativo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;[1] Perfeitamente ilustrada no filme de Charles Chaplin, "Tempos modernos".&lt;br /&gt;[2] É claro que o conceito demasiano de sociedade pós-industrial tem vários outros tipos de suporte teórico e empírico, porém quis passar aqui a idéia central associada justamente à forma como os indivíduos na sociedade trabalham. Creio que é justo dizer que a teoria pós-industrial de De Masi parte de um pressuposto baseado na forma como os indivíduos trabalham e -- daí, necessariamente -- a como eles gastam também seu tempo livre.&lt;br /&gt;[3] Vale notar que Domenico não chega a teorizar sobre uma sociedade orientalizada como aquela que poderia ocupar o papel de destaque numa nova ordem mundial pós-industrial neste início de século XXI. As teorias do sociólogo parecem bastante pragmáticas e parecem prever a guinada da sociedade num futuro próximo. Tenho a impressão que uma guinada para o orientalismo só aconteceria/acontecerá depois de uma nova ordem pós-industrial talvez liderada pelo capitalismo social dos países em desenvolvimento; a ordem latina pregada por De Masi ou Lula. É possível talvez prever que um modelo oriental numa linha mais filosófica, do tipo budista ou hinduísta, provavelmente acontecerá no futuro de nossa sociedade e parece estar de certa forma na evolução do conceito de respeito e busca livre do transcendente. Neste momento, entretanto, parece-me que este modelo está por outro lado associado a um autoritarismo intransigente (como visto na China) e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;talvez&lt;/span&gt; De Masi pense que alguns desses problemas ainda precisam ser corrigidos antes que se cogite seriamente uma ordem mundial do tipo orientalizada. A força do capitalismo e da corrida armamentista tecnológica e científica não parece fundir bem com as idéias zen-budistas. Mas o que se dizer do futuro? Quão errados não podemos estar?&lt;br /&gt;[4] É claro que houve problemas e corrupções. Ninguém em sã consciência defenderia qualquer político até o fim. O jogo da política envolve Sarneys e Malufs. Houve certamente, entretanto, uma melhora nas condições de vida da população mais necessitada devido à políticas públicas ativas do governo. Todos os órgãos públicos parecem ter saído fortificados do governo Lula e concursos públicos justos e bem produzidos pululam com boas oportunidades de salário e carreira profissional. As universidades e a educação superior saíram fortificadas e afastou-se o fantasma de suas privatizações que já começava a ser caso vencido no governo FHC. Hoje temos o Reuni, vagas para o Enem e o sistema de cotas sociais. Falta consertar a questão da educação básica; dentre outras questões urgentes. Enfim, demos um passo. Precisamos ainda de vários outros para "consertarmos" nosso país, pricipalmente na área da educação. Sem dúvida, entretanto, a questão de diminuir as desigualdades deve continuar como alvo das políticas públicas petistas.&lt;br /&gt;[5] Todas as postagens deste blogue são frutos de momentos de ócio criativo e talvez exemplifiquem bem o conceito demasiano.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1821099329461867021?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1821099329461867021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1821099329461867021&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1821099329461867021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1821099329461867021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/10/domenico-de-masi.html' title='Domenico de Masi'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/Suo8mUxn7tI/AAAAAAAAAMA/0MvWM_vmcd0/s72-c/demasi_busto.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-9018315237495802900</id><published>2009-09-27T13:39:00.006-03:00</published><updated>2011-07-29T02:40:59.868-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><title type='text'>Estamira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/Sr-UkO2jMLI/AAAAAAAAAJo/QaJxdx3y92M/s1600-h/estamira-poster01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/Sr-UkO2jMLI/AAAAAAAAAJo/QaJxdx3y92M/s320/estamira-poster01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386187029541499058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamira é um excelente documentário que trata da vida de uma mulher de 63 anos e que vive em um aterro sanitário próximo ao Rio de Janeiro há mais de vinte anos. Estamira parece ter uma visão bem clara e lógica dentro de sua cabeça que explica as agruras da sociedade moderna. Ela é eloquente no diálogo e não suporta argumentos crentes sobre Deus ou sobre a religião. Neta de alguém que a levou a um prostíbulo já aos 12 anos, Estamira foi casada duas vezes com homens que lhe foram infiéis; sendo mãe -- ao que parece -- de três filhos. Cansada de conviver com aqueles que chama de "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;espertos ao contrário&lt;/span&gt;", falsos e corruptores da sociedade moderna, Estamira parece ter se afastado de tudo isso e tentado uma vida mais simples. É impressionante verificar como as pessoas que vivem do lixão estão razoavelmente satisfeitas em viverem fora desta sociedade corrupta e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;incivilizada&lt;/span&gt; na qual vivemos. Ali eles ganham sua vida honestamente ao recolher e vender lixo, comem sobras do lixo da cidade e gostam de suas vidas. A filha mais nova de Estamira diz entender que a vida da mãe está ligada à vida do lixão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Trocadilo&lt;/span&gt; é a palavra que Estamira usa para designar os falsos da sociedade, aqueles que querem apenas os bônus, aqueles que "tacam a pedra e escondem a mão". Sua revolta contra essa sociedade podre me parece justificada logicamente. É incrível perceber como Estamira por vezes segue caminhos lógicos precisos para chegar em determinada conclusão baseada em sua visão de mundo. Não há como discordar dela, por vezes. E sua eloquência verborrágica nos faz, definitivamente, refletir sobre nosso lugar ao mundo e nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filha de mãe que foi internada em hospício na década de 70, Estamira é diagnosticada psicótica pelos médicos. Esta senhora está sempre a falar de um mundo visível e um invisível e não parece restar dúvidas que ela apresenta alucinações auditivas e visuais. Estamira, entretanto, mostra sua sanidade e lucidez ao conseguir separar e entender, em grande medida, o que são seus delírios e o que é a vida real. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O verdadeiro louco parece confundir delírio e realidade, o que não acontece com a protagonista deste excelente filme. &lt;/span&gt;Como ressaltado pelo diretor, esta mulher tem seu livre-arbítrio, sabe tomar suas decisões e sabe viver sua vida sozinha, ela mesma dirige-se ao centro de ajuda psicossocial da cidade e não precisa de ninguém para cuidar de si: evidência de sua mais perfeita sanidade. Ainda que em alguns pontos ela pareça ter idéias megalomaníacas, achando-se um tipo de centro do mundo e o pregadora de novas frontes de ideais aos seres humanos. Tanto isto é verdade que o diretor chegou a pensar no título: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Assim falou Estamira&lt;/span&gt;". O diretor diz ter depois recuado e preferido um título simples, o que de fato permite ao espectador tirar suas próprias conclusões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguidora da divisão cartesiana entre &lt;span style="font-style:italic;"&gt;res cogitans&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;res extensa&lt;/span&gt;, Estamira parece ter aquela visão tão comum de que a mente é separada do corpo e que, com a morte do corpo, a mente continuará viva de alguma forma. As dores que sente no corpo são como se alguém de outro lado -- eles, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;trocadilo &lt;/span&gt;-- pudessem acionar um controle remoto para ferí-la. Mas ela é forte e ela resiste, ela sabe que pode resistir ao invés de se entregar; e ela persiste, ainda que a vida seja dura, dura, dura, dura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamira é um grande exemplo de vida, pensamento e crítica social. Tendo uma certa educação, Estamira fala bem, entende como defender um argumento e revolta-se contra pensamentos que têm nos afastado da virtude, de acordo com sua filosofia racional. Quando chega, entretanto, ao ponto de explicar melhor detalhes de seu modo de pensar, Estamira fala noutro idioma, um idioma próprio e inventado, mas certamente rico em sentido. Ela não consegue colocar em palavras o que vê e sua interpretação particular dos fatos; as palavras do dicionário não cabem em seu discurso, ela precisa inventar novas palavras e conceitos para explicar sua visão de mundo tão clara. Acredito que esta visão de mundo de Estamira seja coerente dentro de si mesma, tanto quanto são as visões religiosas ou científicas do mundo. Estamira tem uma nova epistemologia, uma nova rede de conhecimento para explicar o mundo que precisa de palavras novas para ser relatada. Palavras que só ela entende, mas que podem fazer algum sentido real e interessante. Não me parecem apenas delírios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entender Estamira é, portanto, tentar entender o mundo de outro forma, doutro ponto de vista. Um ponto de vista que não vem dos dominantes, da direita ou da esquerda, de uma história de 2000 anos dominação cristã. Estamira reune tudo isso num vocabulário racional do povo, ela mata deus como Nietzsche e defende a igualdade de um comunismo ideal. Estamira está muito longe de ser uma pessoa ignorante que se esperaria encontrar num lixão. (E o mesmo vale para vários outros habitantes do lugar.) Com um conhecimento materialista e pragmático do mundo, associado a uma determinada espiritualidade mística de um mundo urbano, Estamira é um indivíduo único que, sabendo expor logicamente suas idéias, nos permite compreender a complexidade de interpretações possíveis da natureza e da sociedade. Estamira é uma teoria metafísica complexa e lógica; é um sistema lógico de crenças encarnado. Se fosse capaz de escrever tudo que vai dentro de si, talvez fosse capaz de criar um novo modelo de teologia da vida cotidiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um documentário simplesmente imperdível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais, visite: &lt;a href="http://www.estamira.com.br/"&gt;http://www.estamira.com.br/&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-9018315237495802900?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/9018315237495802900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=9018315237495802900&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9018315237495802900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9018315237495802900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/09/estamira.html' title='Estamira'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/Sr-UkO2jMLI/AAAAAAAAAJo/QaJxdx3y92M/s72-c/estamira-poster01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3309413233217798797</id><published>2009-09-19T20:55:00.011-03:00</published><updated>2010-03-30T12:04:50.933-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eugenia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evolução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Homo sapiens 1900, by Peter Cohen.</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A história da eugenia no século XX.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SrVmF0SgAUI/AAAAAAAAAJM/CMnKx2-k-hY/s1600-h/homosapiens1900.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 229px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SrVmF0SgAUI/AAAAAAAAAJM/CMnKx2-k-hY/s320/homosapiens1900.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383321179712913730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou às minhas mãos um filme excelente, produzido em 1998, sobre a história dos movimentos eugênicos no mundo. O filme de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Peter Cohen&lt;/span&gt;, "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Homo sapiens&lt;/span&gt; 1900" apresenta de forma impressionante como as ciências biológicas, ao longo do século XX, foram capazes de causar imensos problemas sociais ao serem mal interpretadas por políticos preconceituosos que acreditavam em idéias de eugenia e superioridade racial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o dicionário Houaiss, a eugenia significa&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;eugenia:&lt;br /&gt;■ substantivo feminino&lt;br /&gt;Rubrica: medicina.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;teoria que busca produzir uma seleção nas coletividades humanas, baseada em leis genéticas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Etimologia&lt;br /&gt;lat.cien. eugenia '&lt;span style="font-style:italic;"&gt;aperfeiçoamento da espécie via seleção genética e controle da reprodução&lt;/span&gt;'; ver eu- e -genia&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra, embora não pareça fazer nenhum julgamento ético explícito, informa como os movimentos de purificação de raças e a tentativa de criar um suposto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ser humano perfeito&lt;/span&gt; causaram extremas reviravoltas sociais ao longo do século XX; principalmente em países como a Alemanha, Estados Unidos, Suécia e União Soviética. Em um certo momento do filme, uma propaganda de TV na Alemanha chega a exaltar Hitler como tendo sido o primeiro grande líder da humanidade a levar a sério a ""grandiosa"" idéia da higiene racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que achei interessante no filme vem da relação entre os ideais de melhoria da raça com a teoria da evolução lamarckiana, publicada originalmente há exatamente 200 anos, no livro que abriu o mundo para o pensamento evolucionista: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Philosophie Zoologique &lt;/span&gt;(Jean-Baptiste Lamarck, 1809). Os chamados &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;lamarckistas sociais&lt;/span&gt; acreditavam que as características adquiridas pelos seres humanos ao longo da vida seriam passadas para sua prole -- a teoria da herança dos caracteres adquiridos. Assim, a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;engenharia social&lt;/span&gt; e a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;educação&lt;/span&gt; poderiam produzir, no espaço de apenas uma geração, uma nova população de seres humanos superiores, que herdariam de seus pais a inteligência e até mesmo a etiqueta. Segundo os pregadores desta idéia, a melhoria da raça aconteceria de forma rápida e veloz se ensinássemos na escola aquilo que "deveria ser ensinado". [1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme relata a ascensão do movimento eugênico na Alemanha no início do século XX -- e também na Suécia, URSS e EUA. Enquanto técnicas de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;eugenia negativa&lt;/span&gt; eram levadas a cabo através do assassinato de bebês defeituosos ou pela esterilização de humanos "menos aptos", técnicas de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;eugenia positiva&lt;/span&gt; tentavam reproduzir apenas aqueles indivíduos supostamente mais aptos [2]. Nos EUA, leis para a esterilização passaram em diversos estados e causaram a esterilização de um enorme número de imigrantes. Rapidamente o movimento eugênico foi deturpado por pensamentos racistas e um suposto ideal de pureza do povo nórdico era vendido na Alemanha, Suécia e URSS. Na União Soviética comunista, o pesquisador Hermann Muller tenta convencer o governo a adotar um sistema reprodutivo de castas, sendo que o governo seria responsável por fazer inseminações artificiais dos melhores indivíduos em mulheres, desmoronando a idéia de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;família&lt;/span&gt; e sugerindo a criação de uma suposta utopia huxleyana; um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;admirável mundo novo&lt;/span&gt;. Concursos da melhor herança, do bebê e da criança perfeitos estavam sendo feitos em todo lugar. A idéia de "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;melhoria racial&lt;/span&gt;" era expandida entre os intelectuais e institutos para a pesquisa racial com intenções de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;engenharia social&lt;/span&gt; são abertos em diversos lugares do mundo. Estudar-se-ia "as melhores características", criar-se-ia formas de identificá-las e realizar-se-ia uma limpeza racial daqueles que estivessem mais distantes do padrão definido. (A idéia do lamarckismo social atrapalhou em demasiado a evolução científica da Rússia na metade do século XX e geneticistas conhecem bem a história de Lysenko e a proibição da Rússia aos estudos genéticos que acontecia por esta época; um atraso científico de grandes proporções para a ciência deste país.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movimentos eugênicos culminaram portanto na limpeza étnica ocorrida na Alemanha nazista e, como bem se sabe, em guerras de alcance mundial. Segundo Cohen, o conhecimento de biologia que tivemos ao longo do século XX nos proporcionou uma idéia de que poderíamos controlar e modificar o processo evolutivo ""&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ao nosso favor&lt;/span&gt;"", como se soubéssemos o que a natureza estaria por nos apresentar no futuro. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um problema grave pensamento era que os ideais de perfeição foram atrelados a julgamentos morais de indivíduos que se pensavam melhores do que outros.&lt;/span&gt; Na URSS, os cérebros dos maiores intelectuais eram estudados ao tentar encontrar uma suposta matéria física para a inteligência. Enquanto na Alemanha, os ideais eugênicos estavam mais ligados à força física; não intelectual. Essa pequena discrepância nos dá indícios de que uma suposta "virtude genética" pode se apresentar de diversas formas, bastando se seu conceito de virtude estaria associado a características físicas ou mentais. E é exatamente esta &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;arbitrariedade de todo e qualquer sistema de privilégios&lt;/span&gt; que beneficie uns sobre outros que se torna também o argumento chave do filme, mostrando os horrores dos quais os humanos podem se auto-infligir em nome de ideais de "supremacia" ou a partir de nossa insistência em tentar controlar e modificar nossa própria natureza. Será o doutor Frankestein um grande gênio ou um grande vilão? Virtuoso ou desvirtuado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão que hoje se tem como chave em biologia e produzida através da observação e análise cuidadosa do mundo natural, evidenciada também por estudos evolutivos realizados a partir de uma grande quantidade de espécies de animais e plantas, é que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;uma espécie biológica é mais apta quanto mais diversa ela é&lt;/span&gt;. Assim é a diversidade que deve ser exaltada, não a reprodução de determinados tipos em detrimento a outros, mas justamente a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;mistura&lt;/span&gt; entre as raças e entre indivíduos geneticamente diferentes. Em genética de populações e melhoramento de plantas conhece-se o chamado &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;vigor do híbrido&lt;/span&gt;, que ocorre quando um indivíduo é gerado por reprodução sexuada a partir de pais oriundos de duas linhagens diferentes. Cada linhagem pura de algum organismo biológico frequentemente acumula determinadas características deletérias e o híbrido, apresentando heterozigose de uma grande quantidade de características, apresenta de repente uma grande diversidade, mostrando-se mais vigoroso e até mais apto às constantes mudanças ambientais. Se o mundo não variasse, talvez fosse mais eficiente o desenvolvimento de linhagens de organismos, mas o mundo é altamente dinâmico e não estático como querem pregar os defensores da eugenia. Uma linhagem pura de organismos biológicos, por exemplo -- sejam eles humanos ou não -- tem muito mais chance de ser susceptível a determinadas doenças ou a uma nova variedade de agentes patogênicos. Indivíduos apresentando alta diversidade genética teem mais chance de escaparem de armadilhas pregadas por patógenos sempre a competir com o hospedeiro por energia e recursos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polêmico e sombrio, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1900&lt;/span&gt; é definitivamente um filme a ser assistido e discutido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;[1] Tudo isso acontecia devido à má educação científica da população em todo o mundo e pelo desconhecimento de que a herança dos caracteres adquiridos fosse uma teoria já refutada pelo evolucionista alemão August Weismann, por volta de 1890. Weismann havia cortado o rabo de milhares de ratos e verificado que nenhuma prole oriunda deles havia dado sinais de ter diminuído o tamanho do rabo. Logo, havia uma distinção entre células somáticas e germinativas e o que acontecia ao corpo do indivíduo adulto não passava para as próximas gerações. O lamarckismo enquanto herança dos caracteres adquiridos já estava morto enquanto era utilizado para o extermínio social.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SrVpENbZnbI/AAAAAAAAAJU/smdwHZu2Oro/s1600-h/250px-August_Weismann.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SrVpENbZnbI/AAAAAAAAAJU/smdwHZu2Oro/s320/250px-August_Weismann.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383324450636275122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O evolucionista August Weismann que foi o primeiro a refutar a teoria lamarckiana da herança dos caracteres adquiridos -- da qual até mesmo Darwin titubeava. Ele criou a teoria do germoplasma, onde havia a separação entre células somáticas e germinativas e apenas modificações nessas últimas seriam herdáveis.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;[2] Foi interessante notar como a realização da eugenia positiva, ou seja, a tentativa de reprodução dos indivíduos mais aptos, chocou-se com a moral burguesa conservadora à época. Por isso, o extermínio dos menos aptos através da eugenia negativa foi realizada com mais eficácia e sem dilemas morais. A reprodução dos indivíduos mais aptos através eugenia positiva fazia com que as mulheres e homens supostamente melhores biologicamente devessem reproduzir entre si. E assim subjulgava a escolha do parceiro na reprodução e faria com que mulheres de classe alta devessem fazer sexo com indivíduos em especial para a melhoria da raça. Esse sexo para a melhoria da raça nunca deu certo e certos centros para a eugenia positiva eram habitados por moças das altas classes que haviam engravidado sem que fossem casadas... Evitar-se-ia, assim, o aborto de bebês aptos e de boa estirpe.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3309413233217798797?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3309413233217798797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3309413233217798797&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3309413233217798797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3309413233217798797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/09/homo-sapiens-1900-by-peter-cohen.html' title='Homo sapiens 1900, by Peter Cohen.'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SrVmF0SgAUI/AAAAAAAAAJM/CMnKx2-k-hY/s72-c/homosapiens1900.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-8244181457158090355</id><published>2009-04-06T04:33:00.007-03:00</published><updated>2009-04-13T20:41:30.346-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><title type='text'>The following story, by Cees Nooteboom</title><content type='html'>"A estória seguinte" ou "A próxima estória" (The following story, na tradução em inglês) é um livro do autor holandês Cees Nooteboom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SeNkwo07K6I/AAAAAAAAAHk/boK17ulZe3Y/s1600-h/following+story.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 206px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SeNkwo07K6I/AAAAAAAAAHk/boK17ulZe3Y/s320/following+story.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324209971237956514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A próxima estória" é um livro escrito em 1991 pelo holandês &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cees_Nooteboom"&gt;Cees Nooteboom&lt;/a&gt;, autor sempre cotado como candidato a nobel de literatura. A obra conta a estória de vida de um professor de línguas abordando em pano de fundo questões metafísicas e pós-modernas, onde o tempo não segue uma vertente exatamente linear. Entremeada à estória principal está a história do filósofo Sócrates, que se confunde com a vida do narrador-protagonista. Repleto de pensamentos genéricos, impressões sentimentais dos personagens sucedem-se numa atmosfera de non-sense psicológico que incitam à reflexão.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Apreciação geral&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É um dos melhores livros que li ultimamente e, se tive dificuldades em lê-lo por inteiro -- embora ele tenha apenas 100 páginas --, foi porque o livro inspirava-me constantemente. Em várias vezes em que parei meus afazeres para ter o prazer de ler esta obra de Nooteboom, não fui capaz de avançar sequer uma ou duas páginas, posto que sua maneira de escrever me inspirava e então eu me via obrigado a interromper a leitura para escrever alguma coisa. Mais do que tudo, não foi apenas o conteúdo do livro que me inspirou mas um tipo de "non-sense psicológico", como o próprio autor descreve, em que o livro é escrito e que identifico como um estilo de escrita similar ao meu (veja &lt;a href="http://chicopros.blogspot.com/2008/12/antes-do-pequeno-almoo.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://chicopros.blogspot.com/2008/10/conexo.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;), certamente melhorado. É impossível negar que o autor não tenha um estilo próprio de escrita, embora seja difícil descrevê-lo com precisão. A obra conta a vida de um professor de literatura (grego e latim) que acorda um dia num quarto em Lisboa tendo dormido em Amsterdã. E esse fato inusitado trás a ele um sem-número de lembranças e reflexões que vão transformando o livro em um tipo de auto-biografia reflexiva, apoiada num texto repleto de sinceridade argumentativa e percepções sentimentais profundas sobre o mundo e a experiência humana, em meio à realidade do cotidiano. Em uma palavra: pós-moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O romance, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;per se&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais especificamente, o livro é escrito em primeira pessoa e trata da história deste professor e quatro personagens à sua volta. Herman Mussert é professor de literatura em um colégio onde há também dois outros professores, que mantém um relacionamento amoroso. Estes professores são Maria Zeinstra e Arendt Herst. O quarto personagem consiste na aluna chamada Lisa d'India que é inteligente e linda, interessada por todas as disciplinas e cuja qual todas as pessoas na escola são apaixonadas -- exceto o protagonista, como ele faz questão de frisar. Mas diz ainda: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Toda linha de Latim que Lisa d'India tomava para o estudo começa a florir, viver, correr como um rio. Ela era um milagre e, embora eu ainda não saiba porque estou aqui, sei que isso tem alguma coisa a ver com ela&lt;/span&gt;." Embora diga que seu imperativo categórico próprio considere apaixonar-se algo proibido, Herman termina dizendo que se sente mais uma vez como fazendo parte do mundo das pessoas normais, posto que está apaixonado... por Maria Zeinstra. Para sua sorte, Lisa d'India tem um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;affair&lt;/span&gt; com seu professor de educação física, justamente Arendt Herst, o que deixa a comprometida Maria Zeinstra razoavelmente livre para também ter um outro relacionamento furtivo. Jamais fica clara na obra se Zeinstra realmente gosta dele e o ama "Vá perguntar isso para sua mãe!", ela diz em certa ocasião, ou se o utiliza de certa forma a se vingar do marido [1]. E assim, os dois casais vivem as escondidas na escola e é com Maria Z que o autor se encontra um dia, num quarto em Lisboa, enquanto Herst tem outros afazeres. Ao longo do livro, o narrador vai nos contando a estória dessas suas paixões enquanto mistura um pouco de assuntos dados em suas aulas sobre línguas, literatura e mitologia. "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O mundo é uma referência cruzada sem fim&lt;/span&gt;" e à medida que vai contando sua hi(e)stória, Herman toma para si o alter-ego do grego Sócrates. E assim o relato avança até o momento em que ele dará sua última aula antes de se aposentar. Esta última aula é dada como uma metáfora de sua própria trajetória de vida, misturada com a história da morte de Sócrates, tal como relatada por Platão. O narrador comenta, sem qualquer modéstia: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(...) eu podia, e eu o fiz aquele dia, fazer Sócrates morrer com uma dignidade que eles [os alunos] jamais esqueceriam por mais longa (ou curta) que fossem suas vidas.&lt;/span&gt;" Ao fim desta última aula, Lisa d'India está chorando pelo professor que parte. Ela permanece na sala ao final e uma discussão se inicia, discussão esta que começa pela imortalidade da alma -- outro tema recorrente no livro -- e termina com discussões sobre seus relacionamentos. Discussões estas que são interrompidas quando Maria Zeinstra adentra o recinto. Lisa então se vai, deixando para trás um livro no qual a Sra Zeinstra encontra uma carta: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;'Você pode escolher', ela diz, 'ou você fica com a carta, e neste caso você nunca mais vai me ver, não importa o que esteja escrito. Ou então eu a parto agora mesmo em mil pedacinhos.'&lt;/span&gt;" E por mais culto que fosse nosso protagonista, ele percebe: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nenhum livro que eu tenha lido me preparou para uma situação como esta."&lt;/span&gt; Enfim, ele permite que ela corte a carta em pedacinhos e, a seguir, ela parece tomar a decisão de largar definitivamente Herst para ficar o protagonista. "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;'A gente vai pra sua casa mais tarde', ela disse, 'e então eu vou ficar' (...) Ela não estava sugerindo, ela estava me avisando."&lt;/span&gt; No fim das contas, o autor volta a escola no dia seguinte apenas para encontrar Arendt Herst cheirando licor e com a barba por fazer. O professor de educação física o agride, gerando uma confusão na escola, e parte num carro com Lisa. O carro colide, Lisa morre, enquanto Arendt quebra as pernas. Depois de todo o acontecido, o autor confessa: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não, eu nunca mais ouvi falar de Maria Zeinstra e de fato, Herst e eu fomos despedidos, e o Sr e Sra Arendt Herst agora ensinam em Austin, Texas.&lt;/span&gt;" Depois disso, o protagonista nunca mais deu aulas e passou a escrever guias turísticos que muitos holandeses acham indispensáveis para suas viagens ao estrangeiro [2]. Em seguida, ele pega um cruzeiro transatlântico onde encontra personagens interessantes, com quem se identifica, a contarem suas estórias de vida. Ele jamais lhes conta sua história, deixando-a apenas para nós leitores ficarmos sabendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SeNnAMnunjI/AAAAAAAAAHs/uTK2GPVU_Jk/s1600-h/ceesNooteboom.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 257px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SeNnAMnunjI/AAAAAAAAAHs/uTK2GPVU_Jk/s320/ceesNooteboom.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324212437567577650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O poeta, novelista e escritor de guias de viagem holandês, Cees Nooteboom. Nascido em Haia, 1933, tem vários livros publicados e é vencedor de inúmeros prêmios europeus de literatura. Em "A história seguinte" o autor usa e abusa de conceitos pós-estruturalistas e desconstrutivistas, gerando uma atmosfera psicológica onde a compreensão é formada de forma difusa, porém sensível e, finalmente, brilhante.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A obra, aspecto geral&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra se inicia com o autor refletindo sobre sua identidade num quarto de hotel em Lisboa, há alusões a lugares e ruas e palavras em português. Há dois capítulos: no primeiro o autor discorre sobre Lisboa e Amsterdã e conta a maior parte de sua vida no colégio [3]. Nesta primeira parte há excessivas alusões à mitologia, clássicos da literatura, filosofia e interessantes incursões livres sobre linguagens e ensino. Tais assuntos são chamados ao texto quando em meio à estória e normalmente são interessantes e de digestão leve. O capítulo pode ser todo entendido como "reminiscências esparsas e despropositadas" da vida de um culto professor de letras, em fins de carreira. Via de regra, o autor está sempre a defender um entendimento do mundo de forma poética e literária, contra um tipo de compreensão excessivamente científica da realidade, algo que tira Maria Zeinstra do sério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no segundo capítulo, o narrador está num navio, um transatlântico que parte de Belém (Portugal) e chega em Belém (Brasil), relembrando algo cíclico, como um eterno retorno -- como aponta um dos personagens desta parte. Neste navio, embora esteja claro que estejam presentes um enorme número de pessoas, há apenas um pequeno grupo delas que de certa forma inexplicável se identificam, permanecendo juntas. Não há sequer alusões a outros membros da embarcação. O narrador revela: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Qualquer um acostumado a manter uma classe com trinta alunos sob controle aprendeu a ter uma percepção rápida. Um garoto, dois homens velhos, dois homens da minha própria idade. A mulher ali parada (...) Sabíamos de cara que pertencíamos a um mesmo grupo."&lt;/span&gt; E então o livro passa a contar sobre as estórias de vida dessas pessoas e sobre detalhes da viagem, sempre sobre uma aura de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;non-sense psicológico&lt;/span&gt; e onde o autor apresenta lembranças e pensamentos esparsos e não lógica ou temporalmente ordenados sobre sua própria vida. A parte final do romance já descrito acontece em meio a esta viagem de barco. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Meus sonhos sempre tiveram uma semelhança absurda com a realidade, como se mesmo em meus sonhos eu não pudesse criar nada de novo, mas agora as coisas aconteciam ao inverso, agora era minha vida que parecia um sonho."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"E toda noite (...) um de nós contaria sua estória, e eu os conheceria e não conheceria, e cada uma dessas estórias seria o fim de uma outra, ainda maior."&lt;/span&gt; O garoto e o padre e o espanhol e o acadêmico chinês contaram suas estórias, dia após dia. O livro termina bem ambíguo, talvez com a morte do autor, talvez com o navio ancorando talvez no Brasil, com o sujeito retornando à sua cama e fazendo uma alusão de que tudo não passou de um sonho. Ainda não sei exatamente qual a conclusão final a que cheguei e outras críticas que li na internet deixaram-me ainda mais na dúvida. Para realmente sabermos teríamos que esperar uma próxima -- e ainda maior -- estória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Citações interessantes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"A tecnologia significa pouco para mim (...) mas algumas máquinas tem uma beleza nelas próprias, ainda que eu jamais vá admitir isso em público"&lt;/span&gt; pag 13&lt;br /&gt;Aqui vem a idéia de que o poeta é um sujeito que não está ligado na tecnologia e ama o lirismo do mundo, longe do tecnologismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Isso é outra coisa que aprendi: quando as mulheres querem alguma coisa, elas são capazes de mobilizar forças que homens, apesar de sua conhecida força de vontade, não são capazes de igualar."&lt;/span&gt; pag 20&lt;br /&gt;Acredito que aqui o autor esteja fazendo um elogio à mulher e colocando-a antiteticamente como o "Outro" ou algo que ajuda a definir sua própria identidade masculina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro capítulo há a frase:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Estou feliz que os outros tenham ido embora e que eu precise contar apenas a você a minha estória, ainda que você mesmo esteja nela."&lt;/span&gt; pag 25&lt;br /&gt;Esta frase é bastante interessante e ela pode apenas ser compreendida depois que o livro tenha sido lido por inteiro, ou seja, mostra que ele não tem uma ordem cronológica perfeita ou precisamente orientada. [4] A estória de Herman não foi contada aos outros viajantes do navio e ele está feliz que eles tenham ido embora para poder agora contar-nos sua estória. A idéia de fazermos parte da estória muito provavelmente representa o fato apontado pelos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;descontrutivistas&lt;/span&gt; e pela &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crítica pós-estruturalista&lt;/span&gt; de que é o leitor que dá sentido a -- e portanto, participa ativamente de -- qualquer narrativa. Frequentemente o alter-ego de Nooteboom dialoga com o leitor tratando-o como "você" e ao longo da narrativa temos de fato uma ligeira impressão de fazermos parte da obra. Simplesmente brilhante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma página, logo abaixo, mais um tipo de paradoxo que caracteriza a literatura contemporânea e que é facilmente analisável considerando as teorias literárias do fim do século XX:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Somente a palavra escrita existe, tudo que alguém precisa fazer por si mesmo é sem forma, sujeito à contingência sem rima ou razão. Isso gasta muito tempo. E se termina mal, o mestre não está certo, e não há como cruzar as coisas. Por isso escreva, Sócrates! Mas não, não ele, e não eu também."&lt;/span&gt; pag 25&lt;br /&gt;Sabe-se muito bem que o filósofo Sócrates não deixou nenhum tipo de conhecimento escrito e tudo que se conhece sobre vem dos escritos principalmente de Platão e outros gregos da época. O autor aqui, a meu ver, mistura prosa com poesia, desiste claramente de produzir um sentido simples e claro através de sua frase e termina escrevendo seu relato e dizendo que não escreverá, um &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;paradoxo&lt;/span&gt; claro. Eis aí talvez um dos pontos altos da literatura moderna, segundo criticismo padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do narrador à Lisa d'India:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"O Latim é a essência, o Francês a idéia, Espanhol o fogo, Italiano o ar (claro que eu disse éter), Catalão a terra, e o Português é a água."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;E ela responde:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"E sobre a água e essas coisas, isso me soa um pouco gratuito, não? Não muito científico, de qualquer forma."&lt;/span&gt; pag 28&lt;br /&gt;Nesta obra cabe sempre às mulheres atiçar no protagonista e narrador o senso da ordem e do científico. O livro contém uma boa caracterização ideológica das personagens femininas e o autor sempre se apresenta a elas como sendo um ser mais lírico e sonhador do que estas. Aqui pode-se talvez dizer que o papel tradicional da mulher como frágil e sonhadora tenha sido invertido. Outra vez: pós-moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diálogo entre o autor e Maria Zeinstra:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"(...) eu perguntei: 'Cê sabe que horas são?'&lt;br /&gt;Ela apontou o grande relógio emoldurado a madeira na parede oposta, e sua face imediatamente assumiu a expressão irritada daqueles que detestam ver seu pacto sagrado com o universo sendo quebrado."&lt;/span&gt; pag 30&lt;br /&gt;Momento em que Maria Zeinstra foi mais lírica do que o narrador. Ela irrita-se por ter sido ligada novamente ao mundo da correria e dos relógios mostrando horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do autor para Maria Zeinstra, quando ela utiliza uma palavra antes desconhecida pelo protagonista -- shuttered -- para chamar a atenção de um aluno mal comportado. O narrador reflete:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Shuttered. Mas que palavra! Ainda mais quando dita desse jeito tipico do norte da Holanda. As luzes [da sala de aula] se apagaram de novo [para que o seminário continuasse], mas eu sabia então que aquela vaga emoção que ela já havia invocado em mim havia sido repentinamente promovida a amor."&lt;br /&gt;"Esta mulher está me ensinando novas palavras! Não há dúvidas sobre isso, eu a amo." &lt;/span&gt; pag 35&lt;br /&gt;Amar envolve admirar o outro de certa forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"A vida é um monte de merda que continua aumentando e aumentando, e a gente precisa carregá-lo por aí conosco até o fim."&lt;/span&gt; pag 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Ela fez uma pausa. De repente ela parecia ter quatorze anos. 'Você acredita em vida após a morte?'&lt;br /&gt;'Não', eu respondi sinceramente. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Eu não estou nem mesmo certo de que existimos, &lt;/span&gt;deu vontade de dizer, e então eu fui e disse. &lt;br /&gt;'Ah, sai dessa.' E isso soou muito norte-holandês. Mas de repente ela me pegou pelas lapelas.&lt;br /&gt;'Vamos tomar um drink.'"&lt;/span&gt; pag 43&lt;br /&gt;Destaque em negrito feito por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Algumas discussões finais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação à crítica psico-analítica do texto, é interessante notar como às vezes a personagem de Zeinstra confunde-se com a personagem de Lisa d'India, ao que parece, na memória difusa do narrador. A idéia de que sua vida agora parecia um sonho é perfeitamente compreensível pelo surrealismo do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também interessante notar que mesmo tendo convivido com Zeinstra, Lisa e Herst há tanto tempo e -- tendo partido em viagem transatlântica sabe-se lá quanto tempo depois de tudo ter acontecido --, a memória do que viveu e as coisas que pensa quando está aqui ou ali estão sempre voltando a tratar dessas pessoas que foram importantes em sua vida. Referências cruzadas da biografia de um personagem inexistente. Isso leva-me também à reflexão de que as pessoas com as quais vivemos jamais de fato morrem ou desaparecem de nossas vidas, posto que sempre há algo que nos irá fazer lembrar delas de alguma forma. Elas estarão participando de nossas vidas. A nossa própria vida não é nada que senão uma referência indireta à vida daqueles que amamos e que representam muito para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;I can't stand daylight.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;[1] Frase encaixada depois de ler uma outra crítica da obra, por &lt;a href="http://www.conversationalreading.com/2007/03/friday_column_t.html"&gt;Scott Esposito&lt;/a&gt;. Isso fica claro no livro e eu não havia comentado nesta postagem.&lt;br /&gt;[2] Como o verdadeiro autor também escreve guias, resta a dúvida sobre o quanto do relato não será auto-biográfico. E pensando literariamente: quais os limites entre autor e personagem em uma obra explicitamente auto-biográfica ou outra que não se pretende assim. Qual a parcela de auto-biografia de todo o relato? Alguma vez conseguiremos ser ainda que um pouco imparciais ao escrever um livro, ou principalmente, ao escrever-mo-los em primeira pessoa? Por que é mais difícil escrever uma obra de ficção em primeira pessoa do que em terceira? Para nos dar a precisa imagem do personagem, não precisa ser o autor, um ator? Não precisará transformar-se no personagem para se fazer crível? (Sobre este assunto dá-me agora um pouco de medo do João Ubaldo à época em que ele escreveu "O diário do farol")&lt;br /&gt;[3] Outra &lt;a href="http://www.complete-review.com/reviews/nootec/following.htm"&gt;crítica&lt;/a&gt; diz que as duas partes do livro consistem provavelmente nos dois últimos segundos de vida do narrador e que isso soa plausível. É fato que a questão da morte está relacionada ao fim do livro e que às vezes se tenha a impressão de que a garota que o espera esteja de um "outro lado da vida". Mas não penso que isso fique claro e acho que a teoria dos dois segundos é assaz especulativa e não me transparece em absoluto na leitura da obra. De fato, é uma discussão irrelevante.&lt;br /&gt;[4] Scott Esposito, em sua crítica encontrada em [1] diz exatamente que o livro deve ser lido e relido. Confesso que comecei a escrever esta postagem quando havia terminado de ler o livro, mas cheguei praticamente a relê-lo inteiro para terminá-la (enquanto estive de férias na Tunísia) e ainda voltei nele algumas vezes para tentar clarear melhor esta postagem.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-8244181457158090355?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/8244181457158090355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=8244181457158090355&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8244181457158090355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8244181457158090355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/04/following-story-by-cees-nooteboom.html' title='The following story, by Cees Nooteboom'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SeNkwo07K6I/AAAAAAAAAHk/boK17ulZe3Y/s72-c/following+story.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4395873961614710773</id><published>2009-03-24T08:23:00.011-03:00</published><updated>2010-05-26T18:10:38.143-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><title type='text'>Hélène Cixous e a crítica literária feminista</title><content type='html'>Já faz algum tempo que estou lendo -- dentre diversos outros -- um livro entitulado "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Beginning theory: an introduction to literary and cultural theory&lt;/span&gt;" [1]. Este ótimo livro de introdução à &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;teoria crítica e literária&lt;/span&gt; é escrito por Peter Barry -- professor de Inglês e Literatura na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;University of Wales&lt;/span&gt; (UK). Basicamente é uma obra de estudo de literatura que apresenta as principais correntes da crítica literária de uma forma clara e direta, bastante didática. Tenho aprendido muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/ScvTVvCi60I/AAAAAAAAAHM/pfxDKCpl2xc/s1600-h/beginningTheory.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/ScvTVvCi60I/AAAAAAAAAHM/pfxDKCpl2xc/s320/beginningTheory.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317576155398859586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Beginning Theory, de Peter Barry: excelente livro introdutório sobre teoria e crítica literária e cultural.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda voltarei aqui oportunamente para comentar melhor sobre este livro, porém o que me trouxe a esta postagem foi a leitura do capítulo sobre a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;crítica feminista&lt;/span&gt; na literatura. Ao ler o Capítulo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;6&lt;/span&gt; do livro de Barry, fiquei interessado e fui procurar saber mais, o que me levou aos textos de algumas escritoras feministas que encontrei na internet e em outra obra sobre estudos literários [2]. Farei aqui, portanto, uma pequena introdução sobre a crítica literária feminista. A seguir, citarei e comentarei alguns trechos do texto "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Conversations&lt;/span&gt;"[3] que tive o imenso prazer de ler -- texto este originado a partir de uma palestra ministrada pela da escritora, poeta e crítica literária algeriana &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9l%C3%A8ne_Cixous"&gt;Hélène Cixous&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A crítica literária feminista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo tanto quanto possível um tema assim tão amplo, poderia dizer que a crítica feminista basicamente consiste na argumentação de que a grande maioria dos grandes textos da cultura ocidental foram escritos por homens e apresentam uma visão enviesada do mundo a partir de um ponto de vista masculino. Além disso, tais textos célebres normalmente apresentam a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mulher-como-objeto&lt;/span&gt; ou a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mulher-como-o-outro&lt;/span&gt;. Josephine Donovan faz uma crítica severa: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;se refletirmos [sobre o papel da mulher na literatura e cinema] percebemos que a mulher é usada esteticamente como se tivesse o mesmo nível de importância moral que a decoração vermelha dos arredores...&lt;/span&gt;" [4]. Segundo a autora, as mulheres são apresentadas nas grandes obras literárias -- como no Fausto, de Goethe -- apenas como veículos para o crescimento ou salvação do protagonista masculino; e suas idéias são apresentadas apenas quando elas se relacionam, servem ou se opõem aos interesses do protagonista. Assim, a crítica feminista busca compreender a relação da mulher na literatura enquanto escritora -- ao resgatar textos de escritoras do passado -- como enquanto leitora, ao identificar exatamente este machismo presente nos textos literários [5]. Outra discussão bastante comum entre os círculos feministas consiste na distinção entre os termos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;feminista &lt;/span&gt;(posição política), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;fêmea &lt;/span&gt;(questão biológica) e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;feminino &lt;/span&gt;(conjunto culturalmente pré-definido de características) [1]. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Outra questão importante na crítica feminista está relacionada à questão do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;essencialismo&lt;/span&gt;. Será que há algo coisa dentro da "alma feminina" que lhe é particular e que, dessa forma, só uma mulher poderia escrever? O essencialista diria que sim e diriam que existe algo que os críticos franceses chamam de uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;écriture feminine&lt;/span&gt;. Com relação a este aspecto, Hélène Cixous argumenta que a linguagem é uma tradução e que qualquer escritor fala &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;através do corpo&lt;/span&gt; [3]. Como os corpos das mulheres são diferentes dos corpos masculinos, logo sua literatura também será diferente. É uma questão discutível o quanto os homens podem adentrar esse meio, e vice-versa. Essa questão sobre o essencialismo leva-me também a pensar numa possível área da crítica literária que poderia ser batizada de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crítica biológica&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crítica darwinista&lt;/span&gt;. Biologicamente falando, a diferença entre homens e mulheres existe e -- embora existam certamente exceções e interseções -- há de se pensar que as mulheres escreverão de uma forma mais feminina enquanto homens terão uma forma masculinizada de escrita. É provável que certos homens sejam capazes de escrever como mulheres e vice-versa, mas acredito que muitas vezes haverá diferença distinguível em forma e conteúdo -- o que faz de mim um essencialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/ScvTdEfewqI/AAAAAAAAAHU/Vz5rR-uBsic/s1600-h/helene_cixoux.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 187px; height: 265px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/ScvTdEfewqI/AAAAAAAAAHU/Vz5rR-uBsic/s320/helene_cixoux.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317576281416450722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hélène Cixous é professora, escritora, poeta, ensaista, filósofa e crítica literária. Nascida na Algéria, em 1937, escreve em francês. Seus trabalhos são normalmente vistos como relacionados aos de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jacques Derrida&lt;/span&gt;, célebre defensor do movimento pós-estruturalista e desconstrutivista.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Dessa forma é interessante notar o importante papel da crítica literária feminista ao apontar com clareza as bases ideológicas de textos clássicos que seriam teoricamente neutros, com relação ao gênero. Assim, identifica-se a extensão do machismo e da cultura patriarcal em obras literárias/culturais e sabe-se mais sobre o homem e sobre a evolução de nossa cultura. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Finalmente, vale comentar aqui sobre a crítica lésbica/gay que realiza uma crítica literária semelhante à crítica feminista. No lugar entretanto onde a crítica feminista cuida dos desvios do texto com relação ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;gênero&lt;/span&gt;, a crítica lésbica/gay cuida da questão da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sexualidade&lt;/span&gt;, identificando como os textos célebres da cultura ocidental estão enviesados em prol de um comportamento e visão heterossexuais -- é disso que trata o Capítulo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;7&lt;/span&gt; do livro de Barry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Hélène Cixous&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi portanto a partir deste livro [1] que cheguei ao texto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Conversations&lt;/span&gt;", de Hélène Cixous. Nesta obra, a autora fala de uma forma que considero bastante feminina e sensível sobre as características de um texto literário. Este é um texto, por exemplo, que eu acharia difícil ter sido escrito por um homem, posto que mostra tanto (i) extrema razão quanto (ii) a mais pura sensibilidade. Cito-a [3] em tradução livre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;"(...) [Um texto] sempre diz algo além do que ele pretende dizer. Um texto é sempre mais do que o autor deseja expressar ou acredita que ele/a expressa."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Aqui a autora mostra uma opinião partilhada pelos estruturalistas e desconstrutivistas sobre a mensagem contida em qualquer texto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;"A maldição bíblica [falando da Torre de Babel] diria que a multiplicidade de linguagens presta ao homem um desserviço, mas eu vejo como uma benção estar no meio de tantos idiomas. Porque diferentes línguas dizem diferentes coisas. E nossa coletividade múltipla faz tais diferenças -- um enriquecimento infinito -- aparentes para nós."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Compartilho totalmente a opinião da autora e estou sempre querendo aprender mais e mais línguas para me enriquecer cada vez mais. Nossas línguas são expressões das mais puras de nossas culturas e compreender uma língua e a forma como ela é utilizada é participar de uma experiência cultural humana. Saber idiomas é conhecer povos e formas de pensamento diferentes. Quanto mais línguas se sabe, mais se sabe sobre o ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;"Tudo começa com o amor. Se trabalhamos com um texto que não amamos, estamos indo automaticamente na direção errada. (...) Eu escolho trabalhar com textos que 'me tocam'."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"[Quando estudamos um texto] Não estamos procurando pelo autor (...), estamos procurando o segredo da criação, o mesmo processo de criação que cada um de nós está constantemente envolvido no processo de nossas vidas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ainda que nossos textos carreguem em seus corpos, em suas carnes, as marcas do gênero que nos foi dado ao nascimento, ele necessariamente situa-se além de tais questões. Eu não acredito que os homens e as mulheres sejam idênticos. O fato de que homens e mulheres tenham toda a humanidade em comum e que ao mesmo tempo haja algo ligeiramente diferente, eu considero uma benção. Nossos corpos têm a ver com a forma na qual experimentamos o prazer, com nossas experiências corporais, que não são as mesmas. A forma como fazemos amor -- por que é diferente -- produz diferentes sensações e recordações. E essas coisas são passadas através dos textos. Eu não entendo o que as pessoas dizem quando tentam me convencer que tais diferenças não existem."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Aqui a questão relacionada ao essencialismo do feminino é abordada clara e diretamente. Posto desta forma, é praticamente impossível discordar da argumentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;"Quando leio, o que me move é tentar encontrar uma nova imagem, uma nova forma de dizer a mais antiga e eterna das idéias. É a novidade na expressão que é extraordinária e que valoriza a incrível riqueza da imaginação humana."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Aqui eu acrescentaria que, embora possa concordar que a forma de dizer é extremamente importante, acredito que também é importante a articulação de novas idéias e acho que idéias novas surgem a todo instante. Entretanto está claro que uma nova idéia precisa de um meio eficiente e acessível para ser passada aos outros seres humanos. A forma, a lógica e o desenvolvimento de um texto são bastante importantes para a compreensão e para que sejamos tocados por sua beleza estética e sua organicidade, indescritível em palavras. Como é o caso deste texto inspirador de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Madame Cixous&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale notar, finalmente, que Cixous foi uma constante adoradora, divulgadora e crítica direta de nossa amada &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;. E é justamente este essencialismo feminino que marca de forma categórica os textos de Clarice, escritos orgânicos e sentimentais que captam de forma ampla e abrangente as angústias do sentimento de humanidade e as inquietações existenciais às quais nos vemos passando dia após dia. Cixous segue a mesma linha de Clarice e nos apresenta uma escritura feminina em forma pura, delicada e grandiosa. Todas essas questões me tocaram particularmente durante a leitura do livro de Barry -- que também apresenta vários outros capítulos interessantes -- e me trouxeram aqui a exaltar as belezas e os encantos da literatura feminina. Fico devendo aos leitores relatos e críticas mais específicos sobre diversas obras de Clarice Lispector que sempre me maravilharam ao extremo e que uso constantemente para presentear pessoas queridas: mulheres é claro, posto não estou bem certo se os homens conseguem entendê-la em sua plenitude e complexidade orgânica. ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Barry, Peter. Beginning theory: an introduction to literary and cultural theory. 2nd ed (2002). Manchester University Press.&lt;br /&gt;[2] Newton, K.M. (ed) &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Twentieth-century Literary Theory&lt;/span&gt;: A reader. 2nd edition. Palgrave Macmillan.&lt;br /&gt;[3] Cixous, Hélène. Conversations. In: Newton, KM (1997). Reprinte from Writing Differences: readings from the seminar of Hélène Cixous, ed Susan Sellers (milton Keynes, 1988), pp. 142-54.&lt;br /&gt;[4] Donovan, Josephine. Beyond the net: Feminist cristicism as moral criticism. In: Newton, KM (1997). Reprinted from Dever Quarterly, 17 (1983), 40-53.&lt;br /&gt;[5] Showalter, Elaine. Towards a feminist poetics. In: Newton, KM (1997). Reprinted from Women writing and writing about women, Ed. Mary Jacobus (London, 1979), pp.25-40.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4395873961614710773?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4395873961614710773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4395873961614710773&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4395873961614710773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4395873961614710773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/03/helene-cixous-e-critica-literaria.html' title='Hélène Cixous e a crítica literária feminista'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/ScvTVvCi60I/AAAAAAAAAHM/pfxDKCpl2xc/s72-c/beginningTheory.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3820877422264674668</id><published>2009-03-07T04:03:00.000-03:00</published><updated>2009-03-07T05:42:26.834-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Filosofia, um guia para a felicidade -- Alain de Botton</title><content type='html'>Venho também de assistir uma série de documentários um tanto quanto interessantes sobre algo que gosto de chamar &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;divulgação filosófica&lt;/span&gt;, como um paralelo à de certa forma já aclamada &lt;span style="font-style:italic;"&gt;divulgação científica&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SbImWOU3xJI/AAAAAAAAAG8/nmJRnxVtkGM/s1600-h/Phylosophy_GuideToHapiness.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 280px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SbImWOU3xJI/AAAAAAAAAG8/nmJRnxVtkGM/s320/Phylosophy_GuideToHapiness.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310349073867850898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Elaborado pelo escritor e produtor de televisão inglês &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alain_de_Botton"&gt;Alain de Botton&lt;/a&gt;, o documentário &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Filosofia -- Um guia para a felicidade&lt;/span&gt; (no original inglês, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Philosophy, a guide to happiness&lt;/span&gt;) consiste em um tipo de apresentação e divulgação de idéias dos grandes filósofos ocidentais para um público leigo.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada uma das seis partes, o produtor aborda o pensamento de algum filósofo escolhido a dedo ao focar em determinado aspecto dentro de sua corrente de pensamento. Foram assim escolhidos aspectos que podem influenciar diretamente na mudança de determinadas atitudes cotidianas de cada um. A idéia geral do documentário é simplesmente mostrar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;como a filosofia pode servir de base para que as pessoas passem a questionar certos valores sociais rigidamente estabelecidos e, assim, serem capazes de suportar melhor as agruras do dia-a-dia&lt;/span&gt; -- das quais todos estamos sujeitos. Botton então apresenta parte da história de vida um filósofo diferente em cada episódio, ressaltando a idéia que deseja apresentar. Por vezes, ele também apresenta casos de indivíduos "normais" (ingleses) cuja vida foi ou pode vir a ser afetada diretamente por tais idéias. Os seis episódios tratam de:&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-2rsiER-OnU&amp;playnext_from=PL&amp;feature=PlayList&amp;p=063545F7D9A752E4&amp;index=0"&gt;Sócrates e a auto-confiança&lt;/a&gt;: não seja um maria-vai-com-as-outras, apresente e acredite em suas idéias! (****)&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=20LTTRQcZ8c&amp;playnext_from=PL&amp;feature=PlayList&amp;p=063545F7D9A752E4&amp;index=3"&gt;Epicuro e a felicidade&lt;/a&gt;: a felicidade é algo que vai muito longe do dinheiro. (**)&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hJ0g7IKWG7E&amp;playnext_from=PL&amp;feature=PlayList&amp;p=063545F7D9A752E4&amp;index=6"&gt;Seneca e a raiva&lt;/a&gt;: enraivecer-se não adianta nada, é melhor encarar a vida com calma e fazer o que for preciso para melhorá-la. (***)&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zrSCoG2GY1M&amp;playnext_from=PL&amp;feature=PlayList&amp;p=063545F7D9A752E4&amp;index=9"&gt;Montaigne e a auto-estima&lt;/a&gt;: não devemos acreditar nos valores dos outros e sim criarmos os nossos próprios. (****)&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NeFQsF-umH0&amp;playnext_from=PL&amp;feature=PlayList&amp;p=063545F7D9A752E4&amp;index=12"&gt;Schopenhauer e o amor&lt;/a&gt;: o amor vem do instinto reprodutivo de nossa espécie. (**)&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3pilLBcdSMI&amp;playnext_from=PL&amp;feature=PlayList&amp;p=063545F7D9A752E4&amp;index=15"&gt;Nietszche e o sofrimento&lt;/a&gt;: devemos utilizar nossas frustrações como desafios a serem superados. Não afoguemos as mágoas, utilizemos a força da infelicidade para nos jogar à frente. (***)&lt;br&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;* As estrelas se referem à minha apreciação pessoal sobre cada um dos episódios.&lt;/span&gt;&lt;/ol&gt; &lt;br /&gt;No primeiro documentário da série, Botton remonta aos primórdios da filosofia ocidental com o grego Sócrates e reforça o argumento socrático de que as pessoas devem confiar naquilo que pensam ao invés de seguirem os pensamentos alheios como que num rebanho. A meu ver, este é um dos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;mais inspiradores&lt;/span&gt; documentários da série, uma vez que vai &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;contra a cultura de massas&lt;/span&gt; que é talvez o grande problema da sociedade contemporânea [1]. Não obstante, ouso discordar aqui tanto de Sócrates quanto de Botton quando eles comparam a cultura de massas com a democracia, fazendo assim uma crítica ao movimento democrático por pensarem-no massificado. Sou um defensor ardoroso da democracia e acho que ela é o melhor sistema de governo possível [2], ainda que não seja perfeito. Sei que é possível ter uma democracia funcionante sem que ela herde os problemas existentes nas culturas de massas [3]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SbImhH9IFuI/AAAAAAAAAHE/YVJXFpxxD7Y/s1600-h/de_botton_alain.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 211px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SbImhH9IFuI/AAAAAAAAAHE/YVJXFpxxD7Y/s320/de_botton_alain.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310349261136205538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alain de Botton é historiador pela universidade de Cambrige (UK) e mestre em filosofia, além de escritor e produtor de programas de TV. A crítica discreta que faz ao diretor de um dos Colleges de Cambridge é simplesmente admirável: não é um título numa universidade que faz de alguém uma pessoa virtuosa (episódio 4 sobre Montaigne).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora alguns dos documentários tenham um formato excessivamente popular e cheirem à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cultura do entretenimento&lt;/span&gt; -- não aprofundando ou enfatizando suficientemente nas idéias filosóficos e em suas implicações sociais --, há também episódios bastante iluminadores e muito bem desenvolvidos. Sem dúvida, o exercício de Botton é bastante válido e a série vale a pena ser vista por todos. Principalmente porque esta é a primeira vez que me deparo com uma tentativa séria de divulgação filosófica para fazer acordar as massas e isto é, sem dúvida, algo que precisa ser urgentemente incentivado pelos governos, em todo o mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim, por introduzir e despertar o gosto do público (você e eu também incluídos) pela filosofia e pelos filósofos narrados, esta série de documentários divertidos, leves e agradáveis vale a pena ser assistida. Um excelente trabalho de divulgação filosófica; sugiro aos professores de todo o Brasil para apresentarem-no como recurso didático para estimular alunos do ensino fundamental e médio. Boa diversão (filosófica)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;[1] Percebe-se ainda que a cultura de massas já era um problema até na Atenas pré Jesus Cristo e desde aquela época já existiam os que se levantam contra ela. &lt;br /&gt;[2] Aqui falo da democracia como melhor forma de governo num sentido realístico e pragmático. O melhor governo possível seria mesmo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;nenhum governo&lt;/span&gt;. Mas esta, infelizmente, não me parece ser uma alternativa viável. Consigo vislumbrar o anarquismo como forma de governo apenas numa sociedade com indivíduos responsáveis socialmente e altamente educados. Desta forma, estamos ainda muito longe de chegarmos a este ponto.&lt;br /&gt;[3] Vide governos modernos na Europa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PS: Versões em inglês existem no YouTube.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3820877422264674668?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3820877422264674668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3820877422264674668&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3820877422264674668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3820877422264674668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/03/filosofia-um-guia-para-felicidade-alain.html' title='Filosofia, um guia para a felicidade -- Alain de Botton'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SbImWOU3xJI/AAAAAAAAAG8/nmJRnxVtkGM/s72-c/Phylosophy_GuideToHapiness.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1093208451940385907</id><published>2009-02-27T07:07:00.011-03:00</published><updated>2010-02-26T20:35:57.424-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>This is your brain on music, de Daniel Levitin</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Seu cérebro musical&lt;/span&gt;" -- em tradução livre --, é o livro do músico e cientista cognitivo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Levitin"&gt;Daniel Levitin&lt;/a&gt;. Nesta obra, o autor descreve as bases neurológicas da nossa apreciação musical ao discorrer sobre os mais modernos estudos feitos sobre a relação entre o cérebro/mente e a música. Recomendado para qualquer interessado em música ou cognição -- e ainda duplamente recomendado para aqueles que, assim como eu, possuem ambos os interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahI-SxzFwI/AAAAAAAAAGc/nxZJOpBBJ24/s1600-h/brainonmusic.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahI-SxzFwI/AAAAAAAAAGc/nxZJOpBBJ24/s320/brainonmusic.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307572395885926146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1888337&amp;sid=30797714511115356907918067&amp;k5=82EB288&amp;uid="&gt;This is your brain on music&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;", de Daniel Levitin. Excelente livro ligando teorias cognitivas e neurologia ao nosso gosto e apreciação e técnica musical. Recomendando para interessados por música, cognição e ciência. &lt;br /&gt;* "Seu cérebro musical" infelizmente ainda não tem tradução para o português brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O autor inicia a obra a descrever alguns fundamentos básicos da música ocidental para o não-iniciado. O livro está sempre retornando e ensinando teoria musical ao longo de suas descrições sobre como se dá a apreciação musical pelos seres humanos. É interessante observar que o autor é um apreciador também da história do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;rock and roll&lt;/span&gt; e, portanto, sempre apresenta exemplos que remontam à músicas e bandas famosas, conhecidas por um grande público -- tornando seu argumento claro e facilmente acessível. Ao analisar canções ou a forma de tocar de bandas célebres, evidencia o que uma ou outra elas têm de especial e que as faz particularmente atrativas a um grande público. Com um conhecimento interessante sobre a história da música ocidental, Levitin chega a afirmar que: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"O rock and roll pode ser encarado com a etapa final de um revolução musical que durou milênios e que deu às quartas e quintas perfeitas uma proeminência em música que havia sido dada anteriormente apenas ao intervalo de oitava."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Outro conceito importante que apreendi na leitura de "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Seu cérebro musical&lt;/span&gt;" vem do fato de que nosso cérebro evoluiu de certa maneira a apresentar algum tipo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;expectativa musical&lt;/span&gt;. Tal expectativa está relacionada à ordem que as notas soam em uma sequência harmônica e é interessante notar como o nosso "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;sistema sensorial pode restaurar informações faltantes que podem nos ajudar a tomar decisões rápidas em situações de risco&lt;/span&gt;". Da mesma forma como na figura abaixo temos uma ilusão de óptica ao vermos um triângulo que não está desenhado, temos também ilusões auditivas -- e quando uma sequência harmônica é tocada sem uma nota, nosso cérebro automaticamente a adiciona sem que nos demos conta disso, a completar a nota faltante e criar uma alucinação sonora. E é exatamente na modulação desta expectativa -- indo às vezes à favor e às vezes contra ela -- que identificamos os grandes compositores a trabalharem com os sons e, por conseguinte, com nossas emoções ao escutá-las. Levitin postula claramente: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A formação e então a manipulação de expectativas está no coração da música e é realizada de um número incontável de maneiras.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahJU1R85OI/AAAAAAAAAGs/2JO7tmTUjmU/s1600-h/triangle.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 285px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahJU1R85OI/AAAAAAAAAGs/2JO7tmTUjmU/s320/triangle.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307572783104713954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;De forma a criar uma ilusão de óptica, nosso cérebro nos permite ver um triângulo, na figura, que não existe. Levitin mostra que da mesma forma que temos ilusões ópticas, temos também ilusões auditivas e sonoras, onde nosso cérebro "escuta" algo que não foi tocado. Uma dessas ilusões é exemplificada na música dos Beatles "Lady Madonna", onde temos a impressão de escutarmos saxofones numa parte da canção onde eles não estão presentes.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Segundo autor, um ponto relevante sobre a diferença entre a música e outros tipos de arte reside no fato de que a música é manifestada através do tempo e consiste na repetição de padrões agradáveis ao ouvido. Em seguida, mostra como o estudo da música pode ser feito -- com bases neurológicas -- através de medições de eletroencefalogramas (EEGs) ou de áreas de concentração de oxigênio no cérebro (fMRI). Tais padrões elétricos ou de consumo de oxigênio mostram aos neurologistas quais são as partes do cérebro que estão ativas quando nos lembramos de alguma música ou quando as escutamos ou tocamos. E, incrivelmente, a música é um tipo de conhecimento que trabalha um enorme número de componentes cerebrais diferentes, dos mais evolutivamente antigos (como o cerebelo) aos mais modernos e complexos (como o complexo pré-frontal). Interessantemente, a partir de um padrão de eletroencefalograma é impossível saber se uma pessoa está de fato escutando uma canção ou se lembrando dela: as regiões ativas no cérebro são exatamente as mesmas!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O autor também ressalta o fato de que a música consiste num conhecimento bastante relativo e mostra, através de experimentos, que seres humanos reconhecem diferentes músicas ainda que elas sejam tocadas em tons, tempos ou timbres completamente diferentes da versão original. Ainda assim, ele ressalta que um ser humano "normal" normalmente canta uma música que conhece num tom bem próximo do original em que ela tenha sido gravada. Levitin observa que, por exemplo, durante uma festa de aniversário, as pessoas normalmente cantam o "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;parabéns pra você&lt;/span&gt;" simplesmente no tom utilizado pela primeira pessoa que começa a cantá-la, já que não há um "tom original" para esta canção. Apresenta ainda evidências de como nosso senso musical é apurado e como ser humano médio tem uma boa apreensão do som, embora apenas alguns tenha realmente o chamado "ouvido perfeito" (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;absolute pitch&lt;/span&gt;). Ressalta ainda que apenas na cultura ocidental é que criou-se um tipo de mitificação do músico e que em outra sociedades é simplesmente natural que todos cantem e sintam-se musicais de uma certa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Uma discussão relativamente acadêmica da área de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;neurologia musical&lt;/span&gt; é discutida e está justamente relacionada à discussão sobre o fato da nossa memória guardar uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;informação absoluta ou relativa&lt;/span&gt; sobre as músicas que escutamos. O fato de lembrarmos normalmente as músicas em seu tempo e notas originais é evidência do armazenamento absoluto; enquanto o fato de que reconhecemo-nas mesmo quando fora dos padrões originais, evidencia o armazenamento relativo. Ao longo do livro, Levitin apresenta evidências reforçando um ou outro lado da discussão, embora em certo ponto diga que o novo consenso que se emerge consiste no fato de que a teoria de representação musical moderna do cérebro deve ser entendida como híbrida entre essas duas teorias originais -- que ele chama de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;multiple-trace memory model&lt;/span&gt;: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;estamos gravando tanto informações abstratas e específicas contidas nas melodias&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Outra questão que acho particularmente interessante está relacionada à nossa classificação musical. E assim, Daniel pergunta: o que um som deve ter para que o classifiquemos como blues?, ou rock?, ou jazz? E assim ele entra no problema de categorização, remontando ao problema dos jogos wittgensteinianos, evidenciando que nossa classificação depende de um contexto social e que as categorias classificatórias não têm limites precisos, porém bordas não muito claras e de certa forma sobreponíveis ('&lt;span style="font-style:italic;"&gt;fuzzy&lt;/span&gt;' seria o termo técnico, em inglês). Além disso, ele mostra que podemos facilmente criar novas categorias musicais a partir do nada -- podemos caracterizar um novo som, por exemplo, como bossa-funk -- bastando para isso que este ritmo soe-nos como intermediário entre os conceitos que já formamos anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ao discorrer sobre o que faz de um músico (Capítulo 7: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;What makes a musician?&lt;/span&gt;), o autor apresenta a teoria das 10.000 horas de prática. Reconhecendo evidentemente que a proficiência é um valor medido pela sociedade, o autor apresenta a teoria de que é possível se tornar um especialista em qualquer área que se deseje após 10.000 de práticas neste assunto particular. (Isso quer dizer 10 anos, se você praticar três horas por dia.) Embora esteja claro também que há uma variação pessoal com relação à aprendizagem de determinadas tarefas por diferentes pessoas -- há uma variação genética e cultural que nos deixa mais ou menos aptos a realizar certas tarefas. O verdadeiro músico é que aquele, segundo Levitin, que não pensa na teoria quando está tocando, mas que simplesmente realiza uma performance de forma a criar uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;experiência sonora&lt;/span&gt; ao público. O autor cria o conceito de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;fonogênico&lt;/span&gt; que é paralelo ao fotogênico, porém de uma maneira sonora. E diz ser impossível "tirar os ouvidos" da voz de Sting, da guitarra de Clapton ou do trompete de Miles Davis posto que "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;uma força invisível nos guia em direção a eles&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O oitavo capítulo trata sobre a aquisição de nosso gosto musical durante nosso desenvolvimento. De acordo com grande parte das teorias cognitivas, está claro que aprendemos qualquer coisa de forma mais efetiva quando ela nos chega quando crianças, devido a uma maior plasticidade neuronal observada nessa idade. Diz-se que Mozart compôs a primeira sinfonia com oito anos; e diz-se também que seu pai era um dos melhores professores de música em toda Europa à época. Teoriza também sobre o fato de nos transformarmos de certa forma no tipo de música que gostamos de escutar. Que esta música de alguma forma modifica nossas conexões neuronais e nos faz diferentes: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;quando escuto a música de um grande compositor eu sinto que, em certo sentido, nos transformamos em um só, ou que uma parte dele permanece dentro de mim&lt;/span&gt;."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahJJFUagCI/AAAAAAAAAGk/6aWAlMMA0-4/s1600-h/peacock-baby.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahJJFUagCI/AAAAAAAAAGk/6aWAlMMA0-4/s320/peacock-baby.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307572581251579938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;center&gt;Assim como as penas do pavão, Levitin sugere que a música tenha se desenvolvido no ser humano como instrumento de corte sexual, no processo que os evolucionistas chamam de seleção sexual. Pavões com mais belas penas têm mais facilidade de impressionar fêmeas e se reproduzir. O mesmo, segundo Levitin, seria verdade para os seres humanos com habilidade musical.&lt;/center&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Finalmente, no último capítulo, Levitin descreve porque ele acha que o dom da realização e apreciação musical evoluiu no ser humano. Como evolucionista, concordo com ele ao negar a teoria exaptativa de Pinker. Basicamente a explicação está relacionada ao que chamamos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;seleção sexual&lt;/span&gt;. Aquele que faz boa música é capaz de atrair mais fêmeas e assim deixar mais descendentes. Biológica e neurologicamente falando, a música é um tipo de característica que -- como apresentado também ao longo de todo o livro -- envolve uma enorme gama de regiões cerebrais para que possa ser levada a cabo com excelência. E assim, fazer boa música significa ser adaptado e ter bons genes; é uma demonstração de saúde física -- dada pela proficiência no instrumento -- e mental -- capacidade de tocá-lo de forma a produzir prazer noutros seres humanos. Este quesito é então observado pelas fêmeas como característica boa em um macho a ser passada para sua prole. (E é fato notório que os músicos estão entre aqueles indivíduos da sociedade que são capazes de ir para a cama com um enorme número de fêmeas -- onde comenta sobre a vida sexual de Jimi Hendrix e outros rockeiros.) O livro termina com um paralelo entre música e linguagem: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Como ferramenta para ativação de pensamentos específicos, a música não é tão boa quanto a linguagem. Já como ferramenta de produção de sentimentos e emoções, a música é melhor que a linguagem. E é a combinação das duas -- mais bem exemplificada por uma canção de amor -- a melhor demonstração possível de um corte sexual.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O livro é realmente iluminador, musical e cientificamente. Apresentei aqui apenas alguns pontos-chaves, embora haja muito mais coisa interessante a ser apreendida na obra. Altamente recomendado!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1093208451940385907?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1093208451940385907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1093208451940385907&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1093208451940385907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1093208451940385907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/02/this-is-your-brain-on-music-de-daniel.html' title='This is your brain on music, de Daniel Levitin'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SahI-SxzFwI/AAAAAAAAAGc/nxZJOpBBJ24/s72-c/brainonmusic.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-6172350692555015900</id><published>2009-02-24T10:59:00.014-03:00</published><updated>2009-02-26T06:06:44.860-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='intelectualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro</title><content type='html'>Assisti recentemente à série de documentários sobre a maravilhosa obra de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Darcy_Ribeiro"&gt;Darcy Ribeiro&lt;/a&gt;, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Povo Brasileiro&lt;/span&gt;. Os documentários são evidentemente baseado na obra homônima do autor, publicada em 1995. Com a narração de Matheus Nachtergaele, o filme conta a participação de inúmeros músicos e intelectuais brasileiros, como Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab'Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Eduardo Gianetti e diversos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRCaYfZoWI/AAAAAAAAAGA/ajlQsirjCaU s1600-h/povobrasileiro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px;&lt;br /&gt;text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 124px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRCaYfZoWI/AAAAAAAAAGA/ajlQsirjCaU/s320/povobrasileiro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306439281967472994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;center&gt;O povo Brasileiro. Obra de um dos maiores e mais notórios intelectuais brasileiros, o antropólogo &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Darcy_Ribeiro"&gt;Darcy Ribeiro&lt;/a&gt;.&lt;/center&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com entrevistas do próprio autor, citações de poemas e outras obras e vídeos históricos, o documentário incita ao orgulho de nosso povo, de nossas raízes e dessa mistura particular que vem operando em terras canarinhas desde antes da colonização européia. O Brasil índio, europeu, negro, crioulo, sertanejo, sulista, caipira, caboclo. O Brasil da mistura de todas as raças, tentando buscar e trazer toda a virtude de toda a história da humanidade num povo só. O Brasil que é misto na raça e na cultura, na gente e na história, sincretismo religioso e cultural de um povo forte e alegre, sorridente e com todas as faces agrupadas em uma nova face sempre em reconstrução e reinvenção. Uma série extremamente bem feita, "O povo brasileiro" é um filme para ser apresentado em todas as salas de aula, nos colégios do país inteiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brasileiro tem naturalmente uma baixa estima de país colonizado, mas o Brasil é grande e belo, maravilhoso em todas suas cores biológicas e culturais -- e deve ser exaltado. Divido com Ribeiro o otimismo para com o nosso povo e a nossa gente. O que precisamos consiste na árdua tarefa de produzir melhores políticas públicas que possam rechaçar a dominação cultural da elites que chega através cultura de massa do entretenimento -- seja ela nacional ou importada da América do Norte. É hora de exaltarmo-nos e educarmo-nos na direção correta, na direção da multiplicidade de formas e cores e culturas que representamos, é hora de pós-modernizarmos nossas leis, dando a todos os povos brasileiros os direitos que têm -- e que deve ser respeitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso ter me emocionado várias vezes ao longo do documentário com a força, a esperança e a convicção de Darcy em nosso povo. Principalmente o último documentário da série é esplêndido, ainda que só faça realmente sentido para os que assistiram-na por completo. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Altamente recomendado!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRCiH1BqYI/AAAAAAAAAGI/DJH5KrF20NQ/s1600-h/povobrasileiro_filme.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px;&lt;br /&gt;text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 250px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRCiH1BqYI/AAAAAAAAAGI/DJH5KrF20NQ/s320/povobrasileiro_filme.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306439414933727618"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A maravilhosa série sobre "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O povo brasileiro&lt;/span&gt;". Consistindo numa série de 10 episódios e dirigido por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Isa Grinspum Ferraz&lt;/span&gt;, apresenta uma interessante sinopse da obra homônima de Darcy Ribeiro, com comentários de diversos intelectuais brasileiros.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale notar que, há pouco tempo, um amigo encaminhou-se um e-mail publicitário que recebera e que tratava de um fanzine cultural. Disse estar mordido (de raiva) sobre o assunto e disse que eu também ficaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente a nova publicação cultural -- com correspondentes em diversas metrópoles dos EUA e Europa -- tinha como objetivo apresentar ao leitor as novas vertentes do primeiro mundo em diversos campos da arte, moda, cinema, pintura e música. A preocupação de meu conterrâneo era relativa a um estado em que ainda vivemos de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;subordinação cultural&lt;/span&gt; ao primeiro mundo. Falta aos brasileiros perceber o quanto somos ricos de nossa própria cultura multifacetada e de nossa herança histórica que engloba tanto o ocidente europeu quanto a África e a cultura indígena, além de uma nova identidade já bem constituída e fundamentalmente &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;brasileira&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;E o que fazem os brasileiros é -- ao invés de estimular a arte de seu vizinho --, pagar caro pela arte-importada de desconhecidos estrangeiros. Arte esta que não representa, absolutamente, a nossa realidade brasileira.&lt;/span&gt; Falta-nos descobrir que o santo de casa é o que faz os mais belos milagres; aqueles que têm uma relação mais próxima conosco e com nosso estilo de vida. Parodiando Hobbes ouso dizer que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;o brasileiro é o lobo do próprio brasileiro.&lt;/span&gt; É urgente uma mudança drástica dos valores que temos sobre nosso próprio povo. Darcy Ribeiro tenta mostrar isso com bastante vigor e otimismo em sua obra. Precisamos segui-lo! Elogie-mo-nos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que também uma vez pensei-me sem cultura quando estava no Brasil, antes de fazer minhas (nem assim tão numerosas) viagens pelo mundo. E acho que este é padrão típico do brasileiro que jamais dá valor aos seus colegas assim tão ricos culturalmente, enquanto venera o que vai acima do Equador. O problema pode se dar porque talvez só consigamos entender o valor de nossa cultura quando nos afastamos dela -- ao menos um pouco. E é extremamente difícil para o brasileiro padrão afastar-se de sua cultura, posto que o país é tão grande e faz divisa com o oceano em sua parte mais populosa. O Brasil precisaria sair do Brasil para apreciá-lo em toda sua beleza e esplendor, como faço hoje e como Darcy faz tão bem em seu documentário. O Brasil precisa educar-se sobre a riqueza do Brasil, de seus costumes e de sua gente. Mas infelizmente, a maioria da população não tem recursos financeiros para viajar e verificar com seus próprios olhos a diferença cultural, relativizando as culturas e amando àquela em que nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo entretanto dizia-me achar um absurdo o fato do brasileiro não dar valor ao seu próprio país e ao que cria, à nossa própria cultura. Revoltava-se. De fato, é lamentável. Mas não devemos apenas criticar e reclamar de nosso próprio auto-desdém, o que devemos fazer de fato é lutar contra ele. O que devemos fazer é tentar educar a grande massa de brasileiros nas escolas em todo o Brasil e mostrá-los como somos ricos e diversos, virtuosos em enormes escalas. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Precisamos utilizar a força do brasileiro para alavancar o próprio brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Exaltemos a arte dos nossos vizinhos!&lt;/span&gt; Passemos a idéia adiante! Apreciemos nossas próprias obras que são extremamente ricas! E saibamos também, e sempre, respeitar as culturas dos outros povos e compreender que não há apenas uma "Verdade", porém verdades diferentes para grupos diferentes de seres humanos. Infelizmente ainda somos colonizados culturalmente pelo primeiro mundo e os brasileiros não dão tanto valor ao que é seu, sendo o Brasil -- ao que me consta -- um dos únicos países onde o "importado" é mais chique que o nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: O documentário pode ser também visto por inteiro -- embora partido em 30 partes -- através do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5Xz9pfxErQE"&gt;YouTube&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-6172350692555015900?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/6172350692555015900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=6172350692555015900&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6172350692555015900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6172350692555015900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/02/o-povo-brasileiro-de-darcy-ribeiro.html' title='O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRCaYfZoWI/AAAAAAAAAGA/ajlQsirjCaU/s72-c/povobrasileiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-256036868212516111</id><published>2009-02-15T12:18:00.004-03:00</published><updated>2009-02-26T06:07:14.216-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='intelectualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Humanismo e crítica democrática, de Edward Said</title><content type='html'>&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Said"&gt;Edward Said&lt;/a&gt;(1935–2003) foi um dos mais importantes críticos literários e culturais dos EUA, além de professor de literatura na Universidade de Colúmbia. Nascido em Jerusalém, foi também um dos maiores advogados dos direitos do povo palestino. Said é mais conhecido por sua obra publicada em 1979 e que é um dos marcos da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Postcolonial_theory"&gt;teoria pós-colonial&lt;/a&gt;, uma vertente pós-moderna da teoria crítica literária. Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Orientalismo&lt;/span&gt; (1979), Said ele sugere que o Ocidente criou uma visão distorcida do Oriente como o "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Outro&lt;/span&gt;", numa tentativa de diferenciação e de categorização do próprio Eu-ocidental e que, de certa forma, servia os interesses do colonialismo. A crítica pós-colonial integra uma visão pós-moderna que de certa forma sugere que as realidades observadas são montadas por um discurso enviesado e recheado de interesses dos grupos dominantes [1].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho aqui, entretanto, comentar o livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Humanismo e crítica democrática&lt;/span&gt;, desenvolvido a partir de um conjunto de conferências apresentadas por ele -- em janeiro de 2000 -- na Universidade de Columbia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRB4PcEDsI/AAAAAAAAAF4/A4cUu25j8y8/s1600-h/edwardsaid.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 317px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRB4PcEDsI/AAAAAAAAAF4/A4cUu25j8y8/s320/edwardsaid.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306438695422004930"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Edward Said&lt;/span&gt; foi um teórico literário e crítico cultural palestino. Foi professor de inglês e literatura comparada na Universidade de Columbia, nos EUA. É tido normalmente como um dos fundadores da teoria pós-colonial (veja texto).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também nesta obra que agora comento, Said argumenta sobre a questão pós-colonial, sobre a riqueza das culturas e sobre o fato de que elas devem, muito mais do que lutar, coexistir e interagir proveitosamente umas com as outras. O autor lamenta -- e este cientista que vos fala com ele -- o declínio dos estudos das humanidades nos últimos anos em prol do desvio de verbas para interesses militares, médicos, biotécnicos e corporativos. Lamentando ainda os ataques do Onze de Setembro, teme que a resposta ideológica a esses atentados venha reforçar ainda mais a visão enviesada e eurocentrista do mundo contemporâneo. Os humanistas, segundo o autor, não devem jamais esquecer o dito de Walter Benjamin de que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;todo documento de civilização é também um documento de barbárie&lt;/span&gt;. A prática humanista deve levar em consideração que as sociedades contemporâneas têm histórias múltiplas e que não podem ser confinadas a uma única tradição, raça ou religião. Tais sociedades são multiculturais e devem ser capazes de reconhecer e transpassar o problemas advindos desta retaliação cultural, reconhecendo os direitos e as necessidades de cada grupo que as constitui, ao invés de tentar separar e pregar a ordem de uns sobre a de outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Said critica também o que chama de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;leiturismo&lt;/span&gt;, onde uma leitura atenta de certos textos pode guiar o leitor erroneamente por estruturas de poder e autoridade passadas pela ideologia do autor. Ainda seguindo uma tradição pós-moderna [2], Said argumenta que algo interessante sobre uma grande obra é que ela gera &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;mais&lt;/span&gt; -- e não menos -- complexidade à medida que vai sendo analisada por diferentes pensadores ao longo do tempo, podendo gerar uma teia inteira de notações culturais até contraditórias. Este leitor concorda com o argumento e pensa na Bíblia -- que já foi utilizada para defender os mais belos atos de caridade e as mais cruéis guerras -- como exemplo mais crasso do argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRBt6nzAlI/AAAAAAAAAFw/VQia0dtQWKQ/s1600-h/said2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRBt6nzAlI/AAAAAAAAAFw/VQia0dtQWKQ/s320/said2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306438518035382866"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O livro de Said "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Humanismo e crítica democrática&lt;/span&gt;". Uma crítica acirrada e inteligente à atitudes antidemocráticas e antiintelectuais da cultura moderna. Altamente recomendado por este blogue, particularmente a conferência disposta no capítulo 3. Companhia das Letras, 2004. (c)&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena deixar Said falar por si mesmo, com a clareza argumentativa que tem e o vigor dos bons argumentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Pois, se como acredito, está em andamento em nossa sociedade um ataque ao próprio pensamento, sem falar no assalto à democracia, à igualdade e ao meio ambiente, pelas forças desumanizadoras da globalização, valores neoliberais, ganância econômica (eufemisticamente chamada de livre comércio), bem como ambição imperialista, o humanista deve oferecer alternativas agora silenciadas ou indisponíveis pelos canais de comunicação controlados por um pequeno número de organizações de notícias. Somos bombardeados por representações pré-fabricadas e reificadas do mundo que usurpam a consciência e previnem a crítica democrática, e é a derrubada e desmantelamento desses objetos alienantes que (...) o trabalho do humanista intelectual deve ser dedicado."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica pós-moderna quanto à relação entre o-que-se-vê/o-que-é na sociedade se faz bem clara neste trecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Said faz ainda uma homenagem ao livro &lt;a href="http://en.wikipedia.org wiki/Mimesis:_The_Representation_of_Reality_in_Western_Literature"&gt;Mimesis&lt;/a&gt;, de Auerbach, dedicando uma palestra inteira (capítulo 4) a descrever e comentar este trabalho que, segundo ele, representa a maior e mais influente obra humanista-literária dos últimos 50 anos (foi publicada nos EUA, em 1953). Finalmente, Said chama escritores e intelectuais à ação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"O papel do intelectual é, num modo dialético, oposicionista, revelar e elucidar a competição a que me referi antes [entre a cultura de massa capitalista e o interesse democrático do povo], desviar e derrotar tanto um silêncio imposto como a quietude normalizada do poder invisível em todo e qualquer lugar e sempre que possível. Pois há uma equivalência social e intelectual entre a massa de interesses coletivos dominadores e o discurso usado para justificar, disfarçar ou mistificar suas operações, prevenindo ao mesmo tempo as objeções ou questionamentos que lhe são feitos."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma citação final para ser refletida pelo povo brasileiro, imerso num mar de desigualdade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"A paz não pode existir sem a igualdade; esse é um valor intelectual que precisa desesperadamente de reiteracão, demonstração e reforço." &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva Said!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Atitude também denominada &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Historicism"&gt;historicismo&lt;/a&gt; ou novo historicismo, quando associada ao conhecimento histórico. Ver Vico, em A nova ciência.&lt;br /&gt;[2] Principalmente relacionada à multiplicidades de sentidos de uma obra, ao foco no leitor e a certo relativismo analítico -- sendo que essas três observações podem ser facilmente colapsadas em uma só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-256036868212516111?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/256036868212516111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=256036868212516111&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/256036868212516111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/256036868212516111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/02/humanismo-e-critica-democratica-de.html' title='Humanismo e crítica democrática, de Edward Said'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SaRB4PcEDsI/AAAAAAAAAF4/A4cUu25j8y8/s72-c/edwardsaid.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1119769602352886088</id><published>2009-01-03T12:27:00.001-02:00</published><updated>2009-01-04T07:03:04.469-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>a viagem do elefante, de josé saramago</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SU5c1p75WrI/AAAAAAAAAB0/NqdnFKH5kWY/s1600-h/viagemdoelefante.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 164px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SU5c1p75WrI/AAAAAAAAAB0/NqdnFKH5kWY/s200/viagemdoelefante.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282261489812069042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive por aqui lendo a nova -- e, segundo o próprio autor -- talvez última obra do único prêmio nobel de literatura em língua portuguesa: josé saramago. Sempre inventando moda com a língua portuguesa, neste livro saramago não usa as maiúsculas senão nos começos de frases -- e mesmo os nomes de personagens e cidades no livro aparecem sempre em minúsculas. Isso me lembra uma estratégia semelhante ideologicamente e utilizada no espetacular "ensaio sobre a cegueira" quando o autor escreve um livro inteiro sem citar o nome de nenhum personagem. São as minúcias estilísticas que constroem um grande literato. Isso sem contar com seus recursos sempre presentes, como (1) a utilização única de pontos e vírgulas como sinais de pontuação, (2) os maravilhosos e dinâmicos diálogos entre as personagens e (3) um quê de surrealidade e loucura temáticos; (4) frases e parágrafos longos e contínuos que, apesar disso, jamais entediam ou deixam o leitor perdido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevo aqui um relato sensacional de mostra e divulgação do pensamento crítico tido por um dos personagens do livro "A viagem do Elefante" de Saramago (pags 114-116).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(...) Vejo-te muito severo com o pobre do salomão, Talvez seja por causa da história que um dos ajudas me acabou de contar, Que história é essa, perguntou o comandante, A história de uma vaca, As vacas têm história, tornou o comandante a perguntar, sorrindo, Esta, sim, forma doze dias e doze noites nuns montes da galiza, com frio, e chuva, e gelo, e lama, e pedras como navalhas, e mato como unhas, e breves intervalos de descanso, e mais combates e investidas, e uivos, e mugidos, a história de uma vaca que se perdeu nos campos com a sua cria de leita, e se viu rodeada de lobos durante doze dias e doze noites, e foi obrigada a defender-se e a defender o filho, uma longuíssima batalha, a agonia de viver no limiar da morte, um círculo de dentes, de goelas abertas, as arremetidas bruscas, as cornadas que não podiam falhar, de ter de lutar por si mesma e por um animalzinho que ainda não se podia valer, e também aqueles momentos em que o vitelo procurava as tetas da mãe, e sugava lentamente, enquanto os lobos se aproximavam, de espinhaço raso e orelhas aguçadas. Subhro respirou fundo e prosseguiu, Ao fim dos doze dias a vaca foi encontrada e salva, mais o vitelo, e foram levados em triunfo para a aldeia, porém o conto não vai acabar aqui, continuou por mais dois dias, ao fim dos quais, porque se tinha tornado brava, porque aprendera a defender-se, porque ninguém podia já dominá-la ou sequer aproximar-se dela, a vaca foi morta, mataram-na, não os lobos que em doze dias vencera, mas os mesmos homens que a haviam salvo, talvez o próprio dono, incapaz de compreender que, tendo aprendido a lutar, aquele antes conformado e pacífico animal não poderia parar nunca mais.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;    Um silêncio respeitoso reinou durante alguns segundos na grande sala de pedra. Os soldados presentes, embora não muito experimentados em guerras, baste dizer que os mais novos nunca haviam cheirado a pólvora nos campos de batalha, assombravam-se no seu foro íntimo pela coragem de um irracional, uma vaca, imagine-se, que havia mostrado possuir sentimentos tão humanos como o amor de família, o dom do sacrifício pessoa, a abnegação levado ao extremo. O primeiro a falar foi o soldado que sabia muito de lobos, A tua história é bonita, disse para subhro, e essa vaca merecia, pelo menos, uma medalha ao valor e ao mérito, mas há no relato algumas coisas pouco claras e até mesmo bastante duvidosas, Por exemplo, perguntou o cornaca em tom de quem já se preparava para a luta, Por exemplo, quem te contou esse caso, Um galego, E como o conheceu ele, Deve tê-lo ouvido a alguém, Ou lido, Não creio que saiba ler, Ouviu-o e decorou-o, Pode ser, eu contentei-me com repeti-lo o melhor que pude, Tens boa retentiva, tanto mais que a história vem contada numa linguagem nada corrente, Obrigado, disse subhro, mas agora gostaria de saber que coisas pouco claras e bastante duvidosas encontras tu no relato, A primeira é o facto de se dar a entender, ou melhor, é claramente afirmado que a luta entre a vaca e os lobos durou doze dias e doze noites, o que significaria que os lobos atacaram a vaca logo na primeira noite e se retiraram, provavelmente com baixas, na última, Não estávamos lá, não pudemos ver, Sim, mas os que conhecem alguma coisa sobre lobos sabem que esses animais, embora vivam em alcatéia, caçam sozinhos, Aonde queres tu chegar, perguntou subhro, Quero chegar a que a vaca não poderia resistir a um ataque concertado de três ou quatro lobos, já não digo doze dias, mas uma única hora, Então, na história da vaca lutadora tudo é mentira, Não, mentira são só os exageros, os arrebiques de linguagem, as meias verdades que querem passar por verdades inteiras, Que crês tu então que se passou, perguntou subhro, Creio que a vaca realmente se perdeu, que foi atacada por um lobo, que lutou com ele e o obrigou a fugir talvez mal ferido, e depois se deixou ficar por ali pastando e dando de mamar ao vitelo, até ser encontrada. E não pode ter sucedido que viesse outro lobo, sim, mas isso já seria muito imaginar, para justificar a medalha ao valor e ao mérito um lobo já é o bastante. A assistência aplaudiu pensando que, bem vistas as coisas, a vaca galega merecia a verdade tanto como a medalha&lt;/span&gt;."&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espetacular diálogo saramaguiano de divulgação do pensamento crítico. Viva saramago!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, "a viagem do elefante" apresenta ainda diversos pontos altos onde o autor divaga metalinguisticamente sobre sua própria forma interrompida de escrita, mostra o abuso de autoridade de alguns (quando o nome de subhro é modificado para fritz pelo duque austríaco) e busca a fundo palavras pouco utilizadas no português, apresentando-as ao leitor. Mais um viva a saramago: Viva!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1119769602352886088?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1119769602352886088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1119769602352886088&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1119769602352886088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1119769602352886088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2009/01/viagem-do-elefante-de-jos-saramago.html' title='a viagem do elefante, de josé saramago'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SU5c1p75WrI/AAAAAAAAAB0/NqdnFKH5kWY/s72-c/viagemdoelefante.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-8478202294225864434</id><published>2008-12-22T09:02:00.007-02:00</published><updated>2008-12-24T15:34:45.852-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='woody Allen'/><title type='text'>Woddy Allen's: Vicky Cristina Barcelona</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SU97QZYMPYI/AAAAAAAAAB8/ABTA7_mYq3M/s1600-h/vicky-cristina_l.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SU97QZYMPYI/AAAAAAAAAB8/ABTA7_mYq3M/s200/vicky-cristina_l.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282576409549356418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundo a opinião deste crítico amador, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vicky Cristina Barcelona &lt;/span&gt;é um dos melhores filmes de Woody Allen dos últimos tempos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um filme sensível, quiçá artístico. Uma crítica à sociedade americana e uma apreciação do amor livre e da cultura européia. Realista e belo, foge dos tradicionalismos e apresenta uma história romântica e inspiradora, sem um final feliz. Um relato moderno da vida e das vidas no século XXI.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas turistas americanas decidem passar dois meses em Barcelona e encontram um poeta e pintor em uma galeria de arte. Desquitado, havia tido problemas graves com a  ex-mulher. Cristina (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Scarlett Johansson&lt;/span&gt;) desde o início está interessada no rapaz, enquanto Vicky (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rebecca Hall&lt;/span&gt;) o pensa um pervertido e folgado. Ainda assim, aceitam a proposta do rapaz em passar um fim de semana em Oviedo para talvez fazerem amor. Mas quando Cristina passa mal é com Vicky que o rapaz sai; ela acaba sendo seduzida pela poesia presente na alma de Juan Antonio (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Javier Bardem&lt;/span&gt;) e eles fazem amor. Mas ela está noiva e não quer acabar com seu casamento. Vicky é careta, enquadrada nos pensamentos mesquinhos da sociedade americana moderna e se sente perdida quando se apaixona pelo pintor. Mas ele não quer incomodá-la -- de fato, eles têm personalidades assim tão diferentes -- e nos dias que se seguem Juan Antonio convida é Cristina para sair; e é com ela que um romance gostoso se desenvolve. Rapidamente a personagem vivida por Johansson muda-se para a casa de Juan. As coisas vão bem até o dia em que a ex-mulher de Juan volta à cena. Havia chegado de Madri e tentara se matar. O pintor vai buscá-la no hospital e chega com ela em casa. Cristina se horroriza com a idéia de que os três precisarão viver juntos. Maria Elena (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Penelope Cruz&lt;/span&gt;) não tem onde morar, mas é linda, inteligente e interessante -- apesar de não estar assim tão interessada em ter que falar inglês em sua própria casa. Criativa, foi ela quem inventou o estilo de pintura que Juan Antonio utiliza, ela toca piano, é linda e entende de fotografia. Depois de um início conturbado, rapidamente os três começam a se dar bem: Cristina era a peça que faltava para a harmonia entre Juan Antonio e Maria Elena. Um triângulo se dá e o amor livre impera, todos se amam naquela casa e tudo corre às mil maravilhas. A vida agradável que vivem chega a dar inveja ao público do outro lado do telão. Enquanto isso, Vicky tem dúvidas se quer mesmo casar com seu marido-padrão americano. Uma crítica forte à sociedade americana vem à tona: conversas vazias e estúpidas estão presentes quando os americanos são mostrados. Enquanto isso, Maria Elena monta um estúdio de fotografia para Cristina. Saem por toda a cidade tirando fotos e se amam no estúdio. A vida segue assim até que está para chegar o dia em que as turistas americanas devem voltar para suas casas: é o fim do verão em Barcelona. Cristina dá o anúncio: precisa ir embora. Maria Elena se desespera: será que ela não vê o quanto eles se amam naquela casa? O quanto a amam? Como ela pode querer partir? Da platéia, não consigo discordar da personagem de Penélope Cruz. Mas a americana está decidida: vai embora. Diz que esta não é sua vida e que precisa voltar. Decide passar uns dias na França antes de partir e se vai. Sem a peça-chave que os complementava, Maria Elena e Juan Antonio voltam a se desentender e separam-se em poucos dias. Vicky ainda está apaixonada pelo pintor e tenta um último encontro antes de voltar à América. O encontro se dá, mas Maria Elena chega com uma arma em punho e frustra o amor dos dois. Enfim, Vicky decide ficar com seu estúpido marido-padrão americano e a última cena do filme mostra as duas americanas no aeroporto voltando para casa. Cristina não sabe o que quer, mas sabe bem o que não quer. Dá vontade de dizer à Americana para ficar. Mas ela se vai: o filme representa bem a vida real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-8478202294225864434?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/8478202294225864434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=8478202294225864434&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8478202294225864434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8478202294225864434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/12/woddy-allens-vicky-cristina-barcelona.html' title='Woddy Allen&apos;s: Vicky Cristina Barcelona'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SU97QZYMPYI/AAAAAAAAAB8/ABTA7_mYq3M/s72-c/vicky-cristina_l.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2727895692641452051</id><published>2008-12-20T08:41:00.004-02:00</published><updated>2008-12-20T22:05:21.185-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><title type='text'>Tim Maia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SUzPbJsy69I/AAAAAAAAABs/8YTug2Gf_0A/s1600-h/livro-tim-maia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 137px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SUzPbJsy69I/AAAAAAAAABs/8YTug2Gf_0A/s200/livro-tim-maia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281824528365972434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, por Nelson Motta (Objetiva, 2006).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Acabou chegando às minhas mãos esta biografia do famoso carioca-da-gema-do-ovo Sebastião Rodrigues Maia, escrita por Nelson Motta. Ela conta basicamente a história dos percalços do sucesso do cantor e compositor; além de seu envolvimento com mulheres, álcool e drogas. Segundo a biografia deixa claro, Tim Maia era um sujeito completamente amoral, caótico e tinha uma visão própria do meio artístico e musical brasileiro. Morador da Tijuca, era amigo de infância de Erasmo e Roberto Carlos e foi ele quem ensinou os primeiros acordes de violão ao amigo Erasmo. Viajou aos Estados Unidos, onde aprendeu inglês, cantou e foi preso. Quando voltou, seus velhos amigos já faziam sucesso e desta forma correu atrás do seu também. Ao que consta, foi a gravação de "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não vou ficar&lt;/span&gt;" por Roberto Carlos na segunda metade da década de sessenta que alavancou a carreira do compositor Tim, deixando-o pela primeira vez face-a-face com o sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Com várias frases de efeito, como "estratégia" que gritava quando algo dava errado e deveria sair de cena fugido, Tim Maia dá a impressão de ser um sujeito super-simpático e descontraído. Por outro lado, nada era capaz de empurrá-lo ao palco quando parecia não estar com vontade de fazer seus shows e era famoso por faltar muitas vezes aos mesmos. Quando os titãs o convidaram para uma participação especial em seu show acústico, Tim respondeu que se não ia nem em suas próprias apresentações, o que diria das apresentações dos outros. De fato, talvez seus shows fossem assim tão bons porque ele nunca os fazia quando não estava com vontade. Gostava bastante de torar um "baurete" em algum "garrastazu", ou seja, fumar um baseado em algum local escondido e propício para tal. A maconha foi a única droga que Tim jamais largou durante a vida. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Já no auge de sua carreira, Tim Maia não tinha quaisquer regras e contratava e descontratava músicos e shows a seu bel-prazer. Às vezes era uma visita em sua casa que atendia o telefone e agendava um show. Difícil era saber se Tim compareceria, ainda mais se tivesse que pegar um avião para tal. Tinha rixas com quase todas as gravadoras e criou sua própria, a Seroma, que pagava aos sábados, domingos e feriados, mesmo após as 21 horas. Enrolado com dinheiro, nosso herói dá a impressão de jamais ter contratado um músico seriamente e pagava-os com grana viva segundo aquilo que achava que mereciam; as vezes mais, às vezes menos. Tendo uma índole extremamente emocional, mandava embora funcionários de uma hora para outra ou os readmitia também de forma similar. Caótica e sem regras era sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Dentre os casos mais curiosos, ingressou na religião do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Racional Superior&lt;/span&gt; e lançou dois CDs pra pregar a cultura racional. Depois caiu na real, chutou a religião, retomou álcool e as drogas. Posteriormente, jamais quis saber destes dois discos lançados. Quando Marisa Monte quis regravar o hit "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Que beleza&lt;/span&gt;", Tim pediu para que ela deixasse essa coisa pra lá. O sr. Maia gravou com os melhores da Bossa Nova e do Rock de seu tempo e deu um suingue Funk em quase todas as músicas que gravou, não bastasse o enorme poderio de sua voz potente e inconfundível. Morreu em 15 de março de 1998, após passar mal em um show logo quando parecia ter-se decidido diminuir na gordura, no álcool e nas drogas. Talvez tenha sido isso: seu corpo já estava acostumado ao seu triátlon doidão. Foi-se Tim mas suas músicas continuam fazendo sucesso, levantando multidões e divertindo os brasileiros. A biografia vale também para conhecermos melhor a discografia do cantor e fiquei com bastante interesse em escutar alguns discos de Tim Maia que não sabia existirem. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um pouco de crítica literária&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Quanto à biografia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;per se&lt;/span&gt;, eu diria que ela conta basicamente a história do sucesso de Tim Maia, não exatamente a história da pessoa do cantor, embora as coisas estejam claramente interligadas. Falta talvez entrar mais profundamente no universo psicológico do ser humano Sebastião e falta uma caracterização mais existencialista no processo biográfico realizado por Nelson Motta. É uma história superficial da vida do cantor, compositor e intérprete carioca. Conta o desenvolvimento de seu sucesso, suas relações profissionais com outros artistas e gravadoras, sua rebeldia com relação à forma como a indústria musical brasileira foi e ainda é construída, seu envolvimento freqüente com maconha, cocaína e álcool. Mas o livro conta pouco sobre a pessoa de Sebastião Rodrigues Maia, sobre a relação real que tinha com suas amadas, com sua família e amigos. Neste ponto, a obra de Motta é um relato bastante superficial; enfim, não se pode fazer tudo ao mesmo tempo e o livro tem um vocabulário bastante simples e sua leitura é agradável e direta: quase um diálogo entre o biografista e o leitor. Sem dúvida é um livro popular que pode ser lido por qualquer indivíduo, sem qualquer aridez documental. Por vezes achei a escrita um tanto quanto sem cuidados e não gostei do fato de que o autor usa o termo "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Providência Divina&lt;/span&gt;" algumas vezes ao descrever relatos da vida deste gordinho simpático. Creio que a tarefa do biografista deva consistir em relatar a história tentando envolver minimamente suas crenças e opiniões. Motta tem uma enorme quantidade de opiniões enviesadas -- e às vezes, caretas -- sobre as atitudes e comportamentos de Tim, o que nos faz pensá-lo de má-índole. Enfim, não é possível escrever nada que seja totalmente imparcial, mas por vezes penso que Motta exagera nas opiniões morais, na escolha enviesada do que relatar (sempre drogas e problemas) e pinta um Tim Maia totalmente caótico e quiçá louco. Talvez seja mesmo a verdade; e não sei dizer se Sebastião teria gostado da obra, mas acredito -- com minha opinião também enviesada -- que a resposta seria negativa. De qualquer forma, a obra permite que conheçamos melhor sobre a vida e obra deste grande nome da música brasileira. E se é como a banda &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vitória Régia&lt;/span&gt; dizia ao fechar seus shows e se realmente "Vale Tudo", a leitura do livro vale muito a pena: bom proveito aos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2727895692641452051?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2727895692641452051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2727895692641452051&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2727895692641452051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2727895692641452051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/12/tim-maia.html' title='Tim Maia'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SUzPbJsy69I/AAAAAAAAABs/8YTug2Gf_0A/s72-c/livro-tim-maia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-7112858598820625003</id><published>2008-11-17T18:21:00.006-02:00</published><updated>2008-11-17T18:47:27.975-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='intelectualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia evolutiva'/><title type='text'>Tábula rasa, Stephen Pinker</title><content type='html'>Acabei de assistir uma &lt;a href="http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/11/conferncias-ted.html"&gt;palestra TED&lt;/a&gt; ministrada pelo psicólogo evolutivo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Steven_Pinker"&gt;Stephen Pinker&lt;/a&gt; sobre seu livro lançado em 2002 chamado &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Blank_Slate"&gt;Tábula rasa&lt;/a&gt; (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature&lt;/span&gt;). A idéia deste livro consiste em traçar argumentos -- óbvios para qualquer biólogo como este quem vos fala -- segundos os quais os seres humanos não são moldados &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;apenas&lt;/span&gt; pela cultura. Embora Pinker jamais negue que os seres humanos são seres culturais e diretamente influenciados por sua cultura ou sociedade, ele argumenta que os estudos em psicologia ou sociologia normalmente consideram que a natureza biológica do ser humano &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;não &lt;/span&gt;influencia de forma significativa suas (nossas) ações. E esta pressuposição, argumenta brilhantemente Pinker, é falsa! E seu forte argumento consiste no fato de que nossa natureza biológica &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;precisa&lt;/span&gt; ser levada em consideração nestes casos para que entendamos melhor nossa natureza e nossa sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SSHVU7268PI/AAAAAAAAABk/Vf2meRHGJAs/s1600-h/t%C3%A1bula_rasa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SSHVU7268PI/AAAAAAAAABk/Vf2meRHGJAs/s200/t%C3%A1bula_rasa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269727594642338034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tábula rasa&lt;/span&gt;: livro do psicólogo evolucionista Stephen Pinker recheado de argumentos dizendo que, para entendermos o comportamento do humano em sociedade, não devemos apenas observar fatores culturais, mas também nossa natureza biológica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinker relata que estudos em psicologia infantil mostram, por exemplo, que pais violentos têm filhos violentos ou que pais com alta capacidade de comunicação têm filhos que se comunicam bem, etc. Sua crítica vem do fato de que tais estudos não levam em consideração, por exemplo, o fato de que a genética de pais e filhos é similar e que, portanto, este fator precisa também ser analisado quando de um estudo sério -- algo que normalmente não acontece. Para verificar sua teoria, Pinker utiliza estudos em gêmeos separados ao nascimento e estudos de filhos adotivos -- e argumenta que tais estudos precisam ser melhor explorados.[1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de quase-evidentes e um tanto quanto bem argumentadas, as teorias de Pinker são tão controversas que alguns de seus críticos, após lerem seu livro, sugeriram que ele 1) comprasse uma câmera de segurança para sua casa; 2) não esperasse mais receber prêmios, empregos ou posições profissionais em sociedades acadêmicas e; 3) que não colocasse a cidade onde mora na biografia do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens não parecem estar maduros o suficiente para entenderem melhor sua própria natureza como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;animais sociais&lt;/span&gt;. Pinker termina sua apresentação dizendo que é nossa escolha se devemos 1) estudar-nos sendo intelectualmente honestos com relação à nossa natureza ou 2) se devemos simplesmente deixar de lado o estudo de tópicos que são tabus em nossa sociedade. Sua frase final foi obtida do escritor russo do século XIX: Anton Chekov dizia "O homem se tornará melhor quando mostrarmos a ele como ele é."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interessantíssima palestra pode ser vista clicando &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=CuQHSKLXu2c"&gt;neste link&lt;/a&gt;. Faça bom proveito! [2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;[1] Apesar de que concordo 99% com a crítica de Pinker, acredito que ele deveria tocar mais diretamente no tema do determinismo biológico. O determinismo biológico está ligado ao fato de que alguns biólogos e geneticistas acreditam que as atitudes de um ser humano podem ser diretamente associadas à sua genética. Biólogos de verdade têm horror a esta idéia e admitem que as variáveis sociais e o acaso têm uma enorme influência nas atitudes de cada um. Ter uma determinada genética pode até conferir algum tipo de facilidade ou dificuldade a algum indivíduo, mas este dom ou revés pode nunca ser manifestado. &lt;br /&gt;Imagine por exemplo um indivíduo que tenha um ouvido capaz de distinguir muito bem os sons (um ouvido absoluto) mas que jamais -- por qualquer circunstância que se possa imaginar -- tenha tido contato com nenhum instrumento musical. Isso pode muito bem acontecer e todo indivíduo é formado por sua genética, seu meio social e por um enorme fator de aleatoriedade com relação à tudo que aconteceu em sua vida (contingência). Ainda que Pinker toque no assunto, acho que vale a pena reforçar também este ponto. &lt;br /&gt;[2] Embora eu mesmo não tenha lido o livro "Tábula rasa", li um outro de seus livros chamado "Como a mente funciona" (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;How the mind works&lt;/span&gt;) e achei bastante interessante. Recomendo aos interessados em qualquer área relacionada aos estudos cognitivos e também aos biólogos evolutivos ou a qualquer um que queira conhecer algumas curiosidades -- tratadas seriamente -- sobre como nossa mente-cérebro de fato opera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-7112858598820625003?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/7112858598820625003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=7112858598820625003&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7112858598820625003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7112858598820625003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/11/tbula-rasa-stephen-pinker.html' title='Tábula rasa, Stephen Pinker'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SSHVU7268PI/AAAAAAAAABk/Vf2meRHGJAs/s72-c/t%C3%A1bula_rasa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-7609888368224248834</id><published>2008-11-16T14:57:00.000-02:00</published><updated>2008-11-17T18:46:48.147-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='simplicidade'/><title type='text'>Dizeres sobre a simplicidade</title><content type='html'>Tenho um colaborador no trabalho, um francês de Marseille, que realiza tudo o que pode para transformar seu trabalho em algo bastante complexo e difícil de se entender. Ele utiliza todas as mais modernas tecnologias para dizer que o programa que desenvolve é bom, útil, eficiente e moderno. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Esquece-se, meu amigo, que a riqueza está na simplicidade. &lt;/span&gt;Ao invés de clicar um botão para acessar seu programa, tenho que passar por duas dezenas de janelas, digitar comandos desnecessários e interpretar códigos complexos até obter o resultado que jamais consegui entender muito bem. Seria muito melhor se ele gastasse seu tempo a se ocupar realmente de coisas úteis -- ou seja, foco no resultado e como interpretá-lo -- ao invés de produzir um sistema que produz dados em diferentes arquivos XML, armazenados num banco de dados em estrutura de árvore não indexada e encriptado segundo a mais moderna tecnologia possível. Como não me sinto à vontade em enviar-lhe diretamente alguns dizeres sobre a simplicidade, venho aqui neste blogue &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;desabafar&lt;/span&gt;. Eis alguns dos mais belos dizeres sobre a simplicidade que encontrei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Simplicity is the ultimate sophistication&lt;/span&gt;.” (Leonardo da Vinci)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Everything should be made as simple as possible, but not simpler&lt;/span&gt;.” (Albert Einstein)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Most of the fundamental ideas of science are essentially simple, and may, as a rule, be expressed in a language comprehensible to everyone&lt;/span&gt;.” (Albert Einstein)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Any intelligent fool can make things bigger, more complex, and more violent.  It takes a touch of genius - and a lot of courage - to move in the opposite direction." &lt;/span&gt; (E.F. Schumacker)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Simplicity is the final achievement. After one has played a vast quantity of notes and more notes, it is simplicity that emerges as the crowning reward of art&lt;/span&gt;.” (Frederic Chopin)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;To be a philosopher is not merely to have subtle thoughts, nor even to found a school, but to so love wisdom as to live according to its dictates a life of simplicity, independence, magnanimity and trust&lt;/span&gt;.” (Henry David Thoreau)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Plurality should not be assumed without necessity&lt;/span&gt;." (William of Ockham (also known as &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ockham's Razor&lt;/span&gt;))&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;The ability to simplify means to eliminate the unnecessary so that the necessary may speak&lt;/span&gt;." Hans Hofmann, Introduction to the Bootstrap, 1993&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Life is really simple, but we insist on making it complicated&lt;/span&gt;." Confucius&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Anything simple always interests me&lt;/span&gt;." David Hockney&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;The greatest truths are the simplest: so likewise are the greatest men."&lt;/span&gt; Augustus William Hare and Julius Charles Hare, Guesses at Truth, by Two Brothers, 1827&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-7609888368224248834?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/7609888368224248834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=7609888368224248834&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7609888368224248834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7609888368224248834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/11/dizeres-sobre-simplicidade.html' title='Dizeres sobre a simplicidade'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-9160315696113101171</id><published>2008-11-14T05:31:00.001-02:00</published><updated>2008-11-14T08:25:15.954-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='intelectualidade'/><title type='text'>Conferências TED</title><content type='html'>Outra das coisas que tenho feito com certa freqüência nesta época de solteirice durante as noites francesas consiste em assistir algumas conferências no &lt;a href="http://www.youtube.com"&gt;YouTube&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo do site da Folha de São Paulo, da coluna do jornalista científico Marcelo Leite, acabei navegando pela internet e chegando a uma das palestras TED. Como relata diretamente o site: &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;a href="http://www.ted.com"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SR1Ni_6FxRI/AAAAAAAAABc/jcfpqpPnZno/s1600-h/ted_logo.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 38px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SR1Ni_6FxRI/AAAAAAAAABc/jcfpqpPnZno/s200/ted_logo.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268452402759320850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;"&lt;a href="http://www.ted.com"&gt;TED&lt;/a&gt; é um acrônimo de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Technology, Entertainment, Design&lt;/span&gt; e foi uma conferência inicialmente realizada em 1984 que reuniu pesquisadores destes três grandes ramos do conhecimento para realizar palestras e falar ao público. Desde então seu escopo se tornou ainda maior" e hoje o &lt;a href="http://www.ted.com"&gt;site oficial do TED&lt;/a&gt; ou do &lt;a href="http://www.youtube.com/user/tedtalksdirector?ob=4"&gt;TED no YouTube&lt;/a&gt; apresenta um enorme número de palestras dos mais proeminentes intelectuais do mundo, em um enorme número de diferentes áreas do conhecimento humano&lt;/blockquote&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Realmente é o caso. Ao navegarmos diretamente por este sítio podemos encontrar &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;palestras de alguns dos maiores intelectuais da atualidade&lt;/span&gt;. Existem ali palestras com os renomados biólogos: &lt;a href="http://www.ted.com/index.php/talks/jane_goodall_on_what_separates_us_from_the_apes.html"&gt;Jane Goodal&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ted.com/index.php/talks/richard_dawkins_on_militant_atheism.html"&gt;Richard Dawkins&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ted.com/index.php/talks/jared_diamond_on_why_societies_collapse.html"&gt;Jared Diamond&lt;/a&gt;; o filósofo &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=DTepA-WV_oE"&gt;Daniel Dennet&lt;/a&gt;; o ativista ambiental e ganhador do prêmio nobel da paz: &lt;a href="http://www.ted.com/index.php/talks/al_gore_on_averting_climate_crisis.html"&gt;Al Gore&lt;/a&gt;; o físico &lt;a href="http://www.ted.com/index.php/talks/brian_greene_on_string_theory.html"&gt;Brian Greene&lt;/a&gt;; e o cientista cognitivo &lt;a href="/index.php/talks/steven_pinker_chalks_it_up_to_the_blank_slate.html"&gt;Stephen Pinker&lt;/a&gt;. Além de muito mais coisa interessante! Vale a pena passar lá pra dar uma olhada em outros assuntos de seu interesse.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Dentre essas TEDtalks citadas acima recomendo fortemente a palestra do Dawkins  e do Dennet. Recomendo também a palestra do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NlYJQ0psZYA"&gt;John Francis&lt;/a&gt;, ambientalista americano e funcionário da ONU que andou por todos os Estados Unidos e nega-se a entrar em veículos motorizados.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Antes de terminar, vale a pena dizer que cheguei também a assistir algumas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;palestras ruins&lt;/span&gt; no TED -- não vale a pena enumerá-las aqui. Há palestras que consistem no mais puro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;entretenimento nerd&lt;/span&gt; e outras que têm o mal-cheiro do fundamentalismo religioso. Enfim, ao menos é um site democrático. Use com pertinência!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-9160315696113101171?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/9160315696113101171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=9160315696113101171&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9160315696113101171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9160315696113101171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/11/conferncias-ted.html' title='Conferências TED'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/SR1Ni_6FxRI/AAAAAAAAABc/jcfpqpPnZno/s72-c/ted_logo.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3831475651752963567</id><published>2008-11-12T21:09:00.007-02:00</published><updated>2008-11-14T08:04:20.407-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blues'/><title type='text'>Before you accuse me (ou Meu professor virtual de blues)</title><content type='html'>Venho aqui para conferir desta vez palavras de honra ao &lt;a href="http://www.youtube.com"&gt;YouTube&lt;/a&gt;. Tenho aprendido e conhecido bastante sobre cultura, arte e música através do site. Definitivamente a mídia em movimento (vídeo) nos permite aprender bastante ao assistirmos palestras, shows de música antigos ou mesmo aulas explícitas.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Por falar nisso, sou de longa data apaixonado por música e por violão e sempre fui um apreciador de blues. Porém minhas capacidades em música são limitadas e jamais sido capaz de tocar um blues até que há alguns meses, navegando aleatoriamente pela rede, encontrei exatamente no &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;YouTube&lt;/span&gt; uma aula básica de blues. A câmera filmava o braço do violão e o professor dizia o que deveríamos fazer lentamente para que pudéssemos acompanhá-lo e segui-lo ao violão. E assim, em menos de uma semana eu já estava tocando meu primeiro blues. Inclusive ainda lembro muito bem dele e o toco frequentemente quando pego minha guitarra ou violão para me divertir em minhas solitárias noites aqui na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_7lyCiGUcJgs/R_wS9jQly4I/AAAAAAAAAoI/noCli0ZewuI/s320/Eric_Clapton-Unplugged-Frontal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://bp1.blogger.com/_7lyCiGUcJgs/R_wS9jQly4I/AAAAAAAAAoI/noCli0ZewuI/s320/Eric_Clapton-Unplugged-Frontal.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O CD Eric Clapton Unplugged, um CDs de blues maravilhoso! Faixa 2: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;before you accuse me&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Infelizmente não me lembro e não consegui encontrar agora no YouTube esta primeira aula para apresentá-la aqui, mas o que me trouxe aqui foi justamente uma outra aula sobre o blues. Sempre gostei e quis tocar uma música que conheci através do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Eric Clapton&lt;/span&gt; e que se chama "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Before you accuse me&lt;/span&gt;". Descobri há pouco que a música é de autoria na verdade de um bluseiro negro americano chamado &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bo_Diddley"&gt;Bo Diddley&lt;/a&gt;. Enfim, gosto particularmente da música porque ela é uma crítica à crítica e diz "Before you accuse me / Take a look at yourself" (Antes de me acusar / Olhe pra si mesmo). Não só por isso, claro. Ela tem um ritmo de blues bastante tradicional e agradável e sempre quis tocá-la. Enfim, ainda estou aprendendo. Pra quem não conhece, vai a letra:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Before You Accuse Me&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;by &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ellas McDaniel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Before you accuse me, take a look at yourself&lt;br /&gt;Before you accuse me, take a look at yourself&lt;br /&gt;You say I've been spending my money on other women&lt;br /&gt;You've been taking money from someone else&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I called your mama 'bout three or four nights ago&lt;br /&gt;I called your mama 'bout three or four nights ago&lt;br /&gt;Well your mother said "Son"&lt;br /&gt;"Don't call my daughter no more"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come back home baby, try my love one more time&lt;br /&gt;Come back home baby, try my love one more time&lt;br /&gt;If I don't go on and quit you&lt;br /&gt;I'm gonna lose my mind&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=yLTR3Xn95xY"&gt;aqui &lt;/a&gt;para visualizar o vídeo da aula no YouTube ou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=iUjoq03RXHM"&gt;aqui &lt;/a&gt;para ver o próprio Eric Clapton tocando no DVD unplugged&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Achei interessante que durante a aula do YouTube sobre como tocar esta música, apesar de não ser possível ver a cara do professor, é possível perceber que ele é realmente um músico -- no sentido que está mais interessado numa compreensão sonora da música do que em uma compreensão técnica da mesma. Não são todos os professores do YouTube que têm a mesma filosofia de ensino musical. Eu que não sou músico -- ainda chego lá! -- sempre tendo a tocar a música de uma forma um tanto quanto técnica, ou seja, vejo exatamente as notas tocadas e tento reproduzí-las da mesma forma. Treino à exaustão até achar que o resultado na guitarra ficou razoável. Mas a voz do professor também faz diferença, ele diz durante esta aula: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não é preciso tocar exatamente desta forma, você deve apenas reproduzir os sons que fazem as pessoas reconhecerem a música como sendo esta. Eu mesmo a toco ligeiramente diferente a cada vez.&lt;/span&gt;" Voilà, é exatamente esta a sensibilidade-do-músico que me falta. Continuo em meu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;MORAL DA HISTÓRIA: a internet, a banda larga, o YouTube são realmente ferramentas eficazes para a educação, seja ela musical ou acadêmica (veja próxima postagem). A internet sem dúvida revoluciona e facilita extremamente a aquisição de conhecimento pelo ser humano e permite que sejamos capazes de aprender tanto quanto quisermos -- certamente teremos agora mais a aprender do que teremos tempo ou disciplina para tanto. O mundo do conhecimento está aí para ser explorado e só não o explora, quem não quer -- ou, no Brasil, quem não teve oportunidade para aprender e ter acesso à tecnologia. Aos outros, boa sorte! Vou tocar meu blues!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Um outro bom vídeo que explica de maneira super-simples o 12-bar blues é este: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nLXGJrSTLSs"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=nLXGJrSTLSs&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3831475651752963567?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3831475651752963567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3831475651752963567&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3831475651752963567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3831475651752963567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/11/before-you-accuse-me-ou-meu-professor.html' title='Before you accuse me (ou Meu professor virtual de blues)'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_7lyCiGUcJgs/R_wS9jQly4I/AAAAAAAAAoI/noCli0ZewuI/s72-c/Eric_Clapton-Unplugged-Frontal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4636606481518046854</id><published>2008-10-26T12:23:00.005-02:00</published><updated>2008-10-26T20:29:12.116-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Sobre a veracidade na literatura</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.sebodomessias.com.br/loja/imagens/produtos/produtos/270_farol.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 322px; height: 496px;" src="http://www.sebodomessias.com.br/loja/imagens/produtos/produtos/270_farol.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br&gt;O excelente livro "O diário de um farol", de João Ubaldo Ribeiro. Contado em primeira pessoa, o livro começa com o personagem-narrador dizendo que toda a história que está prestes a contar consiste na mais pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Comecei aquele texto com um aviso (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;disclaimer&lt;/span&gt;) ao leitor: o que eu estaria relatando ali não estaria absolutamente conectado de forma clara à verdade do que acontecera. É que às vezes escrevo textos literários para o &lt;a href="http://chicopros.blogspot.com"&gt;blogue&lt;/a&gt; e as pessoas estão sempre a achar que tudo aquilo aconteceu comigo e que tudo foi uma verdade que eu tenha vivido. Isso não é verdade. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;A verdade é que há textos que são mais próximos do que realmente ocorreu e outros que são assaz distantes do fato verídico, tendo na realidade apenas a idéia motora inicial para o desenvolvimento de uma história qualquer. Particularmente neste texto que começava com o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;disclaimer&lt;/span&gt;, eu relatava sobre pessoas que conheci em situações profissionais; e a profissão era uma parte relevante do assunto, de forma que não podia ficar de fora do relato. Mas exatamente por se tratar de um fato profissional, queria deixar claro que estava romanceando a história e que -- caso alguém do meu círculo profissional lesse o caso -- deveria entender que nada daquilo havia de fato acontecido. Ao menos, não daquela forma. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Dito isto, escrevi o que tinha para escrever. Havia sexo na história e sexo é algo que ainda choca as pessoas, principalmente se associado a um sentimento libertário e livre como era o deste texto. Terminei a escrita do texto e o reli, como de costume. De repente o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;disclaimer&lt;/span&gt; apresentado na introdução pareceu-me idiota: estava claro que era uma ficção, não realidade. Mas todos os outros textos daquele blogue haviam sido escritos na mesma filosofia, porque fazer o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;disclaimer&lt;/span&gt; só para aquele? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Par contre&lt;/span&gt; -- como o diria o francês --, pareceu-me também que saber da falsidade de uma história antes de lê-la tirava-lhe um pouco a graça. Faz parte da literatura transportar o leitor para um mundo que, se não aconteceu, poderia muito bem ter acontecido. Assim, de certa forma a literatura consiste sim em uma realidade, ainda que desconectada desta que temos no mundo dito real, mundo do viver que se situa entre o acordar e o dormir.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E quando pensava sobre tudo isso, veio-me à cabeça a lembrança do início do livro "Diário de um farol", escrito por &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Ubaldo_Ribeiro"&gt;João Ubaldo Ribeiro&lt;/a&gt;. O livro -- muito bom! -- trata das histórias de um sujeito perverso e sociopata, algo que não vem ao caso agora. O que realmente vem ao caso é que ele começa a história com a estratégia completamente invertida com relação à minha de apresentar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;disclaimer&lt;/span&gt;. Ainda que a história tenha sido completamente inventada por João Ubaldo, este transveste-se do personagem e começa o livro dizendo que irá contar exatamente sua história verídica. Narrando sempre em primeira pessoa, o personagem-narrador diz que foi exatamente aquilo que viveu e que aquela é toda a verdade sobre sua vida até onde ele possa realmente alcançar [1]. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ora, vejo então que João Ubaldo tomou exatamente a linha ideológica oposta à minha. Ao invés de apresentar seu texto como uma ficção, de forma contrária ele reforçou a presença da realidade em seu relato. E este sentimento é tão forte no livro, os sentimentos do personagem são tão bem descritos e elaborados que por vezes chegamos a pensar, durante a leitura: "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;será que não foi mesmo esse cara que escreveu? Será que João Ubaldo não é apenas um ghost writer para esse sujeito perverso?&lt;/span&gt;". E este pensamento não é senão a atestação de uma enorme qualidade literária deste escritor baiano e membro da Academia Brasileira de Letras. Salve, João!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Sobre o meu texto, tirei o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;disclaimer&lt;/span&gt; e publiquei daquele jeito mesmo. As pessoas que pensem o que quiserem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;[1] Tudo isso vale apenas se considerarmos que minha lembrança não me prega peças sobre este livro. Como já o li há algum tempo, pode ser que eu diga alguma coisa ligeiramente falsa aqui. E como isso não é literatura, mas são sim pensamentos e um pouco de crítica literária, isso precisa ser dito.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4636606481518046854?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4636606481518046854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4636606481518046854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4636606481518046854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4636606481518046854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/10/sobre-veracidade-na-literatura.html' title='Sobre a veracidade na literatura'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2919753722554848220</id><published>2008-10-26T08:14:00.002-02:00</published><updated>2008-10-26T08:26:18.152-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='democracia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Felicidade anti-democrática</title><content type='html'>É triste dizer isso, mas hoje estou aqui na França satisfeito -- se é que se pode dizer isso -- por não ter que ir às urnas exercer meu direito de cidadão perante as eleições municipais da minha cidade. Seria bastante difícil fazer uma escolha entre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Um sujeito que foi um suposto beneficiário de centenas de milhares de reais no esquema do mensalão e parecia ter ligações diretas com a &lt;a href="http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=45218"&gt;ditadura&lt;/a&gt;; e&lt;br /&gt;2) Um outro sujeito que aumentou seu patrimônio em quase 1 milhão de reais durante apenas três anos, exatamente durante a época em que ocupou cargos públicos municipais e federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mole ou não é?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2919753722554848220?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2919753722554848220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2919753722554848220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2919753722554848220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2919753722554848220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/10/felicidade-anti-democrtica.html' title='Felicidade anti-democrática'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2899138986679375404</id><published>2008-10-10T11:41:00.003-03:00</published><updated>2008-10-10T12:37:48.296-03:00</updated><title type='text'>100 anos de Cartola</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.mulgogi.net/technote6/data/board/pirateboard/file/1/d51007b6_1181495960.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.mulgogi.net/technote6/data/board/pirateboard/file/1/d51007b6_1181495960.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A sorrir / eu pretendo levar a vida&lt;/span&gt;" &lt;br /&gt;(O sol nascerá)&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã a Terra completará sua centésima volta ao redor do sol desde que veio ao mundo o cantor e compositor Angenor de Oliveira. Nascido no Rio de Janeiro, há um século atrás, Cartola é um ídolo do samba e poeta nato. Segundo a história, Cartola foi um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira quando morava exatamente naquele morro lá pelos idos de 1928. Inclusive consta o relato que as cores verde e rosa tiveram inspiração nas cores do Fluminense, time do coração deste carioca.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Apesar de sua vocação como cantor e compositor, Cartola nunca conseguiu se integrar de forma "normal" ao mercado de trabalho -- talvez esta seja, inclusive, a maior evidência de sua alma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;verdadeiramente &lt;/span&gt;poética. Assim, trabalhou em bicos como pedreiro, pintor de paredes, lavador de carros, vigia de prédio e office-boy. Foi nos anos 50 que o escritor Sérgio Porto -- o Stanislaw Ponte-Preta -- encontrou-o lavando carros num posto em Ipanema e o relançou como cantor e compositor. Ainda assim, o primeiro LP de Cartola foi lançado apenas 1974, quando ele já era sexagenário. Neste disco, ele apresentava canções que tiveram como temas, principalmente: o amor, a alegria e a esperança. Dentre as canções deste primeiro CD, cito por exemplo: Tive Sim (Cartola), O Sol Nascerá (Cartola - Elton de Medeiros) e Alvorada (Cartola - Carlos Cachaça - Hermínio B. de Carvalho).&lt;br /&gt;&lt;br&gt;É de seu segundo CD, entretanto, lançado em 1976 que gostaria de apresentar ao leitor uma canção que incita reflexão. Este segundo LP do talvez maior ídolo do samba parece-me uma apropriação artística com uma temática mais solitária, de certa forma depressiva, um tanto existencialista e excessivamente poética -- em um sentido mais acadêmico ou clássico, se não me engano. Imagino que muitas das canções deste LP tenham sido feitas tendo como inspiração uma ou mais decepções amorosas que o sambista tenha tido durante a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Mundo É Um Moinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cartola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ainda é cedo amor&lt;br /&gt;Mal começaste a conhecer a vida&lt;br /&gt;Já anuncias a hora da partida&lt;br /&gt;Sem saber mesmo o rumo que irás tomar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preste atenção querida&lt;br /&gt;Embora saiba que estás resolvida&lt;br /&gt;Em cada esquina cai um pouco a tua vida&lt;br /&gt;Em pouco tempo não serás mais o que és&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça-me bem amor&lt;br /&gt;Preste atenção, o mundo é um moinho&lt;br /&gt;Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos&lt;br /&gt;Vai reduzir as ilusões à pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preste atenção querida&lt;br /&gt;De cada amor tu herdarás só o cinismo&lt;br /&gt;Quando notares estás a beira do abismo&lt;br /&gt;Abismo que cavaste com teus pés&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta canção gosto muito da crítica que Cartola faz à decisão de sua consorte em -- imagino, nesta interpretação talvez falha -- o deixar. Evidencia assim, o poeta, a juvenilidade de seu amor "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;mal começaste a conhecer a vida&lt;/span&gt;" e apresenta-lhe o fato inevitável: a vida é feita de mudanças e "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;em pouco tempo não serás mais o que és&lt;/span&gt;". Questiona assim, de forma poética, a decisão tomada por seu "amor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma talvez pessimista, talvez realista, Cartola pede que seu amor o ouça bem. O mundo real é duro e tritura os nossos sonhos. O poeta do morro critica ainda sua companheira por ter sonhos assim tão mesquinhos ao invés de entregar-se ao seu amor. De minha parte, divido com Cartola esse sentimento de pessimismo com relação aos meus mais belos sonhos, embora insista em persistir neles -- ainda que eles por vezes veja-os transformados em pó. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o eu-lírico da canção apresenta à sua "querida" que o abismo em que por vezes nos vemos diante consiste num abismo psicológico criado por nós mesmos e que precisamos transpassar para crescermos como pessoas, cidadãos e poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cartola morreu de câncer, em sua cidade natal, no dia 30 de novembro de 1980. Apesar do enorme sucesso de suas composições, o sambista morreu pobre, morando numa casa doada pela prefeitura do Rio de Janeiro. O mundo, de fato, reduziu suas ilusões a pó. Eis nosso dever: resgatar e vangloriar a obra deste maravilhoso artista!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2899138986679375404?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2899138986679375404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2899138986679375404&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2899138986679375404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2899138986679375404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/10/100-anos-de-cartola.html' title='100 anos de Cartola'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5848083671867526631</id><published>2008-10-06T19:10:00.006-03:00</published><updated>2008-10-08T07:11:36.470-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Bloguística: uma nova forma de diálogo literário</title><content type='html'>Preciso. Precisaria de alguém para organizar minha vida intelectual. De fato, sou desorganizado. Ônus, talvez, de um excesso de criatividade. Sempre penso que a criatividade vai aos avessos da organização. Se fosse organizado, teria livros, faria revisões, leria e releria mil vezes tudo o que escrevo. Poliria melhor as arestas. Hesitaria ainda mais antes de clicar o botão "Publicar". Mas a vida se passa, o dia se vai, o sol se põe de um lado e se levanta do outro: o tempo não pára, não. Não tenho livros, tenho blogues e mais blogues. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Minha vida não é um livro, ela é um blogue. Blogues são mais libertários que livros: são assim despojados, malamanhados, por vezes podres; à noite brilham. Livros exigem um trabalho muito grande de polidez. Postagens de blogue não. Toscas e diretas, sinceras como o vômito, efêmeras que nem diamantes: ei-las. A literatura de blogue é um novo ramo que surge à parte dentro da história da literatura. Viva a internet e o mundo da super-informação. Faço parte de um novo movimento literário virtual, bebê cultural nascido no século XXI. Vida longa à literatura bloguística. E que &lt;a href="http://chicopros.blogspot.com"&gt;sigam-me&lt;/a&gt; os bons!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5848083671867526631?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5848083671867526631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5848083671867526631&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5848083671867526631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5848083671867526631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/10/blogustica-uma-nova-forma-de-dilogo.html' title='Bloguística: uma nova forma de diálogo literário'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-477443083541693691</id><published>2008-10-01T03:44:00.003-03:00</published><updated>2008-10-01T04:03:57.337-03:00</updated><title type='text'>Otimismo no mediterrâneo</title><content type='html'>Tive um sonho muito bom esta noite e acordei extremamente otimista perante a vida. Durante estas últimas semanas em Marseille conheci dezenas de cientistas altamente interessantes e de bem com a vida. O congresso da semana passada -- &lt;a href="http://sites.univ-provence.fr/evol-cgr/"&gt;Evolutionary Biology in Marseilles&lt;/a&gt; -- foi verdadeiramente bom e havia um clima agradável de amizade entre os participantes. (A propósito, isso não é muito comum entre cientistas que estão sempre em competição e ficam querendo um furar os olhos dos outros.)&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Além de tudo, fui otimamente recebido aqui na casa de um professor com mais de uma centena de artigos publicados, provavelmente a maior autoridade da área de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;biologia evolutiva&lt;/span&gt; na França. O sujeito me acolheu em sua família sem me conhecer muito bem e se mostrou uma pessoa extremamente aberta, simples, agradável e interessante. Não obstante, um verdadeiro ser humano num sentido sartreano e existencialista, cheio de contantes dúvidas sobre sua relação com as pessoas à sua volta e ao seu futuro profissional e pessoal: uma pessoa de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Sinto-me muito feliz e honrado em ser respeitado tanto como pessoa quanto como profissional. O professor, além de tudo, escuta minhas idéias e dá valor a elas. Repete o que digo a ele para outras pessoas mostrando que realmente se interessou pelo assunto e concordou com minha opinião. Ontem ele veio à sala em que estou trabalhando quase que uma dezena de vezes para me ensinar alguma coisa ou comentar sobre algum artigo que achasse interessante que eu tomasse conhecimento. Nunca fui tão bem recebido e escutado. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Além de tudo, a cidade de Marseille é agradável e lembra de certa forma o Brasil. Como tenho a oportunidade de me mudar para cá -- uma vez que o projeto de pós-doutorado em que estou inserido é colaborativo -- creio que vou chegar em Strasbourg e plantar a idéia na cabeça dos chefes. Talvez dentro de menos de seis meses eu já possa estar de mudança para cá. É claro que as coisas não serão as mil maravilhas que suponho e é claro que haverão problemas, mas estou de certa forma convicto de que este grupo de pesquisa e esta cidade serão melhores para mim tanto com relação ao lado pessoal quanto profissional. Mas já sinto aquela dorzinha em abandonar os grandes amigos que fiz em Strasbourg...&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-477443083541693691?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/477443083541693691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=477443083541693691&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/477443083541693691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/477443083541693691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/10/otimismo.html' title='Otimismo no mediterrâneo'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-17937047470792564</id><published>2008-09-10T08:15:00.002-03:00</published><updated>2008-09-10T08:26:18.159-03:00</updated><title type='text'>Ranking universitário</title><content type='html'>Segundo o IGC*, novo índice do MEC para a avaliação do desempenho das universidades federais, Minas Gerais apresenta 3 instituições de ensino superior dentre as 6 avaliadas com a melhor nota (5) entre as universidades federais brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns à UFMG, UFV e UFTM! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser um crítico constante do sistema acadêmico, científico e institucional das universidades -- particularmente da UFMG onde me formei como biólogo, geneticista (MSc) e bioinformata (PhD) -- sei muito bem que tive a sorte e a oportunidade de realizar excelentes curso de graduação e pós-graduação. Aqui no exterior, percebo frequentemente que minha formação acadêmica é mais completa e abrangente do que a da maioria dos biólogos em geral, venham eles de onde vierem. Ponto pra UFMG (e pra mim também).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título de melhor universidade segundo os quesitos avaliados ficou pra UNIFESP. As outras duas universidades avaliadas com o maior conceito foram universidades gaúchas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Folha de São Paulo:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u442710.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u442710.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;* "O IGC foi criado para, em um só indicador, medir a qualidade dos cursos de graduação, mestrado e doutorado. Para a graduação, é utilizado o CPC (Conceito Preliminar de Curso), baseado, entre outros dados, no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), do Censo da Educação Superior e na infra-estrutura, corpo docente e programa pedagógico. A avaliação dos programas de pós-graduação é feita pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior), que acompanha anualmente o desempenho dos programas. A média dos conceitos do IDC é ponderada pela distribuição dos alunos entre a graduação, mestrado e doutorado." &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por LORENNA RODRIGUES da Folha Online, em Brasília&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-17937047470792564?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/17937047470792564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=17937047470792564&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/17937047470792564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/17937047470792564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/09/ranking-universitrio.html' title='Ranking universitário'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4074610242421325659</id><published>2008-09-04T18:51:00.003-03:00</published><updated>2008-09-04T19:25:07.400-03:00</updated><title type='text'>Super dica de curta-metragens</title><content type='html'>Super-recomendada a &lt;a href="http://www.releituras.com/portacurtas.asp"&gt;cinemateca de curta-metragens&lt;/a&gt; do site do projeto &lt;a href="http://www.releituras.com"&gt;releituras&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz bem uma ou duas semanas que chego em casa do trabalho, cansado, e quase todos os dias assisto um ou dois ou três ou quatro ou cinco dos curtas do site. É uma seleção muito bem feita e contém curtas muito intessantes e deliciosos de assistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas dicas boas:&lt;br /&gt;* Cartas da mãe: documentário sobre a vida e obra do cartunista Henfil&lt;br /&gt;* Clandestina felicidade: adaptação de conto da Clarice Lispector&lt;br /&gt;* Ilha das flores: simplesmente o melhor curta-metragem educacional e social que eu já tenha assistido. Nota 100!&lt;br /&gt;* Os filhos de Nelson: história baseada na obra Nelson Rodrigues&lt;br /&gt;* Além de outros documentários sobre a vida e obra de Nelson Sargento, Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não assisti todos, continuo na árdua e agradável tarefa de vê-los. Tem muita coisa boa também, além destes que citei rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A você, um bom filme!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4074610242421325659?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4074610242421325659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4074610242421325659&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4074610242421325659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4074610242421325659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/09/super-dica-de-curta-metragens.html' title='Super dica de curta-metragens'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4486431350005003307</id><published>2008-09-01T07:49:00.004-03:00</published><updated>2008-09-01T22:34:29.214-03:00</updated><title type='text'>Quebrei o braço</title><content type='html'>Foi na última terça-feira. Voltava pra casa do serviço depois de passar numa loja para comprar umas blusas de meia-temporada pois que o outono já tem cara de estar chegando. Andava daquele jeito despojado que tenho de andar de bicicleta. Ia sem as mãos e fazia manobras para me desequilibrar e então me equilibrar de novo, essas brincadeiras assim. Ainda assim, não foi esta a culpa do tombo. A displicência ocorreu quando coloquei minha mochila no porta-bagagem sobre a roda traseira da magrela. Não coloquei muito bem a mochila ali e a alça da mesma enroscou na roda na hora do tombo, parando imediatamente a roda de trás da velô -- como dizem por aqui. Ia rápido, marcha mais veloz. A roda parou de repente e também a bicicleta. Continuei meu movimento inercial para frente, trombei no guidão e caí para o lado direito. Foi tudo muito rápido, não vi muito bem o que tinha acontecido. Ia pela rua, os carros passavam. Na hora que caí, não havia nenhum veículo por perto, felizmente. Caí para o lado direito, onde os carros estavam estacionados. Protegi-me da queda com o braço e ralei todos os meus apoios do lado direito. Ombro, cotovelo, pulso e joelho. Dei sorte de não ter batido a cabeça e nem mesmo a cintura cheguei a machucar. Quando vi estava no chão, tonto, a bicicleta por cima. Veio um sujeito que andava de bike para o outro lado me acudir. Ele parecia mais nervoso que eu. Levantou minha velô, ajudou-me a levantar. A bicicleta dele havia ficado no meio da rua. Agora um carro passava e ele foi tirá-la de lá. Tentei ficar em pé mas estava bem tonto. Segurei no poste. Todo meu lado direito doía muito. Entretanto não pensei que tivesse quebrado coisa alguma, pensei que estava tudo doendo por causa do tombo. O sujeito perguntou se eu queria alguma coisa, alguma ajuda. Eu disse que não. Agradeci e falei que estava bem. Ele perguntou de novo e eu agradeci de novo, ele foi embora. Agora arrependo, devia ter ficado mais tempo conversando com ele porque nem eu -- e nem ele -- estávamos bem. Ele vira minha queda de camarote e estava também eufórico. Ele se foi. Assentei-me no chão por um tempo até que a cabeça parasse de rodar. Não parou. As pessoas passavam em volta. Levantei-me custosamente, estava cerca de 500 metros de casa. Tentei pegar a bicicleta percebendo que meu braço não estava lá muito bem. Mesmo assim ajeitei a mochila no porta-bagagem com as roupas novas e fui andando e levando a bike, a passos de tartaruga, até chegar em casa. Ombro e cotovelo e pulso e joelho ralados. Nunca demorei ou sofri tanto para andar meio quilômetro. A bicicleta estava em perfeito estado, nem parecia ter caído. Eu estava tonto e com dores. Prendi-a no primeiro lugar que encontrei do lado de fora do prédio e subi de elevador. Cheguei em casa e queria apenas me deitar. Tomei ainda um banho para me tranqüilizar e decidi tomar um anti-inflamatório para evitar algum tipo de reação inflamatória no braço. Liguei para a gatinha, que não me atendeu. Liguei para o amigo-doutor, que também não me atendeu. Liguei para o Gustavo e disse que tinha caído e que era pra ele ficar com o celular do lado da cama esta noite. Se eu precisasse dele, ligaria. Ele se mostrou solícito e preocupado; falou que faria isso sim. Dormi até bem e acordei no dia seguinte com o braço ainda bastante dolorido, na dúvida se iria ao trabalho ou não. Decidi não ir, mandei um e-mail para os chefes explicando a situação e fui procurar resolver o problema, indo primeiro ao seguro social para pegar um número que se usa aqui na França para casos médicos e que eu ainda não tinha. Fiquei algum tempo para conseguir um número provisório que depois descobri não adiantar em nada. No seguro social também não souberam me indicar nenhum médico para visitar. Liguei para o Gustavo e ele me convidou para almoçar com ele, dizendo que depois ligaria para seu médico e que iríamos juntos. Almocei na casa do amigo enquanto discutíamos desigualdades no Brasil. Eu com minha visão assistencialista, ele com sua visão individualista. Como seu médico não atendia aos repetidos telefonemas, fomos à medicina universitária. Uma médica loira, quarentona e bela, que gostava do sotaque brasileiro, atendeu-me e fez um pedido de radiografia para o pulso e o cotovelo. Eu que pedi, talvez devesse ter pedido para o ombro também. Os médicos confiam muito nos pacientes. O Gustavo ainda me acompanhou e esperou a radiografia ser feita, radiografia esta que tive que pagar devido ao fato do tal do número provisório não funcionar e que revelou que meu pulso estava bom mas que eu havia quebrado a ponta de um dos ossos do cotovelo; provavelmente precisaria engessar. Voltei à médica loira e quarentona e ela ficou surpresa com o diagnóstico, não pensava que havia quebrado. Ela não poderia engessar, eu teria que ir a um hospital do outro lado da cidade. O Gustavo a essas horas já havia sido dispensado e agradecido pela ajuda, fora cuidar de seus afazeres. Peguei o trem e uma hora depois cheguei ao hospital da Hauptpierre. Custei a encontrar o lugar certo onde deveria ir. Finalmente cheguei na seção de emergências traumatológicas e fui atendido. Preenchi algum formulário e fui então direcionado a uma sala de espera. Apesar de haver só mais um sujeito por lá, fiquei ainda esperando por cerca de uma hora até ser atendido. Neste ínterim, li todas as informações que iam nas paredes e já sabia algo sobre os procedimentos hospitalares franceses. Tendo sido finalmente recebido pelo médico, ele me perguntou o que fazia e eu disse que era pós-doutor, trabalhava na universidade. Perguntou-me então o que acontecera e expliquei tudinho, inclusive sobre o anti-inflamatório. Ele perguntou se eu era biólogo mesmo ou médico, fez cara de quem não gostou da minha auto-medicação. Perguntou se eu havia tomado algum tipo de vacina contra o tétano nos últimos dez anos. Pela minha dificuldade de expressão em francês, ele já havia percebido que era estrangeiro e falei que vinha do Brasil. Mais uma vez, cara ruim. Não vacinado, brasileiro. A vacina anti-tetânica durava dez anos e era preciso tomar três doses durante dois ou três meses. Ficou na dúvida sobre o tempo entre as doses, mas não conferiu. Disse que eu deveria tomar. Perguntei porquê, uma vez que o tétano era causado por uma bactéria anaeróbica e normalmente acontecia quando do corte profundo feito com metais. Se eu havia apenas ralado e deixasse a ferida aberta, não haveria chance de pegar tétano. Ele, entretanto, disse que havia perigo sim e que eu deveria tomar a vacina: era só uma picadinha, afinal. Além disso completou dizendo que o tétano não era provocado por uma bactéria, mas por um "germe" e que causava retesamento muscular e outros sintomas que poderiam me matar em questão de dias. É claro que ele estava errado sobre o "germe": "germe" é um termo geral utilizado para micróbios como bactérias, fungos ou vírus. O tétano é sim, como eu havia dito, mais especificamente causado por uma bactéria anaeróbica. Fiquei desconfiando do médico e então disse-lhe que não sabia se queria tomar a vacina pois que tinha vários amigos imunologistas que questionavam o poder da vacina. Disse-lhe também que a teoria por trás da vacinação ainda não é bem compreendida e perguntei se eu poderia não tomar a vacina. Ele disse que eu bem poderia, mas recomendou novamente falando dos sintomas e dizendo que se tratava apenas de uma picadinha. Enfim, mesmo estando impressionado pelo fato do médico não saber a diferença de doenças bacterianas para doenças virais ou fúngicas, resolvi aceitar. No fundo, é fato que mesmo os imunologistas concordam que a vacinação é efetiva para evitar doenças e por vezes lembrei de ter tido um certo retesamento muscular. Seria tétano? Acho que não, mas... Preferi tomar a vacina e então o outro médico, que lembrava um dos doutores loucos daquele filme "brilho eterno de uma mente sem lembranças", aplicou a injeção em meu braço. Ele quis aplicar no braço esquerdo, mas pedi para fazê-lo do direito, que já estava inutilizado mesmo. E então apareceu na sala uma enfermeira gorda com uma tipóia especial. Não seria preciso engessar. Achei ótimo! Colocou a tipóia em mim com cuidado e não me deixou mexer, ela que colocaria. Ficou desconfortável. Talvez fosse mesmo pra ficar assim. O médico disse-me para que voltasse duas semanas depois para fazer outra radiografia e ver como estava o braço. Provavelmente demoraria ao menos duas semanas para voltar ao normal. Saí finalmente de lá, feliz por não ter sido engessado, impressionado com o fato do médico não saber que tétano era uma doença bacteriana e prevendo duas semanas difíceis. Não tenho muita força, nem consigo apoiar nada com o braço direito, embora tarefas como digitar um texto como este não sejam por demais problemáticas se feitas de tempos em tempos. Já lavar roupas e louças, varrer a casa e arrumar a cama serão tarefas por demais incômodas durante este tempo. Estou mais chato do que o normal e sensível a coisas simples. A doença nos faz questionar nossos valores e perceber o quanto a saúde é um bem vigoroso. De fato os deficientes precisam mesmo de ajuda social, o mundo é muito mais difícil para eles. Tenho apenas um braço quebrado e tudo que gostaria era de ficar na cama com alguém fazendo todos os meus desejos. Ah, se eu pudesse... aqui estou no serviço a trabalhar mesmo que o médico tenha me dado um formulário que me permite faltar o trabalho por duas semanas. Essas coisas não funcionam na prática, dá vontade de pedir ao médico para ligar ao chefe. Mas ele jamais faria isso. Enfim, preciso voltar ao trabalho, já divaguei demais por hoje. Deseje-me boa sorte na recuperação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4486431350005003307?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4486431350005003307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4486431350005003307&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4486431350005003307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4486431350005003307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/09/quebrei-o-brao.html' title='Quebrei o braço'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-6502867109881607380</id><published>2008-08-26T10:08:00.004-03:00</published><updated>2008-08-26T10:36:54.261-03:00</updated><title type='text'>Indianos não falam francês?</title><content type='html'>Morando aqui em Estrasburgo há quase oito meses já conheci ao menos uma meia-dúzia de indianos e pelas ruas fui capaz de perceber uma certa quantidade de outros nativos deste país oriental de religião hindu. Parece-me estranho que eu não tenha conhecido nem um único indiano que ao menos tentasse falar o francês. Eles parecem ver este país como uma passagem temporal deles durante a vida e, assim, parecem não se esforçar para falar o idioma. Enfim, alguém conhece algum indiano que fala francês? Dentre todos os indianos que estão na França, qual será a porcentagem deles que fala francês?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Dentre meus amigos brasileiros, muitos também estão aqui neste país e sabem que esta estadia terá uma data de término. Não obstante, todos tentam falar o idioma de Voltaire e, de fato, muitos falam-no muito bem. Eu também estou aqui meio de passagem: definitivamente não penso em morar toda minha vida neste país e sei que em breve estarei zarpando para outros rumos. Entretanto, tenho um prazer em tentar falar o francês e tentar me inserir na cultura deles tanto quanto possível. É interessante conhecer mais sobre as diferentes formas que os humanos encontraram para viver em sociedade. É uma odisséia um tanto quanto interessante esta de tentar ver o mundo como um francês e descobrir novas palavras e novas formas de descrever o mundo através da língua do pequeno-grande general Napoleão. As linguagens são uma forte representação da cultura e compreender a forma como os indivíduos interagem entre si é conhecê-los melhor, é entender mais o mundo e é compreender melhor o ser humano. Sei que em qualquer lugar que eu me aventure a viver ao longo de minha vida, tentarei compreender os seres humanos ao meu redor -- e esta compreensão passará, necessariamente, por entender como e o quê eles falam; essa compreensão passa indubitavelmente pela aquisição da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Enfim, não sei o que se dá com os indianos e talvez eu generalize em demasiado o comportamento de um povo a julgar por meia-dúzia de observações feitas por aqui. Devo confessar também que a língua francesa é mais fácil de ser aprendida por um brasileiro, originalmente falante de português -- língua também de raiz latina --, do que por um indiano que normalmente é versado em dialetos como o hindi e o inglês. Para quem sabe inglês e francês é óbvia a influência retro-alimentativa de uma língua na outra e diversas palavras em francês têm origem em vocábulos da língua inglesa, assim como o contrário também é bastante verdadeiro. Impossível mensurar qual língua tem influenciado mais a outra ao longo dos séculos. Duvido que os indianos teriam dificuldades extremas em falar o francês e a negação deles para tanto pode ser um reflexo de uma mentalidade fechada, embora eu possa estar concluindo esta análise de forma apressada. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;A língua francesa parece ainda mais difícil de ser apreendida pelos orientais, cujo alfabeto é completamente diferente e os fonemas são desastrosamente dissimilares tanto com relação às línguas derivadas do latim, quando às de raízes anglo-saxônicas. Apesar disso, conheço algum número de orientais que está interessado em aprender francês, apesar das dificuldades. Outros orientais que conheci estão satisfeitos em falar inglês. Vale notar que toda minha experiência com estrangeiros aqui na França se restringe àqueles que fazem pós-graduação e falo de pessoas que ocupam este nicho profissional, normalmente trabalhando nas universidades. Vale notar aqui também que quando trabalhei na Inglaterra, eu via alguns cargos de chefia sendo ocupados por indivíduos de origem indiana. Aqui na França, não se vê o mesmo. Voltando ao povo tupiniquim, todos os brasileiros que conheço ou falam bem o francês ou estão ao menos interessados em aprendê-lo. Entre meus amigos aqui ainda sou aquele que fala pior esta língua, mesmo porque estudei pouco e fui o último a chegar por aqui. Normalmente eles me congratulam pelo tanto que falo, considerando o tanto de tempo em que aqui me encontro. Mesmo levando isso em consideração, não faço aulas e aprendo com o cotidiano. Continuo falando e escrevendo constantemente em meu francês ligeiramente incorreto e já não tenho tido problemas sérios de comunicação há alguns meses; embora pequenos problemas surjam todos os dias. De fato, preciso eu também estudar mais.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-6502867109881607380?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/6502867109881607380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=6502867109881607380&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6502867109881607380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6502867109881607380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/indianos-no-falam-francs.html' title='Indianos não falam francês?'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2961209628069262151</id><published>2008-08-22T05:50:00.002-03:00</published><updated>2008-08-22T05:53:54.792-03:00</updated><title type='text'>É isso aí, Lula!</title><content type='html'>Da &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u436192.shtml"&gt;Folha On Line&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;: &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u436192.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u436192.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lula chama estudantes ricos de "babacas"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LETÍCIA SANDER&lt;br /&gt;enviada da Folha de S.Paulo a Juazeiro do Norte (CE)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um discurso inflamado durante inauguração de um campus universitário em Juazeiro do Norte (CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva taxou ontem à noite seus críticos de "babacas" que não entenderam a "revolução" na área da educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula usou duas vezes a palavra "babaca". A primeira foi ao falar do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Prouni &lt;/span&gt;(Programa Universidade para Todos), classificado por ele de "idéia genial".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando criamos o Prouni tinha um tipo de gente que fazia discurso assim contra o governo: "ah, estão privatizando a educação", "ah, estão dando dinheiro para universidade particular". Ou seja, os babacas não percebiam que estávamos fazendo uma revolução na educação brasileira", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois, reclamou dos estudantes que protestaram contra a alteração, via Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que aumenta de 12 para 18 a média de alunos por professor nas universidades federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aí tinha um tipo de estudante daqueles que vocês sabem, que vai para a reitoria querer bater no reitor. "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah, 18 alunos é muita gente na sala de aula, 18 alunos vai atrapalhar a educação". O babaca rico que já estudava não queria que o pobre tivesse a chance&lt;/span&gt;", disse, evocando o discurso de ricos e pobres, e dizendo que prefere governar para os últimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Eu digo todo dia: governo para todos, não discrimino ninguém. Mas faço como a minha mãe. Se eu tiver um bife, não tem um filho mais bonito que vai comer sozinho não. Todos vão dar uma lambidinha.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula fez diversas referências ao próprio passado no discurso. Numa delas, culpou seus antecessores pela violência urbana ao dizer que "a política econômica estabelecida neste país nos últimos 40 anos fez gerar duas gerações de jovens sem oportunidades". Então lembrou ser o oitavo filho de uma família pobre, na qual "ninguém virou bandido, nem nunca roubou um centavo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, falava da frustração de não ter podido estudar mais - ele não tem curso superior - quando então confidenciou que, se pudesse, teria optado pela economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num momento de preocupação com a inflação e freqüentes críticas de bastidores à atuação do ministro Guido Mantega (Fazenda), ele alfinetou: "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Porque economista é uma beleza. Quando economista é oposição, ele tem solução para tudo. Quando ele chega no governo, não tem solução para nada&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente ironizou o desempenho da seleção nas Olimpíadas, ao dizer que "se os jogadores da seleção olímpica tivessem a mesma garra que os estudantes do Prouni, a gente teria agora que disputar medalha no domingo". Alguém da platéia lembrou que o futebol feminino ainda está na disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, as mulheres são as mulheres... Por isso é que eu sou cada vez mais mulher", aproveitou. Ao seu lado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), tida como o nome do PT para 2010, sorriu. Ao fim do discurso, Lula disse esperar que quem vier depois dele seja melhor. A platéia, formada na maioria por petistas e simpatizantes do governo, interrompeu sua fala aos gritos de "Dilma, Dilma".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2961209628069262151?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2961209628069262151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2961209628069262151&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2961209628069262151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2961209628069262151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/isso-lula.html' title='É isso aí, Lula!'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-322633726375088608</id><published>2008-08-18T09:18:00.005-03:00</published><updated>2008-08-18T09:43:10.824-03:00</updated><title type='text'>Homenagem a Dorival Caymmi</title><content type='html'>Estive fora por uns dias e quando voltei, fiquei sabendo que &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u434527.shtml"&gt;Dorival Caymmi morreu&lt;/a&gt;. Sempre tenho um pouco de tristeza quando morre algum desses meus ídolos do samba. Caymmi tinha um samba bem puro e bem característico; natural e agradável aos ouvidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue como homenagem neste blogue, uma das músicas do compositor que mais gosto e que fala, na minha opinião, sobre a decisão que fazemos sobre envolver-mo-nos ou não num relacionamento. Esta é também uma das músicas que mais gosto de tocar quando sozinho em casa e até hoje pelejo para tocá-la de fato bossanovamente; a quedinha do "como é que nós vamos fazer?" tem uma meia dúzia de acordes que ainda não decorei muito bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Doralice&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Composição: Dorival Caymmi / Antônio Almeida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doralice eu bem que lhe disse, &lt;br /&gt;Amar é tolice, &lt;br /&gt;É bobagem, ilusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu prefiro viver tão sozinho, &lt;br /&gt;Ao som do lamento do meu violão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doralice eu bem que lhe disse, &lt;br /&gt;Olha essa embrulhada, &lt;br /&gt;Em que vou me meter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora amor, Doralice meu bem, &lt;br /&gt;Como é que nós vamos fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia você me surgiu, &lt;br /&gt;Eu quis fugir mas você insistiu&lt;br /&gt;Alguma coisa bem que andava me avisando, &lt;br /&gt;Até parece que eu estava adivinhando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu bem que não queria me casar contigo, &lt;br /&gt;Bem que não queria enfrentar, esse perigo Doralice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora você tem que me dizer, &lt;br /&gt;Como é que nós vamos fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena análise: gosto particularmente desta música porque normalmente consigo perceber durante o começo de uma relação amorosa em que eu esteja participando, quando é que as coisas começam a tender para o lado do "relacionamento sério". Normalmente é o que se quer mesmo, ao menos no meu caso que sou adepto da monogamia e gosto de dar e receber amor. Enfim, chega-se sempre um momento na relação que se percebe: se passarmos daqui, teremos que nos comprometer um com o outro e mudaremos nossas vidas de uma forma tal que ela não será mais a minha ou a sua vida, porém a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a Doralice da canção fosse casada, tivesse algum outro impedimento que não a deixasse ficar com o autor. É possível. Mas talvez ela não tivesse impedimento algum mesmo e o autor estivesse apenas nesta angústia de ter que mudar sua vida por causa de um amor. Será que ambos quereriam isso mesmo? Entregar-se a este amor? Entrar de cabeça na relação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, como de fato acontece no caso dos verdadeiros amores, nesta canção também Doralice e o eu-musical (o eu-lírico da canção) não conseguiram se ver separados e, agora, há algo que devem fazer. Como é que farão? Como é que nós vamos fazer, Doralice? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve, Caymmi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-322633726375088608?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/322633726375088608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=322633726375088608&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/322633726375088608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/322633726375088608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/homenagem-dorival-caymmi.html' title='Homenagem a Dorival Caymmi'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-6961811297811904466</id><published>2008-08-12T11:55:00.003-03:00</published><updated>2008-08-12T12:27:59.789-03:00</updated><title type='text'>Ciência, academia, filosofia e retórica</title><content type='html'>&lt;br&gt;Estou aqui lendo o artigo que outras pessoas escreveram e em que divido a primeira autoria com um americano. É o primeiro artigo que sou primeiro autor e não escrevi a maior parte, isso me incomoda bastante. Cheguei a pedir pra mudar de posição, mas a chefa insistiu para que eu ficasse na frente pois isso seria melhor para mim, para ela e para todos os outros autores. A academia científica não é meritocrática, ela tem um aspecto social forte. Não me sinto o primeiro autor deste paper, não teria escrito as coisas com estas palavras, desta forma, nesta ordem. Minha identidade não está neste trabalho. Ele foi escrito principalmente pelos dois últimos autores, os verdadeiros "orientadores" do projeto. Mas eles já são velhos demais para ficarem como primeiros autores, eles querem ser últimos autores, pois em biologia o estatus do último autor como "orientador" vale muito.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Enfim, este artigo está prestes a ser submetido a uma revista científica de auto-nível na nossa área de pesquisa. Estava lendo agora a metodologia do mesmo e foi isso que me trouxe aqui a fazer este relato. O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;paper&lt;/span&gt; descreve, nesta seção, uma série de passos que parecem ter sido seguidos até que alcançássemos nosso objetivo final. A racionalização dos passos para a elaboração do trabalho na parte relativa à metodologia do artigo parece simples e clara, racional e precisa, prevista racionalmente e tendo objetivos alcançados. Mas tudo isso é uma enganação, tudo o que fizemos foi realizado de uma forma bem anárquica e sem muitas regras. A retórica está presente em toda atividade humana; parece que é preciso mascarar essa anarquia procedural dos outros pesquisadores e, então, temos uma metodologia falsa que parece perfeita; se tivéssemos mesmo parado e pensado racionalmente no que faríamos antes de realmente sentarmos para fazermos. O que acontece de fato é que sentamos em meio a brainstorms e é daí que o trabalho vai nascendo: da discussão, da argumentação e das coincidências entre o que pensamos, um modelo conceitual novo para descrever o mundo ou, mais especificamente neste caso, a biologia evolutiva.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O problema -- e também a beleza -- da ciência vem justamente do fato de que se propõe um projeto e recebe-se financiamento para ele sem que os cientistas realmente saibam o que vai ser feito. A ciência se constrói no fazer. Ela muda, os objetivos mudam, os dados mostram coisas que não imaginávamos ou não mostram padrões previamente imaginados. Mesmo a articulação dos conceitos se modifica entre o que pensávamos e o que passamos a pensar. A realidade não se adapta e não tem que se adaptar aos incompletos e simplísticos modelos que os humanos têm dela. A realidade é anárquica e complexa. Não há nada senão o caos. Os padrões observados no universo e na natureza são tênues e eles não se adaptam a uma idéia fixa, a um modelo fixo e quadrado que os humanos têm do mundo que os envolve. É por isso que a ciência sempre questiona seus próprios padrões, por isso ela sempre se renova. Ela é uma busca constante de uma regularidade que não existe, que existe apenas de forma aproximada, a ciência é uma descrição de uma regularidade irregular. Todos nossos modelos são falhos em um sem-número de aspectos e muitas vezes eles não permitem que os dados experimentais sejam nele assentados. Então a teoria tem que mudar, tem que se adaptar.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Enfim, exagero na filosofia. Só queria dizer que a ciência tem muito de retórica e muito do que descrevemos neste artigo é falso, de um ponto de vista metodológico. A metodologia foi feita em retrospecto, considerando o que tínhamos no final e o que deveríamos ter feito, desde o início, se já soubéssemos o que iríamos alcançar no ponto final ao qual chegamos e onde consideramos que tínhamos uma boa história para contar. Mas não sabíamos quando ou se chegaríamos ali; tentamos anarquicamente várias estratégias até chegarmos em nosso objetivo. Ouso dizer que nenhuma metodologia de nenhum artigo científico é verdadeira! -- ou que ela pode ser verdadeira apenas para muito poucos artigos científicos de nenhuma característica inovadora, apenas descritiva. Quando realmente se cria e se descobre algo, o método para fazer isso deve ser exploratório e anárquico. Eis a beleza da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E, depois, o cientista precisa imaginar o que deveria ter feito se, desde o início, soubesse o que encontraria no final. É isso que vai para a seção de metodologia de um artigo científico. Não é o que se fez, mas sim o que se deveria ter feito. A metodologia deveria ser escrita, inclusive, com condicionais e no futuro do pretérito.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-6961811297811904466?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/6961811297811904466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=6961811297811904466&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6961811297811904466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6961811297811904466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/cincia-academia-filosofia-e-retrica.html' title='Ciência, academia, filosofia e retórica'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5580433862706947373</id><published>2008-08-12T09:02:00.006-03:00</published><updated>2008-08-12T10:33:58.732-03:00</updated><title type='text'>O filme do Vinícius</title><content type='html'>&lt;br&gt;Re-assisti algumas vezes por aqui também o &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0493175/"&gt;filme do Vinícius de Moraes&lt;/a&gt;, lançado em 2005. Se você o assiste permitindo-se ser tomado por emoções fortes, você consegue isso a todo instante. Vale a pena assistir e re-assistir o filme quando se está à flor da pele.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Teria várias coisas a comentar sobre o filme, mas teve uma frase dita por Ferreira Gullar, citando &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/T._S._Eliot"&gt;T. S. Eliot&lt;/a&gt; que me serviu como carapuça. Depois de comentar como Vinícius era mesmo um sujeito que vivia com a emoção sempre à flor da pele, chorando por diversas vezes ao se lembrar de certos amigos e tal, Gullar se lembra desta frase de Eliot: "o poeta escreve para se livrar das emoções". "O poeta quer se livrar daquilo, ele quer se libertar, fique pra você esta emoção porque eu não aguento, fique pra você!", dizia Gullar. Neste mesmo toque de caixa, vale dizer que sempre que estou agonizado e com dúvidas existenciais, gosto de escrever. Isso me permite exatamente racionalizar o sentimento, analisá-lo friamente e, de certa forma, permite-me desfazer dele. Sinto isso muitas vezes depois de escrever um texto ou uma poesia, que meu sentimento agora se acalmou um pouco. Escrever nos livra dos sentimentos fortes. E um grande poeta como Vinícius certamente tinha sentimentos muito fortes para se livrar e talvez por isso tenha sido tão grande como foi, na poesia e na música popular.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Particularmente me vem à cabeça agora outra parte do filme onde se comenta sobre um jovem negro que teria assobiado para uma garota branca e sido morto a tiros por policiais, talvez na África do Sul. Isso aí me chocou muito e me fez refletir também sobre como esta sociedade é mesmo uma coisa escrota.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Deveria ter anotado mais coisas neste caderno sobre o filme, pois lembro que me emocionei muito nas últimas vezes em que o assisti.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5580433862706947373?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5580433862706947373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5580433862706947373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5580433862706947373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5580433862706947373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/o-filme-do-vincius.html' title='O filme do Vinícius'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3157269790902647578</id><published>2008-08-12T08:12:00.007-03:00</published><updated>2008-09-15T17:24:29.551-03:00</updated><title type='text'>Tributo a Joseph Campbell</title><content type='html'>&lt;br&gt;Outra coisa que tenho assistido à exaustão por aqui são documentários contendo palestras de um grande estudioso da história dos mitos e das religiões. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_Campbell"&gt;Joseph Campbell&lt;/a&gt; produziu uma série de palestras e livros contando a história das religiões e do sentimento de adoração do homem pelo transcendente. Isso tem me iluminado muito nos últimos tempos. Tem me feito compreender melhor a função dos ritos na sociedade, das religiões e tem tirado de mim um horror que sempre tive à religião como um todo. Meu horror não deve ser direcionado, agora percebo, às religiões, mas às &lt;span style="font-style:italic;"&gt;religiões institucionalizadas&lt;/span&gt; apenas. O sentimento religioso tem bases no sentimento de maravilhamento pelo mundo, que é o mesmo sentimento que anda no coração dos poetas, dos cronistas e dos cientistas também. Tenho este sentimento muito forte em mim.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Além disso, Campbell tem me ensinado que é muito importante apresentar teorias através de palestras gravadas e apresentadas ao público. Nos tempos modernos talvez isso seja ainda melhor e de maior abrangência do que apresentar textos escritos. Estamos na era do vídeo, na era do youtube. É importante guardar um relato escrito sim, mas é extremamente importante guardar relatos em vídeo também, posto que nossa compreensão é muito mais facilmente abordada no contato direto com seres humanos, haja vista a forma como é moldada toda nossa rede de ensino, em todo mundo: aulas presenciais. Prevejo também uma futura universidade toda pela internet, onde os maiores professores de todas as áreas gravam vídeos e esses vídeos são apresentados aos alunos na forma de aulas. Depois, apenas um guia é necessário para polir as compreensões e incompreensões. Além disso, da mesma forma que num texto escrito, o vídeo nos permite ir e voltar, rever à exaustão uma parte que não entendemos até alcançar a total compreensão de um determinado assunto. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Em suas palestras, Campbell fala sempre sobre o que há de comum entre todos os humanos, fala sobre a filosofia perene de Huxley e outros, transforma o sentimento religioso num sentimento humanista de comunhão entre os homens.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Abaixo seguem algumas anotações de idéias de Campbell:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Citando Nietszche: "Cuidado ao caçar o diabo que existe em você, você pode matar o que tem de melhor."&lt;br /&gt;&lt;li&gt;O centro do mundo é aqui, o infinito é agora.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;O grande problema das religiões é que seus adeptos normalmente confundem o símbolo com a idéia. Religiões não são sobre símbolos e os símbolos devem ser tratados como formas de alcançar o transcendente. Mas o símbolo não é o transcendente. Ninguém precisa realmente de ir à Meca, mas precisa fazer -- de onde estiver --, sua Meca.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Cada um de nós é uma forma de manifestação de um mistério.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Para as religiões antigas, a consciência não é a fonte do mistério e sim uma forma de manifestação do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Você e o outro são um só.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;O sentimento de salvar algum outro ser humano de algum perigo é automático e inato, mesmo que se corra riscos para fazer isso. Este sentimento consiste exatamente na manifestação desta idéia de que todos somos um e que salvar o outro é salvar a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Dois tipos de experiência do sublime:&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Pick experience: sentir a experiência de estar fazendo a melhor coisa com relação a algum aspecto, de estar ligado e conectado ao todo, ao universo. Consiste em sentir-se no extremo de si, dando o melhor de si para realizar alguma tarefa, qualquer que seja. É um tipo de sentimento místico.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Senso aestético: é o sentido de se observar a beleza sublime em qualquer coisa, sentir o que Campbell chama de epifania. É se maravilhar e se admirar pela beleza de algum monumento, de alguma pessoa, de algum feito, do mistério que é no mundo. É maravilhar-se!&lt;br /&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Observação: o sublime é impossível de expressar em palavras, as palavras são limitadas para se expressar o sentimento de maravilhamento que o ser humano é capaz de ter com as coisas.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Um sentimento de reverência à vida existia em nossos antepassados e, por isso, quando eles matavam algum animal grande para comer, eles se sentiam culpados por tal. E assim, realizavam rituais para os deuses de forma a se redimirem de suas culpas.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Diferença entre &lt;span style="font-style:italic;"&gt;eternal&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;everlasting&lt;/span&gt;. O eternal é o que está fora do tempo, e o everlasting é o que dura pra sempre. &lt;br /&gt;&lt;li&gt;O sentimento de amor é um sentimento eterno. Campbell fala sobre seus pais. Eles já morreram, mas as coisas que eles viveram juntos ainda estão dentro dele, ainda o comovem e são, de certa forma, eternos. O amor que ele sente por seus pais jamais vai morrer.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;A vida de qualquer pessoa, quando vista em retrospectiva, parece um sonho. A ordem das coisas que foram acontecendo não parece muito lógica e às vezes parece até absurda.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Todos os que passaram por nossas vidas nos influenciaram e também nós influenciamos suas vidas. A vida é uma piscina de gemas, onde todas as gemas refletem todas as outras. Influenciamos e somos influenciados a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;"If you search for money, you've lost your life"&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Aoum... o som da meditação. Representa aos ouvidos a manifestação do místico. &lt;br /&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Finalmente vale uma crítica. Campbell se baseia muito em teorias psicológicas que são um tanto quanto questionáveis quando faz suas análises. Embora de uma certa forma tais teorias façam todo o sentido do mundo, elas devem ser olhadas com um olhar crítico e certa cautela.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E pra terminar de vez, uma curiosidade: George Lucas foi influenciado e poliu melhor seu primeiro manuscrito de Star Wars baseando-se nas idéias de Campbell, após ler o livro "A hero with a thousand faces". Não foi à toa que Star Wars agradou a tanta gente, ele está fundamentado em mitos que são comuns a todos os seres humanos. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3157269790902647578?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3157269790902647578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3157269790902647578&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3157269790902647578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3157269790902647578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/tributo-joseph-campbell.html' title='Tributo a Joseph Campbell'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-8492462764375087666</id><published>2008-08-12T07:41:00.003-03:00</published><updated>2008-08-12T07:59:46.379-03:00</updated><title type='text'>O seu amor, Doces Bárbaros e o político Caetano Veloso</title><content type='html'>&lt;br&gt;Segue abaixo a letra de uma canção de Gilberto Gil que creio ter visto no DVD dos &lt;a href="http://www.biscoitofino.com.br/en/cat_produto_cada.php?id=117"&gt;Outros Doces Bárbaros&lt;/a&gt; -- grupo formado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Betânia. A música é linda porque mostra um amor livre que, em meu modo de ver as coisas, é belo, simples e um ideal a ser alcançado. Infelizmente, as pessoas são muito possessivas com seus amores. É preciso amar livremente. Segue com letra e cifra pra violão (a ordem dos acordes está correta, mas a formatação deste blog não permite que eu coloque o acorde correto em cima da sílaba correta onde ele entra... enfim, o músico há de sentir a hora correta de mudar os acordes).&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Algumas cenas deste DVD podem ser vistas no &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HHztELaP6w4"&gt;youtube&lt;/a&gt;. Recomendo, entretanto, que as pessoas o assistam inteiro, que o comprem e que o guardem em algum lugar destacado na prateleira. É um DVD muito bonito, tanto musicalmente quanto de idéias. Caetano fala em alguns momentos contra a cultura capitalista de vendagem de discos e mata a pau. Jornalistas insistem também com ele sobre problemas de ego dentro do grupo e ele mostra que é realmente músico e um sujeito tranqüilo e empenhado em fazer poesia. Parte desta entrevista poder ser vista &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BwbQE_KDHpI&amp;feature=related"&gt;neste link&lt;/a&gt;.  &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O seu amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Gilberto Gil )&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Int.: D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A    E7&lt;br /&gt;O seu amor &lt;br /&gt;A/G      B/A     F#        B/D#&lt;br /&gt;Ame-o e deixe-o livre para amar &lt;br /&gt; F#         G7+&lt;br /&gt;Livre para amar &lt;br /&gt; A          D&lt;br /&gt;Livre para amar &lt;br /&gt;  A    E7&lt;br /&gt;O seu amor &lt;br /&gt;A/G      B/A     F#        B/D#&lt;br /&gt;Ame-o e deixe-o ir aonde quiser &lt;br /&gt; F#         G7+&lt;br /&gt;Ir aonde quiser &lt;br /&gt; A          D&lt;br /&gt;Ir aonde quiser &lt;br /&gt;  A    E7&lt;br /&gt;O seu amor &lt;br /&gt; A/G      B/A     E/D&lt;br /&gt;Ame-o e deixe-o brincar &lt;br /&gt; A/G      B/A     E/D&lt;br /&gt;Ame-o e deixe-o correr &lt;br /&gt; A/G      B/A     E/D&lt;br /&gt;Ame-o e deixe-o cansar &lt;br /&gt; A/G      B/A     E7&lt;br /&gt;Ame-o e deixe-o dormir em paz &lt;br /&gt;  A    E7&lt;br /&gt;O seu amor &lt;br /&gt;A/G      B/A     F#        B/D#&lt;br /&gt;Ame-o e deixe-o ser o que ele é &lt;br /&gt; F#         G7+&lt;br /&gt;Ser o que ele é &lt;br /&gt; A          D7+&lt;br /&gt;Ser o que ele é&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-8492462764375087666?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/8492462764375087666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=8492462764375087666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8492462764375087666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8492462764375087666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/o-seu-amor-doces-brbaros-e-o-poltico.html' title='O seu amor, Doces Bárbaros e o político Caetano Veloso'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-602960863239505862</id><published>2008-08-12T07:38:00.003-03:00</published><updated>2008-08-12T07:41:09.643-03:00</updated><title type='text'>Meu caderno</title><content type='html'>Tenho um caderninho onde faço anotações aleatórias. Os chefes estão de férias e, portanto, tenho um tempo maior para me dedicar às minhas coisas. Transcreverei então aqui e agora determinadas anotações de poesias e músicas e idéias e frases que tenho visto nos últimos tempos e que tenho anotado e que me serviram de inspiração para a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a série: Caderno de Estrasburgo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-602960863239505862?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/602960863239505862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=602960863239505862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/602960863239505862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/602960863239505862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/meu-caderno.html' title='Meu caderno'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-7005762116552809128</id><published>2008-08-08T06:46:00.002-03:00</published><updated>2008-08-08T07:00:09.362-03:00</updated><title type='text'>Anarquia</title><content type='html'>&lt;br&gt;É agosto. Não se trabalha na França em agosto. Eu trabalho porque quero tirar férias em Dezembro, passar um mês no Brasil. Por aqui, muitos estão de férias. Particularmente: os chefes estão todos de férias! E, como se não bastasse, estão também de férias os sub-chefes. O instituto vira uma anarquia. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Como conseqüência direta disso, os estrangeiros -- eu incluído -- passam a chegar mais tarde e sair mais cedo todos os dias. Os franceses mais velhos fazem o mesmo, mas chegam ainda mais tarde e saem ainda mais cedo; às vezes sequer dão as caras. Provavelmente curtem mais suas famílias. Os franceses mais jovens transformam o trabalho em brincadeira e não param de conversar e rir e fazer piadas. A falsa cortesia deles para com as outras pessoas simplesmente se perde e deixa de existir; não há cortesia praticamente alguma. E daí percebe-se mesmo que é tudo feito para manter um respeito pelo chefe e pelo ambiente de trabalho, não pela pessoa do outro. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Enfim, isso me faz refletir sobre um mundo anárquico e tirar algumas conclusões apressadas sobre ele. Em um mundo anárquico, ao que me parece: 1) as pessoas se respeitariam menos e respeitariam menos os desconhecidos e os diferentes, 2) cada um viveria mais sua vida, e entregar-se-ia mais diretamente ao que gosta realmente de fazer, 3) a sociedade funcionaria de maneira menos organizada porque os trabalhos renderiam menos. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Finalmente, talvez seja melhor mesmo viver na hipocrisia do que na total anarquia. É preciso um certo respeito pelos outros e é preciso que a sociedade funcione de certa forma.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;É claro, posso estar enganado.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-7005762116552809128?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/7005762116552809128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=7005762116552809128&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7005762116552809128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7005762116552809128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/anarquia.html' title='Anarquia'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1770809067106507595</id><published>2008-08-08T05:44:00.002-03:00</published><updated>2008-08-08T05:48:31.710-03:00</updated><title type='text'>08/08/08</title><content type='html'>É hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cerimônia de início das olimpíadas está marcada para as 20:08 em Pequim. Ou seja, 8:08 PM. Para os chineses, o número oito é símbolo de prosperidade, fortuna e alegria. Boa sorte a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, não significa nada. O oito é uma convenção humana, assim como o número de meses do calendário e a data do ano desde que Jesus provavelmente nasceu. Não sou supersticioso, mas acho que alguma coisa boa pode acontecer hoje. Alguma coisa boa -- de fato -- pode acontecer todo dia, no fundo sou um otimista e particularmente hoje acordei bem disposto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1770809067106507595?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1770809067106507595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1770809067106507595&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1770809067106507595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1770809067106507595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/080808.html' title='08/08/08'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4037435826511575857</id><published>2008-08-07T07:44:00.002-03:00</published><updated>2008-08-07T08:03:38.436-03:00</updated><title type='text'>600 mil pessoas saem da pobreza em Belo Horizonte</title><content type='html'>Não dá ainda pra comemorar, mas já é um avanço. Fora desigualdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Número de pessoas nessa situação cai mais em BH, que já tem a 2ª maior classe média do país&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Do portal &lt;a href="http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2008/08/06/em_noticia_interna,id_sessao=4&amp;id_noticia=74519/em_noticia_interna.shtml"&gt;UAI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Marinella Castro - Estado de Minas&lt;br /&gt;Sandra Kiefer - Estado de Minas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número de pobres cai mais na Grande Belo Horizonte do que no resto do país. A alta de renda e o emprego com carteira assinada ajudam a engrossar a classe média, que já representa mais da metade da população brasileira. Segundo estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a capital mineira reduziu a pobreza em 39,6% entre 2002 e 2008. É o maior índice entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas e está mais de 10 pontos percentuais acima da segunda colocada, São Paulo, onde a baixa renda recuou 28,1% no mesmo período. Com isso, a classe média belo-horizontina não fica para trás ejá é a segunda maior do país, encostando na de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seis anos, 600 mil pessoas terão deixado a pobreza na Grande BH, caindo de 1,7 milhão para 1,1 milhão. No total, serão 3 milhões de brasileiros que vão melhorar de vida nas regiões pesquisadas. No país, o contingente de pobres vai encolher quase um terço (26,7%), caindo de 32,9% em 2002 para 24,1% em 2008, conforme a previsão do instituto para o fechamento do ano, feita com base na projeção sobre os dados do primeiro trimestre. A maior queda na pobreza, entre 2002 e 2008, segundo projeções do Ipea, foi observada na região metropolitana de Belo Horizonte, onde o número de pessoas pobres cairá, de acordo com as estimativas, de 38,3% da população em 2002 para 23,1% da população em 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se, entretanto, que em 2002 a taxa de pobres em BH era de 38,3% -- bastante alta, quando comparada à média nacional da época, que era de 32,9%. Agora BH passa a ter 23,1% da população pobre, enquanto o Brasil marca 24,1%. Ainda é muita coisa ter uma em cada quatro pessoas do país em estado de pobreza. Aqui na Europa, certamente, esta taxa não chega a 1% da população. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência que existe nas grandes cidades está diretamente associada à esta alta taxa de pessoas pobres que vivem por ali. É preciso um projeto &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Robin Wood&lt;/span&gt; no Brasil! É preciso tirar dinheiro dos ricos e dar aos pobres, é preciso aumentar a qualidade de vida e o acesso à cultura e educação dos pobres e dos socialmente excluídos. Isso será ótimo também para os ricos que, ainda que deixem de ser tão ricos -- eles não precisam de tanto --, não ficarão mais tão intranquilos com a violência. A violência é uma &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;conseqüência direta&lt;/span&gt; da desigualdade e é seu pior subproduto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém quer roubar. As pessoas cometem crimes por três motivos: 1) precisam do dinheiro; 2) não conseguem um emprego decente; 3) a impunidade é alta. Os ricos querem resolver o problema prendendo todo mundo e diminuindo a impunidade. Realmente é uma forma de resolver o problema, mas é uma forma que leva ao autoritarismo e à extrema &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;repressão das liberdades individuais&lt;/span&gt;. Não é esta a verdadeira saída para o problema pois, além do mais, isso não resolve o problema em sua raiz, pois os pobres continuarão a ser pobres e ainda precisarão de assaltar para viver, mesmo que sejam mais presos. Daí os presídios lotados que temos no Brasil. O Brasil tem, historicamente, escolhido e utilizado a saída errada para o problema da violência e da desigualdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira saída para o problema da pobreza é a melhor distribuição de renda, que deve advir explicitamente do governo cobrar mais dos ricos e transformar essa grana em ajuda social (sim, eu estou falando de assistencialismo). Isso passa também -- e evidentemente -- por uma diminuição da corrupção dentro do governo; ou também pela criação de entidades não-governamentais que consigam retirar a grana dos ricos para ajudar os pobres de maneira mais efetiva. Como ninguém quer viver de roubar, basta dar aos pobres uma quantidade mínima de dinheiro para que eles deixem de ser pobres e passem a viver tranqüilamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema do Brasil parece complexo, mas não é. O problema é muito simples e de fácil solução. Só é preciso uma melhor distribuição de renda. Ninguém tem o direito de ser assim tão rico como são muitos brasileiros; poucos quando comparados à toda nossa nação que ainda tem um pobre para cada quatro habitantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4037435826511575857?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4037435826511575857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4037435826511575857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4037435826511575857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4037435826511575857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/600-mil-pessoas-saem-da-pobreza-em-belo.html' title='600 mil pessoas saem da pobreza em Belo Horizonte'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3177261560131365192</id><published>2008-08-04T12:00:00.004-03:00</published><updated>2008-08-07T08:11:23.059-03:00</updated><title type='text'>Engraçadinha</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0183044/"&gt;Engraçadinha no Imdb&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Atenção! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Se você pretende assistir o filme, não veja este post. Conto um pouco a história da trama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Fiquei meio triste de ter dado duas críticas razoavelmente ruins de filmes brasileiros nos últimos posts abaixo. Estou feliz agora, portanto, de poder vir falar bem -- e muito bem -- de um filme brasileiro. Venho de assistir "A engraçadinha", filme baseado na obra "Asfalto Selvagem" de Nelson Rodrigues. Com Lucélia Santos no papel de Engraçadinha, o filme é simplesmente espetacular. Fiquei impressionado com as manhas e artimanhas inteligentes forjadas por Engraçadinha para conquistar seu primo Sílvio -- interpretado por Luiz Fernando Guimarães -- e convencê-lo a se casar consigo ao invés de casar-se com sua noiva.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O filme é particularmente excepcional em termos da trama, muito bem bolada, e da caracterização dos personagens. Todos os personagens principais, a saber: Engraçadinha (Lucélia Santos), seu pai (Cláudio Corrêa e Castro), seu primo (Luiz Fernando Guimarães) e a noiva de seu primo (Nina de Pádua) são muito bem caracterizados e as atuações dos atores são também impecáveis. Trata-se de uma obra de Nelson Rodrigues, afinal. E foi muito bem adaptada ao cinema. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Como se não bastasse, a ordem na qual a história é contada é muito interessante e faz o espectador pensar ora uma coisa, ora outra. Com diálogos completos, sinceros e profundos, eu gostei muito do filme! O filme discute também de certa forma a questão do aborto e apresenta um relato interessante sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Mais do que tudo, o filme apresenta muito claramente um retrato da cultura sexual brasileira dos anos 50/60. Discute a questão da virgindade feminina, mostra como a sociedade da época via como importante este fator, discute incesto, relação homossexual e a principalmente, ao meu ver, apresenta os problemas que uma sociedade moralista pode proporcionar ao espírito humano. Os personagens sentem-se extremamente culpados por suas ações libertárias de um ponto de vista sexual. Engraçadinha perde sua virgindade com o primo para que ele se case com ela; ele não poderia fazer "isso" com ela e deixá-la desamparada. O primo então se sente compelido a tal, o pai não sabe o que faz posto que o primo não é primo, é irmão; a noiva tem impulsos homossexuais; e o primo corta fora seu pênis por culpa de ter transado com a -- agora ele sabe -- irmã. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;De acordo com dados da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nelson_Rodrigues"&gt;wikipedia&lt;/a&gt;, o romance original de Nelson Rodrigues que deu origem ao filme parece ter sido publicado sob o nome de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alfalto Selvagem&lt;/span&gt;, em 1959. Vendo a liberalidade sexual existente no mundo de hoje quando comparado ao mundo desenhado nesta obra -- e que se apresenta nítida e claramente como uma bela representação do que acontecia à época, conseguimos ter uma idéia de como os valores sexuais de nossa sociedade atual atingiram de fato um ideal libertário que era apenas sonhado há 50 anos atrás. Se por um lado, fico infeliz de ver como eram as coisas há poucas décadas atrás, alegra-me perceber que a humanidade está caminhando para uma maior dimensão do que seja a liberdade sexual. E isso provavelmente também está ligado a uma maior liberdade em diversos outros aspectos de nossa vida cotidiana. E foi justamente por me atiçar esse tipo de reflexão, dentre outros já expostos, que simplesmente achei &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;magnífica&lt;/span&gt; esta obra do cinema brasileiro, lançada em 1981. Parabenizo a todos que dela participaram.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3177261560131365192?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3177261560131365192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3177261560131365192&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3177261560131365192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3177261560131365192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/08/engraadinha.html' title='Engraçadinha'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3655100004478969017</id><published>2008-07-25T18:21:00.002-03:00</published><updated>2008-07-25T18:35:10.515-03:00</updated><title type='text'>A ópera do Malandro, o filme</title><content type='html'>Já o filme da "Ópera do Malandro" não tem a mesma desculpa do Orfeu Negro. Foi produzido em 1986 tendo como elenco peças grandes do elenco nacional à época (e ainda hoje). Edson Celulari representa o malandro, Ney Latorraca o policial tigrão, Cláudia Ohana é a filha do alemão dono do cabaré que se apaixona pelo malandro e Elba Ramalho é uma ex-prostituta (se entendi bem) que se casou com o policial, mas o trocou pelo malandro. O roteiro foi produzido pelo próprio Chico Buarque com a participação de Ruy Guerra e Orlando Senna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é bem fraco, principalmente para quem conhece e ama as músicas que refletem a boêmia carioca cantada por Chico Buarque. Para começar, o filme vangloria o papel do malandro, envolvido em contrabando e pagando propina para policial. É claro que ele pode até refletir a realidade, mas mostrá-la de uma forma elegante e bonita me parece demais. Seria como se fizessem hoje um filme da corrupção do Brasil retratando Dantas e seus comparsas como heróis. O filme é imoral neste ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, sempre tive comigo as músicas de Chico segundo um ideal excessivamente romântico que no filme meio que se acafagestalha quando cantado na voz não muito graciosa de Édson Celulari. Mais uma vez volto a dizer que criticar é muito fácil e difícil é realmente fazer. Cláudia Ohana também não demonstra muito talento, a meu ver. Elba Ramalho faz o que Elba Ramalho faz melhor: cantar. E Ney Latorraca, esse sim, tem um papel impecável e mostra-se realmente como o grande ator que é. Canta, dança e interpreta com perfeição seu personagem. É ele quem faz a grande diferença neste filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que tive uma certa ressaca do filme porque penso que a maravilhosa obra buarqueana foi mal apresentada e mal representada através dele. E como fã incondicional de Chico Buarque, fiquei assim um tanto quanto decepcionado com o resultado. Então às vezes penso que preferiria não tê-lo visto. A conclusão é: não recomendo a quem ama de paixão a obra do Chico. Aos outros, até recomendo para que a conheçam de uma forma um pouco mais contextualizada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3655100004478969017?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3655100004478969017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3655100004478969017&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3655100004478969017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3655100004478969017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/07/pera-do-malandro-o-filme.html' title='A ópera do Malandro, o filme'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4874548881803062372</id><published>2008-07-25T18:11:00.003-03:00</published><updated>2008-08-07T08:14:00.345-03:00</updated><title type='text'>Orfeu negro</title><content type='html'>Recentemente resolvi que deveria assistir pelo menos uma quantidade razoável de filmes clássicos que todos já viram menos eu. É o que venho fazendo neste momento. Comecei por assistir um filme brasileiro que alguns franceses haviam comentado comigo e que eu não tinha visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a assistir o Orfeu Negro, logo uma surpresa. Ignorância a minha, não sabia que se tratava de uma adaptação da peça de Vinícius de Morais chamada &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Orfeu da Conceição&lt;/span&gt;. Posto então que a película se inicia com samba e por aí vai. Conta basicamente uma versão da tragédia de Orfeu e Eurídice numa versão bem brasileira, com direito a Rio de Janeiro, favela e bastante carnaval. O filme é interessante numa perspectiva histórica, mas no meu ponto de vista, ele deixa bastante a desejar como obra cinematográfica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que é muito fácil criticar e que deve-se levar em consideração que o filme é de 1959, ou seja, já está prestes a completar cinqüenta anos. Enfim, achei a atuação dos atores bem fraca e mesmo o roteiro, um tanto quanto mal acabado. Duvido muito que as transições entre as etapas na vida de Orfeu e Eurídice neste filme tenham sido assim tão abruptas quanto na peça original de Vinícius, não sei ao certo. Verdade é que tudo acontece muito rápido, muita coisa, transições não tão bem engendradas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito fácil criticar algo que já tem cinqüenta anos, mas ao mesmo tempo não tenho como voltar no tempo para criticá-lo à época, quando foi condecorado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Meus olhos e meus sentimentos são os de agora e o filme pode ter sido bom à época, mas hoje me parece de um enorme amadorismo. Há filmes antigos que ainda são bastante modernos e penso que seria possível ter feito esse filme ser eterno de certa forma, mas o resultado não foi lá grandes coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu por ter visto de um ponto de vista de conhecimento de nossa cultura cinematográfica e tal, mas o filme per si não é lá muito bom não. Desculpe-me o poetinha, mas preciso ser sincero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4874548881803062372?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4874548881803062372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4874548881803062372&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4874548881803062372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4874548881803062372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/07/orfeu-negro.html' title='Orfeu negro'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-9212783080958083102</id><published>2008-07-17T12:34:00.003-03:00</published><updated>2008-07-17T12:40:57.541-03:00</updated><title type='text'>A cor da imprensa sensacionalista no Brasil</title><content type='html'>Texto interessante de Argemiro Ferreira sobre o porquê do jornalismo sensacionalista no Brasil ser chamado de marrom, enquanto ele é amarelo nos Estados Unidos. A culpa é de Calazans Fernandes que disse: "Na minha terra amarelo é cor bonita (...) Põe marrom, é cor de merda". Tenho que concordar, fez até mais sentido. Segue a história na íntegra, direto do &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br"&gt;Observatório da Imprensa&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/mat2009g.htm#argemiro"&gt;http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/mat2009g.htm#argemiro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Amarelo e marrom: Hearst, Pulitzer e as cores do jornalismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Argemiro Ferreira&lt;/span&gt;, de Nova York&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma semana em que o New York Times deixou de lado a tradição para introduzir cores em suas edições diárias (ver Circo da Notícia), o debate em torno do acidente que matou a princesa Diana em Paris também contribuiu para reabrir tema sugestivo no Brasil. Por que a cor do jornalismo de escândalo, amarela ao nascer com Hearst e Pulitzer nos EUA, é marrom no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da própria idéia de se atribuir uma cor, qualquer que seja ela, a esse tipo de jornalismo - sensacionalista, sangrento, fofoqueiro, irresponsável - chegamos à vertente da notícia como mercadoria e da imprensa como negócio, um e outro consagrados no modelo atual de mídia nascido nos EUA e exportado para toda parte no pacote da globalização econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso observar a aparente relutância, quase vergonha, com que o austero New York Times, a velha dama cinzenta, rendeu-se afinal às cores vivas - armas com as quais Hearst e Pulitzer já esgrimiam no século passado e os tablóides de escândalo esbanjam hoje, a disputar leitores ao lado de cada caixa de supermercado americano, de costa a costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa difícil de entender em relação aos primeiros tempos do que os EUA batizaram de "yellow journalism" é por que, se nasceu nos dois lados da briga Hearst-Pulitzer, um desses personagens históricos que o viveu intensamente está condenado ao opróbrio e à execração pública, enquanto o outro é consagrado como prêmio de excelência no ofício. Porque Pulitzer jamais ganharia um Pulitzer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dificilmente alguém ousaria contestar que, se praticado em nossos dias, o jornalismo de Joseph Pulitzer (1847-1911) certamente não ganharia qualquer prêmio Pulitzer como os 74 arrebatados ao longo dos anos pelo New York Times - embora a responsabilidade pela escolha dos ganhadores seja da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, criada por ele. O jornalismo do New York World de Pulitzer pouco diferia do rival New York Journal, de William Randolph Hearst (1863-1951) - cujos excessos o talento de Orson Welles, diretor e ator, perpetuou em Cidadão Kane, marco na história do cinema. Na guerra da circulação, os dois lados não hesitavam sequer em contratar quadrilhas de gângsteres para explodir os caminhões de distribuição do rival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na questão específica da cor amarela foi Pulitzer o pioneiro, ainda no século passado. Vamos aos fatos. Inventadas as máquinas de quatro cores na década de 1890, os desenhos e cartuns de humor tornaram-se extremamente populares ("The Funny Pages", ou simplesmente "The Funnies"). E Hearst passou a superar o rival nesse campo, com presença forte da sátira política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenhista Richard Felton Outcault, inicialmente um artista técnico, atraíra a atenção de Thomas Edison, que em 1889 o contratara para integrar o grupo dedicado à exposição itinerante sobre a luz elétrica. Quando a viagem se estendeu a Paris, Outcault aproveitou para passar alguns meses no Quartier Latin, alimentando o sonho de tornar-se pintor profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta aos EUA, ganhou emprego na revista Electrical World e, atento aos "Funnies", começou a enviar desenhos aos jornais. O World de Pulitzer publicou sua primeira colaboração em 1894. No ano seguinte, contratou-o para desenhar uma tira regular, para a qual a inspiração de Outcault eram os imigrantes estrangeiros que transformavam o panorama da cidade. Dos personagens criados então, o que conquistou o público foi um garoto que "falava" não na forma de balões como os quadrinhos de hoje, mas em textos (linguagem popular, deliberados erros de ortografia) colocados em sua camisola larga e comprida. Antes, em preto e branco. Depois, a camisola mudava de cor - do marrom claro ao azul, tons desbotados, pouco definidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde entram os quadrinhos e Orson Welles&lt;br /&gt;Coube ao homem que controlava as cores na máquina impressora do World, Charles Saalberg, descontente com o que estava sendo feito, tentar uma cor amarela bem viva na camisola do menino. Foi um sucesso. O personagem - que, apesar de quase bebê tinha nome, Mickey Dugan - virou o "yellow kid" (garoto amarelo), a grande bandeira do jornal de Pulitzer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou a simbolizar ainda os extremos a que chegavam Pulitzer e Hearst na guerra da circulação. E a cor tornou-se emblemática do jornalismo que os dois praticavam na obsessão de vender jornal e fazer dinheiro, inclusive pela ferocidade com que brigaram pelo personagem. O garoto virou até personagem de show da Broadway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restou a Hearst roubar Outcault do rival, com proposta irrecusável. "Why is de Sunday's Journal colored supplement de greatest ting on earth?" (Porque o suplemento colorido do Journal de domingo é a maior coisa sobre a terra?), dizia uma legenda depois da troca. O desenhista só pediu registro do copyright em 1896. Ia de um lado para o outro até Pulitzer decidir publicar o garoto sem Outcault, apoiado no pretexto de que era o verdadeiro dono, por tê-lo publicado primeiro. A história do "yellow kid" não pára aí. Na esteira de Outcault vieram os "Katzenjammer Kids" de Rudolph Dirks - que, rebatizados como "The Captain and the Kids" (no Brasil, "Sobrinhos do Capitão"), chegaram aos nossos dias - e a própria revolução dos quadrinhos, exportada dos EUA para o mundo. Mas o jornalismo sensacionalista, na linha de Hearst e Pulitzer, conservou a cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada impede que alguém, como eu, tenha simpatia tanto pela trajetória de Outcault como pelo amarelo. Ambos me fascinam. Mas Hearst e Pulitzer foram longe demais. O feito maior deles foi fabricar a guerra com a Espanha, que a ficção de Orson Welles, pouco interessada nos detalhes, só atribui a Charles Foster Kane - ou seja, a Hearst.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade histórica, no caso, está menos com Hollywood do que com o desenhista que à época perpetuou para as gerações seguintes um cartum eloqüente: dois garotos amarelos (com camisolas idênticas às do personagem de Outcault), um com a cara de Pulitzer, o outro com a de Hearst, a brincar com cubos de letras e a formar, juntos, a palavra W-A-R (guerra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mutação cromática, a cruzada de Dines&lt;br /&gt;Até aí, o jornalismo amarelo. A cor, temos de convir, entrou nessa história como Pilatos no credo. Discriminação e preconceito, tão comuns nos EUA, voltam-se até contra cores. Amarelo tem conotação de covarde. Os Beatles o reabilitaram no Submarino Amarelo, mas ali mesmo abraçaram outro preconceito - contra o azul. Pois "blue", em inglês, é também melancolia. Não sei até onde tais conotações negativas passam de uma cultura a outra. No Brasil o verbo "amarelar" também significa "acovardar-se". Intrigava-me, no entanto, a tradução de amarelo para marrom. Até conhecer melhor o que foi, em 1960, a cruzada do Diário da Noite do Rio, então sob a liderança de Alberto Dines, contra a imprensa de escândalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali deu-se a mutação cromática, conforme depoimento do próprio Dines, provocado por mim. É a história também de uma campanha corajosa, que culminou com o desaparecimento, sem choro nem vela, de um punhado de publicações de escândalo e chantagem (títulos como Confidencial, Escândalo, etc.), feitas pelas mesmas pessoas, entre elas um certo Fred Daltro. Segundo o relato de Dines, chegara à redação do jornal a informação de que um jovem aprendiz de cineasta (por enquanto, apenas assistente de produção) matara-se porque estava sendo chantageado por uma daquelas revistas de escândalo. Daltro era ligado à polícia e suas revistas viviam de extorquir dinheiro de pessoas que fotografava em bailes de Carnaval e outros lugares. Dines conta: "Decidimos que seria manchete. Comecei a preparar o título. Algo como 'imprensa amarela leva cineasta ao suicídio'. Entrou na sala em que era desenhada a primeira página nosso chefe de reportagem, Calazans Fernandes. 'Na minha terra amarelo é cor bonita', berrou. "Tentei contar a história da yellow press. Não deu a mínima. 'Põe marrom, é cor de merda'". Era certamente argumento até mais convincente do que aquele que dera origem à expressão original norte-americana - em última instância, devida ao homem que controlava a tinta nas máquinas de Pulitzer. Calazans, grande jornalista, tornou-se mais tarde secretário de educação do Rio Grande do Norte, o primeiro a utilizar o método Paulo Freire, como lembra Dines. "Foi uma das decisões mais rápidas que já tomei", explica ainda. "Tirei amarelo e coloquei marrom - com a vantagem de ter uma letra a menos. E o assunto virou cruzada. Fui ameaçado de morte, tive de andar com guarda-costas durante algumas semanas. Mas fechamos as revistas, com a ajuda decisiva de Carlos Lacerda, governador da Guanabara. Ele gostava muito do nosso tablóide e conhecia a história da 'yelow press' americana".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As definições do dicionário - e a de Geisel&lt;br /&gt;O nome pegou e hoje está dicionarizado. Imprensa Marrom, segundo a primeira edição do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, é "a que explora o sensacionalismo, dando larga cobertura a crimes, fatos escabrosos e anomalias sociais". Definição bem parecida com a usada no Webster americano para "yellow journalism". Como o yellow americano, o marrom brasileiro é também xingamento - em especial quando alguém, quase sempre encarapitado no poder, não gosta das verdades incômodas saídas no jornal. Meu exemplo predileto é uma declaração do general Ernesto Geisel, ao tempo em que eu era editor-chefe do valente semanário Opinião. Cobraram dele a liberdade de imprensa prometida como parte da tal "abertura lenta, gradual e segura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Geisel: "No Brasil, só imprensa marrom não tem liberdade". O tom era imperial. Mesmo se não o fosse, nenhum dos jornais excluídos por ele do rótulo, por não sofrerem censura à época, ousaria contestá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-9212783080958083102?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/9212783080958083102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=9212783080958083102&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9212783080958083102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/9212783080958083102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/07/cor-da-imprensa-sensacionalista-no.html' title='A cor da imprensa sensacionalista no Brasil'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-7870795973893841284</id><published>2008-07-03T11:05:00.002-03:00</published><updated>2008-07-03T11:11:03.027-03:00</updated><title type='text'>Educação em e-mails profissionais</title><content type='html'>Estou para concluir que e-mails profissionais devem ser escritos da forma mais direta e rude possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se trata as pessoas bem por e-mail, entendendo seus pontos de vistas pessoais e tentando ser educado e gente-boa, normalmente não se recebe resposta alguma -- ou então a resposta demora e é mal educada. Dificilmente se tem o mesmo tratamento quando se trata a pessoa com educação ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrivelmente, quando se escreve e-mails bem mal educados sem dizer oi ou tchau, sem se considerar aspectos pessoais ou coisa do gênero, parece que as pessoas ficam amedrontadas e então respondem as mensagens rápida e eficientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio escrever e-mails rudes ou me passar por mal educado ou coisa do gênero. Mas talvez algum psicólogo possa explicar porque as outras pessoas se comportam assim. Será que não podemos ser gente-boa com todo mundo? Por que os seres humanos são tão idiotas? Será que eles consideram as pessoas que os tratam como superiores? Ou melhor, como superiores escrotos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o ser humano...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-7870795973893841284?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/7870795973893841284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=7870795973893841284&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7870795973893841284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7870795973893841284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/07/educao-em-e-mails-profissionais.html' title='Educação em e-mails profissionais'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-6238504833636951204</id><published>2008-07-02T09:23:00.003-03:00</published><updated>2008-07-02T09:34:25.141-03:00</updated><title type='text'>O cigarro e este instituto</title><content type='html'>Neste instituto onde trabalho, diz-se meio que boca-a-boca que não é de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;bom tom&lt;/span&gt; fumar próximo à porta do mesmo. Aqui trabalha-se com câncer e tenta-se criar novas medidas e tecnologias para curar o câncer, logo recomenda-se que não se fume às portas do instituto para não se criar uma impressão de que não se está nem aí para o câncer. Jamais vi argumento assim tão careta e estreito em pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso pelo lado completamente contrário: é justamente porque fumo que deveria estar mais interessado em produzir conhecimento para melhorar a vida dos que fumam e evitar neles -- e talvez em mim, futuramente -- o câncer. Fosse eu o chefe do instituto, diria para todos que fumasse à porta. (De fato, jamais faria também isso, diria para fumarem onde quiserem. Louvemos a liberdade!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, ao contrário do pensamento careta de que não se deve trabalhar com algo que seja de interesse pessoal do indivíduo, acredito que exatamente isso deveria ser seguido como lema por todos e pela sociedade: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;trabalhe &lt;span style="font-style:italic;"&gt;apenas &lt;/span&gt;com algo que lhe seja de interesse pessoal&lt;/span&gt;. O trabalho é muito mais gratificante quando temos interesse pessoal em resolver a questão que nos dispusemos a abordar. Tal máxima parece-me ainda maior quando levamos em consideração os trabalhos acadêmicos e intelectuais, que é de onde provavelmente partirão as novas tecnologias para resolver os problemas. Eu mesmo faço isso em meu trabalho. Trabalho com a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;evolução dos organismos&lt;/span&gt; porque gosto de estudar a vida e porque isso me dá prazer. E assim tenho normalmente um impulso extra para trabalhar porque isso me interessa pessoalmente e porque tenho vontade de saber logo quais serão seus resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, não gosto de fumar na porta do instituto. Ando cinqüenta metros e tenho algumas árvores para observar enquanto realizo minha pausa filosófica tabagística.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-6238504833636951204?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/6238504833636951204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=6238504833636951204&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6238504833636951204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6238504833636951204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/07/o-cigarro-e-este-instituto.html' title='O cigarro e este instituto'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-7975166807728013306</id><published>2008-07-02T09:21:00.002-03:00</published><updated>2008-07-02T09:23:26.130-03:00</updated><title type='text'>Para se sentir criativo</title><content type='html'>Andava meio achando que estava sob uma crise de criatividade e fiquei sem escrever durante um tempo. Agora me encontrei novamente. A solução para qualquer crise de criatividade, concluo, é a falta de leituras filosóficas. Basta ler um pouco de filosofia (no original, por favor) para que passe a criticar os filósofos e pensar criativamente sobre o mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: em crises de criatividade, leia com atenção textos filosóficos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-7975166807728013306?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/7975166807728013306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=7975166807728013306&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7975166807728013306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/7975166807728013306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/07/para-se-sentir-criativo.html' title='Para se sentir criativo'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5769585959911732116</id><published>2008-06-23T09:53:00.002-03:00</published><updated>2008-06-24T13:16:54.038-03:00</updated><title type='text'>Coisas que sei que não sei no francês</title><content type='html'>Eles usam muito... eu não (ainda). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pelo menos já sei o que tenho que saber... é o primeiro passo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Est-ce que&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"Est-ce que tu peux m'aide" ==&gt; Você pode me ajudar?&lt;br /&gt;Utiliza-se para começar alguma questão. "É que (coisa e tal)?"&lt;br /&gt;Esse eu acho que é bem difícil de usar porque não estamos acostumados a montar a frase dessa forma em português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Voilà&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"É isso mesmo!" Palavra usada a cada 30 segundos no vocabulário do francês normal. Essa não é tão difícil e já saiu algumas vezes, mas preciso me policiar pra lembrar de dizê-la nas ocasiões oportunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Vraiment&lt;br /&gt;"Ça c'est vraiment bien." Isso é realmente bom!&lt;br /&gt;Na tradução direta: verdadeiramente. Quando se está conversando com a pessoa e ela também gosta do que você gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Franchement&lt;br /&gt;"Franchement, je crois pas." Francamente, eu não acredito. &lt;br /&gt;Usa-se pra reforçar o que realmente se acha de alguma coisa, na verdade usa-se normalmente pra discordar com uma certa educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que tem várias outras coisas que ainda não sei... mas essas são as que sei que não sei. Outras virão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5769585959911732116?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5769585959911732116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5769585959911732116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5769585959911732116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5769585959911732116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/06/coisas-que-sei-que-no-sei-no-francs.html' title='Coisas que sei que não sei no francês'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1624348421508923167</id><published>2008-06-17T12:36:00.003-03:00</published><updated>2008-06-17T12:45:20.740-03:00</updated><title type='text'>Absurdo no Rio de Janeiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jobim repudia ação de militares que entregaram jovens a traficantes no Rio&lt;br /&gt;Publicidade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;da &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u413065.shtml"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro Nelson Jobim (Defesa) repudiou a ação dos 11 militares acusados de entregar três jovens do morro da Providência (região central do Rio de Janeiro) aos traficantes do morro da Mineira, no sábado (14). Os três jovens foram encontrados mortos no domingo no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jobim qualificou a ação dos militares como inconseqüentes e inadmissíveis e afirmou que os autores deverão ser repreendidos "de forma exemplar". Ontem, três militares --um tenente, um sargento e um soldado do Exército-- afirmaram, em depoimento no Comando Militar do Leste, ter levado os rapazes à facção do morro da Mineira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, foram presos acusados de desacato à autoridade e levados ao quartel do Exército no morro da Providência, mas foram liberados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o delegado da 4ª Delegacia de Polícia do Rio (Central), Ricardo Dominguez, que investiga o caso, o tenente não gostou da decisão de seu superior de liberar os jovens. "O oficial superior não quis registrar a queixa e punir os jovens, mas o tenente não acatou e decidiu, por conta própria, cometer o crime e deixar os jovens na mão dos traficantes no morro da Mineiro", afirmou Dominguez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O delegado disse ainda que o tenente não se mostrou arrependido com o crime durante o depoimento. "Ele não mostrou arrependimento, essa é a verdade", disse o delegado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros oito militares presos deverão prestar depoimentos à polícia nesta terça-feira (17), segundo o delegado. O nome dos 11 militares presos não foi divulgado pela polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Punição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Jobim não descartou que os militares sejam acusados de homicídio caso seja confirmada a hipótese de que a causa da morte dos jovens tenha como origem sua entrega a uma facção rival. "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Corre-se aí uma indagação: se a causa final da morte dos rapazes teve origem na entrega, pode-se falar inclusive em eventual co-autoria.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Veja o resultado de uma ação inconseqüente, inadmissível e que deverá ser repreendida de forma exemplar", disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro não esclareceu se os 11 militares serão expulsos do Exército. Para ele, a leitura das declarações dos envolvidos à polícia leva à indignação", mas deve-se esperar que o processo seja conduzido dentro dos trâmites judiciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A leitura dos depoimentos nos leva à indignação, mostrando a absoluta falta de respeito à pessoa humana desempenhado por esses personagens, e isso deverá ter uma reação não só na sociedade, mas do Poder Judiciário, de forma radical.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Protesto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após participar do enterro dos três rapazes do morro, os moradores realizaram um protesto em frente ao prédio do Comando Militar do Leste, centro do Rio. Soldados do Exército e manifestantes entraram em confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Durante o protesto, os soldados arremessaram bombas de efeito moral contra cerca de 400 manifestantes. Ao menos um homem foi preso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cordão com 200 soldados foi feito na entrada do prédio do comando. Quando os moradores se aproximaram, os soldados atiraram as bombas, segundo a Polícia Militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vias próximas ao prédio foram parcialmente interditadas com a confusão. A avenida Marechal Floriano ficou bloqueada para a passagem de veículos. Não há registros de feridos com gravidade durante o protesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ocupação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta segunda-feira, o Exército repudiou o ato dos 11 militares e negou que tenha feito uso de violência ou implantado toque de recolher no morro da Providência, conforme relataram moradores. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Segundo a denúncia, os militares que ocupam a favela desde dezembro do ano passado agem com violência e truculência contra a população local.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Exército também afirmou que continuará a ocupação na favela até, ao menos, dezembro deste ano, prazo inicial para o fim das obras no local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os militares foram deslocados para o morro da Providência para realizar a execução do projeto Cimento Social, que consiste na elaboração do projeto básico; execução e fiscalização das obras; revitalização das fachadas e telhados; além da segurança das áreas das obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministério das Cidades repassou R$ 1,9 milhão ao Ministério da Defesa para a realização das obras, que são feitas em esquema de mutirão pelos moradores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me resta a seguinte e triste indagação aos amigos: qual a real diferença entre policiais e bandidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que haja realmente uma punição para esses assassinos que abusam de seu poder...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que as idéias do trágico filme "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tropa de Elite&lt;/span&gt;" representam mesmo a realidade da polícia e do exército no Rio de Janeiro. A propósito, a idéia do filme -- ao menos para mim -- foi a de que é preciso ser um assassino inescrupuloso para se entrar na polícia/exército carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1624348421508923167?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1624348421508923167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1624348421508923167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1624348421508923167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1624348421508923167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/06/absurdo-no-rio-de-janeiro.html' title='Absurdo no Rio de Janeiro'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3177220092474990265</id><published>2008-06-17T06:06:00.003-03:00</published><updated>2008-06-17T06:15:03.118-03:00</updated><title type='text'>Mano Chao</title><content type='html'>Ao &lt;a href="http://www.zenith-strasbourg.fr/"&gt;Zenith-Strasbourg&lt;/a&gt;, 16 de junho de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;que voy a hacer - je ne sais pas&lt;br /&gt;que voy a hacer - je ne sais plus&lt;br /&gt;que voy a hacer - je suis perdu&lt;br /&gt;que horas son, mi corazón&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show foi muito doido e todos os instrumentistas eram bons. O tecladista, o trumpetista e o baterista eram bem bons e não perdiam o ritmo jamais, sempre tinham entradas legais dentro das músicas e faziam a diferença. O trumpetista fez muito a diferença e estou pra concluir que uma banda tem que ter pelo menos um instrumento de metal pra ser uma banda de verdade. Além disso, a banda tinha uma tipo percussão que praticamente não aparecia. Eu reparava o cara tocando e não escutava. Algumas vezes, entretanto, parece que aumentavam o som dele pra ele fazer umas batucadas à la Olodum. Eu achei que a banda tem MUITA influência de música brasileira e, em particular, nordestina. No início do show, parecia que o Mano Chao tava meio desempolgado... praticamente não tocava a guibson cor de barro dele, fazia só a base em algumas músicas. O baixista eu não gostei muito não, era um cara de cabelo raspado, fortão e que gritava com raiva, achei que ele era um tipo de fanático de direita e fiquei meio com medo. O guitarrista tocava benzão e fez uns ritmos caribenhos num violãozão que ficaram doidos, mas também não fui muito com a cara dele. Era um tipo de narcisista que ficava falando pra galera aplaudir o que ele fazia e tal, era meio metido e tocava tbm um esquema bem música da Bahia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, muitas das músicas eram tipo axé. Eu fiquei impressionado com a influência do axé na música do Mano, eu não sabia que o axé estava expandindo as fronteiras e conquistando o mundo. O show tem toda energia de um show de axé e a galera dança e pula sem parar. Achei engraçado os europeus pulando igual lá na Bahia. As primeiras músicas que ele tocou (a Aline me disse que eram as do CD novo) eram inequivocamente de axé; e pronto. O baixista fazia um truquezinho axezístico repetitivo e o guitarrista tocava e pulava levantando os pés pra trás igualzinho um guitarrista de axé: idêntico! Teve uma hora que pensei: não acredito que paguei 30 euros pra ver um show de axé... como se não bastasse, o cara parece que tem um filho brasileiro e inventa de cantar umas músicas em uma língua que ele acha que é o português mas que eu acho que ele inventou mesmo. Não dá pra entender muito bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, depois de mais um tempo parece que ele começou a cantar as músicas mais tradicionais dele e o esquema ficou melhor -- na minha opinião, óbvio. O baixista, que no início do show comandava com sua potência e raiva nazista começou a desaparecer. O cara tocou vários reggaezinhos que no fim viravam punk-rock e que eu teria preferido se continuassem reggaeando, mas aí cada um com seu estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei o tal do Zenith-Strasbourg bem legal e bom pra ter shows. O esquema tava lotado e eu nunca tinha visto europeus tão animados assim. O Mano Chao parece que gostou tbm pq ficou babando ovo da galera pra caralho e o show nunca acabava. Achei que ele tava prolongando muito pq ele despedia toda hora e achei que ele tava continuando pq tava gostando da energia da galera e tal, mas no fim do show alguém me disse que o show estava mesmo programado pra durar 3 horas. Acho que começou umas 21.30 e foi quase até uma da matina. Eu saí na última música, estava suado e cansado mesmo. Ainda tive que voltar de bike porque não tinha mais tram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, como as músicas do cara falam sempre de maryhuana, a galera fumava lá dentro direto. Vi vários neguinhos fumando hax e outras paradas. Foi doido e estou empolgado de ir mais frequentemente assistir shows de bandas por aí. Avisem-me quando for rolar alguma coisa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3177220092474990265?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3177220092474990265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3177220092474990265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3177220092474990265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3177220092474990265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/06/mano-chao.html' title='Mano Chao'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2305070840901088839</id><published>2008-06-09T06:27:00.003-03:00</published><updated>2008-06-09T07:31:21.292-03:00</updated><title type='text'>O Herói, de Caetano Veloso</title><content type='html'>Nasci num lugar que virou favela&lt;br /&gt;Cresci num lugar que já era&lt;br /&gt;Mas cresci a vera&lt;br /&gt;Fiquei gigante, valente, inteligente&lt;br /&gt;Por um triz não sou bandido&lt;br /&gt;Sempre quis tudo o que desmente esse país&lt;br /&gt;Encardido&lt;br /&gt;Descobri cedo que o caminho&lt;br /&gt;Não era subir num pódio mundial&lt;br /&gt;E virar um rico olímpico e sozinho&lt;br /&gt;Mas fomentar aqui o ódio racial&lt;br /&gt;A separação nítida entre as raças&lt;br /&gt;Um olho na bíblia, outro na pistola&lt;br /&gt;Encher os corações e encher as praças&lt;br /&gt;Com meu guevara e minha coca-cola&lt;br /&gt;Não quero jogar bola pra esses ratos&lt;br /&gt;Já fui mulato, eu sou uma legião de ex mulatos&lt;br /&gt;Quero ser negro 100%, americano,&lt;br /&gt;Sul-africano, tudo menos o santo&lt;br /&gt;Que a brisa do Brasil briga e balança&lt;br /&gt;E no entanto, durante a dança&lt;br /&gt;Depois do fim do medo e da esperança&lt;br /&gt;Depois de arrebanhar o marginal, a puta&lt;br /&gt;O evangélico e o policial&lt;br /&gt;Vi que o meu desenho de mim&lt;br /&gt;É tal e qual&lt;br /&gt;O personagem pra quem eu cria que sempre&lt;br /&gt;Olharia&lt;br /&gt;Com desdém total&lt;br /&gt;Mas não é assim comigo.&lt;br /&gt;É como em plena glória espiritual&lt;br /&gt;Que digo:&lt;br /&gt;Eu sou o homem cordial&lt;br /&gt;Que vim para instaurar a democracia racial&lt;br /&gt;Eu sou o homem cordial&lt;br /&gt;Que vim para afirmar a democracia racial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o herói&lt;br /&gt;Só Deus e eu sabemos como dói&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei interessante essa crítica política do Caetano, a música &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;herói&lt;/span&gt; faz parte do disco "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cê&lt;/span&gt;", ao qual assisti o DVD neste fim de semana e que me agradou bastante. Se entendi bem, a música toca em vários aspectos interessantes da desigualdade social e racial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Sempre quis tudo o que desmente esse país&lt;br /&gt;Encardido&lt;br /&gt;Descobri cedo que o caminho&lt;br /&gt;Não era subir num pódio mundial&lt;br /&gt;E virar um rico olímpico e sozinho"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa frase, Caetano critica a mentalidade do brasileiro que quer sempre ser rico, sem pensar como ficará quando chegar lá. O negro da música percebe a estupidez deste pensamento e quer algo muito melhor si e para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um olho na bíblia, outro na pistola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também ressalta Caetano a intolerância e o instinto de guerra dos conservadores, principalmente daqueles de moral religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Encher os corações e encher as praças&lt;br /&gt;Com meu guevara e minha coca-cola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei também desta parte que mistura esquerda com direita, Guevara e coca-cola. Concordo plenamente com Caetano sobre o fato de que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;o ideal de igualdade social não é contraditório ao capitalismo&lt;/span&gt;. É preciso que tentemos alcançar a igualdade dentro de um regime capitalista, uma vez que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;a abertura de mercado e o liberalismo econômico já se provaram saudáveis para os regimes democráticos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não quero jogar bola pra esses ratos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excelente mensagem! O sonho do negro comum é tornar-se rico através de habilidades que só ele tem; mais comumente: jogar futebol. Mas toda a cartolagem do futebol é feita de brancos e os negros tornam-se símbolos e marionetes daquela corja de ratos que são quem realmente controla as regras do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quero ser negro 100%, americano,&lt;br /&gt;Sul-africano, tudo menos o santo&lt;br /&gt;Que a brisa do Brasil briga e balança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a crítica à mentalidade do brasileiro que quer alcançar o posto alto para poder pisar dos debaixo. O negro não quer ser aquilo que o brasileiro médio sonha em ser, ou seja, um sujeito rico e poderoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Depois do fim do medo e da esperança&lt;br /&gt;Depois de arrebanhar o marginal, a puta&lt;br /&gt;O evangélico e o policial&lt;br /&gt;Vi que o meu desenho de mim&lt;br /&gt;É tal e qual&lt;br /&gt;O personagem pra quem eu cria que sempre&lt;br /&gt;Olharia&lt;br /&gt;Com desdém total&lt;br /&gt;Mas não é assim comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o negro fala de si mesmo e percebe, num auto-vislumbre, que se olharia com total desdém caso se visse de fora; na visão de um brasileiro mediano. Ele quer dizer assim, penso eu, que os negros têm preconceito com os próprios negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o negro, enfim, diz que ele mesmo não é assim. O negro começa a falar de si segundo a mentalidade mesquinha do brasileiro normal e depois diz que ele mesmo não é assim, dando continuidade à mentalidade revolucionária que o acompanha desde o início desta canção-poema-manifesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;É como em plena glória espiritual&lt;br /&gt;Que digo:&lt;br /&gt;Eu sou o homem cordial&lt;br /&gt;Que vim para afirmar a democracia racial&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negro assume então seu compromisso com a democracia racial, dizendo-se cordial por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu sou o herói&lt;br /&gt;Só Deus e eu sabemos como dói&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de execrar a bíblia e os evangélicos, o negro divide com um deus as agruras de enfrentar o preconceito todos os dias. Eu que não sou negro -- mas não sou branco também -- sinto por vezes na pele essa dor que o negro diz sentir. É muito triste e penoso sofrer preconceito e saber que esse preconceito vem de pessoas idiotas, mas que se precisa delas para viver. É preciso educar as pessoas sobre a democracia racial e social e este manifesto é um ponta-pé na mentalidade ultrapassado do brasileiro em relação a esse aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva Caetano!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2305070840901088839?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2305070840901088839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2305070840901088839&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2305070840901088839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2305070840901088839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/06/o-heri-de-caetano-veloso.html' title='O Herói, de Caetano Veloso'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4598094198656793913</id><published>2008-06-09T04:20:00.002-03:00</published><updated>2008-06-09T04:24:11.493-03:00</updated><title type='text'>Seis línguas num só dia</title><content type='html'>Como moro na fronteira, ontem resolvi fazer um passeio. Sai da França e fui à Alemanha com meu amigo espanhol e minha amiga italiana. Considerando que falo português, some um às línguas. Mas apesar de todas essas outras que passaram, comunicamo-nos principalmente em inglês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4598094198656793913?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4598094198656793913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4598094198656793913&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4598094198656793913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4598094198656793913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/06/seis-lnguas-num-s-dia.html' title='Seis línguas num só dia'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-6505675506287344837</id><published>2008-05-26T10:28:00.003-03:00</published><updated>2008-05-26T10:38:20.228-03:00</updated><title type='text'>O negro e a África</title><content type='html'>A Rita Marley disse na já referida biografia de sua vida (que o título diz ser "de sua vida com Bob Marley" e que de fato foi, em sua na maior parte) que ela gosta de ir pra África e passar por lá porque lá ser negro é normal. Infelizmente, o negro ainda é visto com extremo preconceito nos países europeus até hoje; e mesmo também eu sinto o preconceito deles para comigo que não pareço, definitivamente, um francês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha África, porém, dona Alfarita... minha África é o Brasil. No Brasil não sou preto nem branco nem mestiço nem mulato nem sulamericano ou terceiro mundista. No Brasil não sou assim tão esquisito nem diferente nem exótico nem estrangeiro. No Brasil não tenho problemas de comunicação com as outras pessoas. No Brasil não tenho rótulos, no Brasil sou apenas uma pessoa como tantas outras. Ali entendo o que pensam de mim, consigo ler o que os outros dizem com suas ações e sei os limites de mim mesmo. E isso, além da fundamental presença dos meus (melhores e mais antigos) amigos, é o que me faz ter &lt;b&gt;tanta&lt;/b&gt; saudade de minha terra. Espere-me, Brasil, pois que um dia vou voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;PS: Também nos Estados Unidos tenho um pouco desta sensação, pois a população é muito mais misturada do que aqui na Europa. Além disso, meu inglês é um tanto quanto razoável e creio ser capaz de passar por americano vez por outra. Mas é muito difícil me passar por europeu, embora as vezes me digam espanhol ou italiano.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-6505675506287344837?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/6505675506287344837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=6505675506287344837&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6505675506287344837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/6505675506287344837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/o-negro-e-frica.html' title='O negro e a África'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-563198415011275636</id><published>2008-05-26T06:14:00.003-03:00</published><updated>2008-05-26T06:58:03.591-03:00</updated><title type='text'>No woman no cry</title><content type='html'>Este post tem o mesmo título do livro que li e é assinado por Rita Marley com a revisão de uma jornalista, ao que parece. Sub-entitulado "My life with Bob Marley" trata-se basicamente de uma obra auto-biográfica de Rita, onde ela conta a história de sua vida, desde antes de Bob até depois dele. Mesmo em inglês, a leitura é bastante simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra mostra toda a trajetória de Bob desde adolescente, sem lugar para dormir entre os guetos de Trench Town em Kingston, até se tornar um astro do rock and roll. Bob teve vários filhos com Rita e outros filhos fora do casamento, apresentou a filosofia Rastafari para o mundo e dizem que foi realmente o primeiro grande músico do terceiro mundo a conquistar o globo. Começou sua carreira com dois outros Wailers, que depois o abandonaram às portas do sucesso. Contratou outros músicos e seguiu em frente, tendo o grupo feminino I-Three como backing vocal, grupo este que tinha Rita a comandar na posição central. Fizeram uma turnê de sete anos pela Europa e América, conquistando fãs e reputação por todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem interessante ler uma história contada por uma mulher. Percebe-se claramente o quanto ela amou Bob e também o enorme respeito que este tinha por ela, apesar de escapulidas extra-conjugais que teve. No aspecto social é interessante notar o quanto Rita passou de pobre para rica rapidamente sem se dar conta do que estava acontecendo. E parece não ter entendido muito bem a diferença entre precisar de um lugar para morar no primeiro momento e ir comprando casas e mais casas num segundo instante. Enfim, parece que posteriormente em sua vida fez atos de caridade, embora não pareçam ter sido muito, dado o que tinha. Fez alguma coisa, ao menos. Também é interessante perceber uma ambição própria que tinha a despeito da vida de Bob Marley, sua ligação direta com a filosofia Rastafari e a continuação de sua carreira como cantora depois de Bob.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bob morreu, acredite você, de pisada no pé enquanto jogava futebol. Um sujeito deu um pisão no pé dele que jamais se curou. O dedo do pé inchava, a unha caiu. O médico disse que ele deveria amputar o dedo, mas ele não ligou. Na vida louca de shows e drogas, Bob foi adiando o que faria com o pé até que foi detectado que ele tinha um câncer maligno que começara ali, ao que tudo indicava e já tinha se espalhado pelo corpo. Tendo nascido em 6 de fevereiro de 1945, Bob morreu em 11 de maio de 1981.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é interessante e vale a pena ser lido por aqueles que gostam da música e têm algum interesse pela vida do cantor jamaicano. Como complementação ao livro, vale a pena checar o link da Wikipedia, já que muita coisa da vida de Bob não esteve também ligado à vida de Rita e essas partes não estão presentes no livro: &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bob_Marley"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Bob_Marley&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-563198415011275636?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/563198415011275636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=563198415011275636&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/563198415011275636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/563198415011275636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/no-woman-no-cry.html' title='No woman no cry'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2624552936239861949</id><published>2008-05-21T11:45:00.002-03:00</published><updated>2008-05-21T11:49:43.133-03:00</updated><title type='text'>American way to say...</title><content type='html'>"sorry" or "I'm sorry" when they didn't understand something is: "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;what's that?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It's funny!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2624552936239861949?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2624552936239861949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2624552936239861949&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2624552936239861949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2624552936239861949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/american-way-to-say.html' title='American way to say...'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-4771605183243956952</id><published>2008-05-19T23:07:00.001-03:00</published><updated>2008-05-19T23:08:28.411-03:00</updated><title type='text'>Weird feeling</title><content type='html'>Depois de 3 dias nos States: sinto falta da França...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-4771605183243956952?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/4771605183243956952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=4771605183243956952&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4771605183243956952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/4771605183243956952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/weird-feeling.html' title='Weird feeling'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5394014213324112879</id><published>2008-05-18T23:50:00.000-03:00</published><updated>2008-05-19T21:58:43.568-03:00</updated><title type='text'>Washington</title><content type='html'>Fiquei um diazinho na capital federal dos EUA, visitando bons amigos. Durante essas 24 horas, gastei três delas procurando vaga pra estacionar. Uma das vezes, achamos. Na segunda, desistimos e resolvemos pagar o estacionamento por uma hora; o preço: quatorze dólares. Paga-se $1300,00 para se alugar um ap de quarto e sala na capital federal americana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Dizem que Belo Horizonte foi planejada para se parecer com Washington, pois ela tem grandes avenidas que se cruzam diagonalmente em praças redondas, como teoricamente seriam as praças: Raul Soares, Sete e da Savassi. Enfim, parece mais ou menos. Vi a Casa Branca a uma distância medida em centenas de metros. Não achei vaga para parar e visitar os museus de entrada gratuita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Deu pra perceber que a cidade é muito rica e tem todas as melhores lojas, mas também ouvi dizer que Washington não é Estados Unidos, é tipo um conto de fadas. Aprendi a tomar café no Starbucks e gostar; além de ter discutido muitas coisas legais sobre epistemologia, longevidade e vida com o Gustavo. Enfim, foi pouco mas foi bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5394014213324112879?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5394014213324112879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5394014213324112879&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5394014213324112879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5394014213324112879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/washington.html' title='Washington'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3764278594638636659</id><published>2008-05-13T05:20:00.002-03:00</published><updated>2008-05-13T07:05:39.642-03:00</updated><title type='text'>Reforma na língua portuguesa</title><content type='html'>Pois parece, segundo reportagem do Jornal "O Globo" -- que li através do Jornal da Ciência da SBPC --, que desde 1990 já havia sido assinado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em Lisboa sobre reformas em nossa língua. Tanto o Brasil quanto outros países de língua portuguesa assinaram o acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis as mudanças ortográficas sugeridas:&lt;br /&gt;* Trema: Deixará de existir, a não ser em nomes próprios&lt;br /&gt;* Hífen 1: Não será mais usado quando o segundo elemento começar com “r” ou “s”. Essas letras deverão ser duplicadas. Exemplos: antissemita e contrarregra&lt;br /&gt;* Hífen 2: Não será mais usado quando o primeiro elemento termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: extraescolar e autoestrada&lt;br /&gt;* Acento circunflexo 1: Não será mais usado nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler e ver. Exemplos: creem, leem, deem&lt;br /&gt;* Acento circunflexo 2: Não será mais usado em palavras terminadas com hiato “oo”, como em enjoo e em vôo&lt;br /&gt;* Acento agudo: Não será mais usado em palavra terminada em “eia” e “oia”. Exemplos: ideia, jiboia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As perguntas que ficam são: para quê essas reformas? Em que elas ajudam? Em que elas mudam alguma coisa? Não seria melhor deixar a língua evoluir livremente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que nem mesmo no mundo memético os humanos permitem existir um quê de anarquismo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3764278594638636659?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3764278594638636659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3764278594638636659&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3764278594638636659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3764278594638636659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/reforma-na-lngua-portuguesa.html' title='Reforma na língua portuguesa'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3808668997550362919</id><published>2008-05-13T03:11:00.003-03:00</published><updated>2008-05-13T03:15:26.564-03:00</updated><title type='text'>Vício musical</title><content type='html'>Acordo meia-hora antes do que preciso, só pra poder tocar um pouco de violão, guitarra e/ou baixo. Faz-se um esforço considerável na hora que a bosta do despertador começa a tocar; depois então, quando sou eu quem o faço, o tal do esforço é recompensado. Penso que se aprende muita música dormindo -- é verdade! --, guarda-se alguma coisa, algo acontece no cérebro. Acorda-se com gás novo para a música e consegue-se fazer o que não se conseguia no dia anterior, logo antes de dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-3808668997550362919?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/3808668997550362919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=3808668997550362919&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3808668997550362919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/3808668997550362919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/vcio-musical.html' title='Vício musical'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-8507702027505275328</id><published>2008-05-06T17:49:00.005-03:00</published><updated>2008-05-06T17:59:55.456-03:00</updated><title type='text'>Recordação de infância</title><content type='html'>Lavo minhas roupas e lembro da baixinha dentuça e gorducha do Maurício de Souza. Mônica abria seu armário e nele havia dezenas de vestidinhos vermelhos; e nada mais. No meu caso, faço meus planos (in)falíveis diários utilizando blusas brancas... e torcendo sempre para não ser atingido na cabeça pela dura realidade, vôo perfeito do coelhinho Salsão. Mas estou sempre de olhos roxos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sobre o mesmo assunto, disse certa vez a ela que se todas minhas blusas se transformassem repentinamente em camisetas brancas, eu ficaria muito feliz. Ela achou engraçado, sorriu e disse que eu era doido. Naquele sorriso eu vi o quanto ela gostava de mim. Era recíproco. E, de alguma forma apenas ligeiramente diferente, ainda é.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-8507702027505275328?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/8507702027505275328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=8507702027505275328&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8507702027505275328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8507702027505275328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/recordao-de-infncia.html' title='Recordação de infância'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1766173616957946955</id><published>2008-05-06T15:02:00.000-03:00</published><updated>2008-05-06T18:06:45.905-03:00</updated><title type='text'>Impulso criativo sob a óptica da farmacologia</title><content type='html'>Sinto-me bastante criativo nesses últimos dias. Acabei de voltar de uma viagem a Amsterdã. Haverá alguma relação?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1766173616957946955?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1766173616957946955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1766173616957946955&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1766173616957946955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1766173616957946955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/impulso-criativo-sob-ptica-da.html' title='Impulso criativo sob a óptica da farmacologia'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-2112602920972409497</id><published>2008-05-06T11:09:00.003-03:00</published><updated>2008-05-06T11:41:07.487-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>A pérola, de John Steinbeck</title><content type='html'>&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Steinbeck"&gt;John Steinbeck&lt;/a&gt; é um escritor americano do século XX ganhador do prêmio Nobel de literatura e cheguei a ele através de uma edição de um pocket book chamado "A pérola". Já havia ouvido falar dele pelo livro "Of mice and man", mas este ainda não li. Segue abaixo considerações sobre a obra onde relato praticamente todo o roteiro do livro, não recomendo a leitura para aqueles que ainda podem ter a chance de ler a obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "A pérola", Steinbeck conta-nos a história de um camponês de origem espanhola vivendo em um vilarejo nos Estados Unidos. Um dia seu filho é mordido por um escorpião e o único médico da cidade nega o atendimento dizendo que não está, posto que não cuida de filhos de camponeses. Para que conseguisse pagar o médico, Keino vai à procura de pérolas no mar e eis encontra uma pérola realmente enorme e maravilhosa dentro de uma ostra. Com isso ele pensa que sua vida estará para sempre garantida e seu filho curado, posto que a pérola vale certamente milhões de dólares. Logo a notícia sobre sua pérola espalha-se pela cidade e todos querem estar perto dele e ter com o mesmo, sua popularidade cresce. O padre na Igreja pensa que a venda da pérola ajudaria em uma reforma há muito desejada. Mesmo o doutor aristocrata que negara atendimento ao seu filho picado por um escorpião agora visita sua casa para tratar do doente. Entretanto, quando Keino vai vender a pedra aos comerciantes locais para posterior revenda na capital, ele é informado que uma pérola assim tão grande não tem nenhum valor comercial e trata-se senão de mera curiosidade, talvez adquirida por algum museu. Ainda assim, pessoas da cidade vão à sua casa tentar matá-lo para obter a pedra e ele precisa escondê-la muito bem. Decide-se então que sua pérola vale mesmo milhões e resolve viajar dias andando até a capital para conseguir vendê-la pelo preço apropriado. Ódio e inveja crescem sobre ele na cidade e sua casa é queimada logo que ele sai com destino à capital, juntamente com sua mulher e seu bebê já reestabelecido da picada do escorpião. Keino escuta a "música da família" quando está tranqüilo e em paz. Durante a viagem, o camponês é seguido por três homens e precisa estar sempre escondendo seus rastros para que não seja seguido. Mas os rastreadores sempre dão um jeito de estarem atrás dele. Em certo momento, ele decide armar uma armadilha para pegar os sujeitos. A armadilha é razoavelmente bem sucedida e ele consegue matar os três perseguidores, mas um deles havia atirado em direção a um barulho que ouvira logo antes e, dessa forma, acertara também seu bebê que então morre. Depois de toda essa desilusão, casa queimada, bebê morto, ele desiste de tudo isso e volta para a cidade. À beira do mar, ele lança a pérola o mais longe que consegue, desistindo do sonho da riqueza e então o livro termina dando a entender que ele voltará a sua vidinha normal de camponês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver o livro trata da ambição dos homens e da exploração dos pobres pelos ricos. Não fica bem claro se a pedra valia muito ou não, mas parece que sim. O médico que só o recebe depois de saber da história da pérola tem claramente preconceito com os camponeses e é mais um aristocrata de má índole. Dá a impressão de que ele dá um falso-remédio para o bebê apenas para que os camponeses precisem mais uma vez de sua ajuda. Tudo dá errado desde que Keino encontra a pérola, mas ele insiste sempre em continuar -- ao contrário do que lhe implora a mulher -- para conseguir vender a pedra e ficar rico. Dá com os burros n'água e volta para a cidade com mãos abanando, sem casa, sem filho e completamente desiludido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, é uma leitura agradável, embora não haja nada de muito especial no enredo, na trama ou na forma de se contar a história. Percebe-se claramente a ambição dos homens tanto quanto o preconceito e a exploração dos ricos com relação aos pobres. Por isso, o link da wikipedia sugere que a obra possa ser algum tipo de defesa do socialismo. Sem dúvida é uma crítica à ganância e ao capitalismo, para se dizer o mínimo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-2112602920972409497?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/2112602920972409497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=2112602920972409497&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2112602920972409497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/2112602920972409497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/prola-de-john-steinbeck.html' title='A pérola, de John Steinbeck'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5388626884295056105</id><published>2008-05-06T09:14:00.003-03:00</published><updated>2008-05-06T11:08:15.329-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguística'/><title type='text'>Das línguas: o português e o brasileiro</title><content type='html'>Venho aqui instigado pelo &lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=55862"&gt;artigo&lt;/a&gt; do português Boaventura de Sousa Santos que acabo de ler no jornal da ciência da SBPC. Basicamente o texto discute a relação entre Brasil e Portugal, o colonialismo de uma potência mediana e a possível relação do colonizado virar o colonizador. Tudo isso sob uma óptica centrada na própria língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Nunca me questionei sobre o fato de que no Brasil falávamos português. Há dois anos atrás, entretanto, conheci uma portuguesa quando vivia em Cambridge (Inglaterra) que achou meio absurdo eu chamar o português do Brasil de "português". Segundo ela e seus bem colocados conceitos, eu não falava português absolutamente, eu falava brasileiro. "-- Ah, bom." Essa foi a primeira vez que ouvi dizer tal coisa. Brasileiro à época me soou -- e até hoje me soa -- estranho. Eu não sinto que falo brasileiro, sinto que falo português mesmo. Já li diversos livros do excelente escritor José Saramago em português "raiz" e minhas dificuldades estiveram em palavras estúpidas que antes desconhecia mas que podem ser facilmente interpretadas com um pouco de imaginação, coisas como "rés do chão" ou "pequeno almoço". Enfim, a portuguesa me parecia um tanto quanto direitista e defensora da maravilhosa história de sua língua pátria, de forma que não poderia sequer aceitar o fato de que aquilo que falávamos no Brasil fosse ter a honrosa alcunha que ela dava ao seu próprio e lindo português, língua de Camões. Protecionismo conceitual linguístico me parece demais, mas posso estar errado.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;De qualquer forma, grande parte dos europeus pensa que falamos espanhol apenas por estarmos na América Latina e, portanto, eles não sabem muito bem a relação do português com o brasileiro. De fato, muitos pensam que o português é algo tão difícil de aprender quanto o polonês -- embora muitos também saibam que se trata de uma língua próxima ao espanhol e derivada do latim. Mas falar português nas grandes potências européias, como a Inglaterra, França e Alemanha é, sem dúvida, algo exótico. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Passados dois anos de meu encontro com a portuguesa ortodoxa e eis que me vejo novamente neste mundo louco que é a Europa, agora na França. E então a mulher do recursos humanos do instituto de pesquisa onde trabalho me pergunta como é a língua brasileira. E quando digo que falamos português, ela se espanta, posto que já vira por aí aulas e cursos de brasileiro, achava que fosse algo bem diferente. Eles não sabem mesmo do que falamos, o que é normal posto que também não sabemos que língua se fala em determinados países da África e tal. Pois bem, mais alguns meses por aqui me permitiram confirmar esse ponto: aqui na França você consegue encontrar aulas de "brasileiro", se quiser aprender. Veja bem, não é de português do Brasil, é aula de brasileiro, uma língua supostamente independente. Os motivos para tanto, ao menos aqui na França, podem ter algum tipo de interesse comercial. O Brasil é visto por aqui, muitas vezes, como um país legal, transado, interessante, ainda que pobre. De qualquer forma, parece que os brasileiros que imigraram pra França, historicamente falando, não foram os brasileiros pobres que se encontra noutras partes da Europa. Assim, muitos dos franceses têm uma visão poética do Brasil, associada à música e arte e poesia, não aos pobres e nossos problemas sociais. Portanto, não é tão difícil encontrar franceses que amam o Brasil sem jamais terem viajado ou conhecido nosso país! Já Portugal é visto como um primo razoavelmente pobre e distante. Muito pouca gente faria aula de português por aqui se fosse pra aprender a língua de Portugal, é a impressão que tenho. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Finalmente, não tenho mais o que dizer. Ainda não conheci Portugal, embora tenha conhecido alguns portugueses e lido o suficiente para acreditar que a língua é a mesma. É claro que o sotaque é sensivelmente diferente, mas a língua escrita é praticamente idêntica. O que, de fato, caracteriza uma língua como uma língua e não outra? Qual o limite da distinção entre as línguas? Creio que já ouvi dizer que o português do Brasil é mais próximo do português de Portugal do que os ingleses da Inglaterra e dos Estados Unidos. Haverá alguma regra para batizar uma língua de outro nome? Qual deve ser o tamanho da diferença para que demos às línguas nomes diferentes? De qualquer forma, qualquer critério será um tanto quanto arbitrário mas creio que se podemos nos compreender em meio escrito e fonético com razoável facilidade, não devemos então dar nomes distintos aos idiomas. Mas essa é só uma opinião entre tantas...&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5388626884295056105?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5388626884295056105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5388626884295056105&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5388626884295056105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5388626884295056105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/das-lnguas-o-portugus-e-o-brasileiro.html' title='Das línguas: o português e o brasileiro'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-5672803482186495846</id><published>2008-05-05T12:33:00.005-03:00</published><updated>2008-05-06T11:41:33.443-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biologia'/><title type='text'>Primavera e as folhas das árvores</title><content type='html'>Finalmente a primavera parece ter chegado, o sol brilha e a temperatura passa da dezena de graus Celsius. Como não há muitos bichos para observar por aqui e dado que sou biólogo, passei a observar as plantas. Talvez por sua ancestralidade recente mais próxima da minha, tenho interesse maior por animais. Enfim, quando trabalhava no Sanger, já faz dois anos, percebia o comportamento dos patos e de outros pássaros que ficavam por ali por perto do lado artificial do instituto. Mas aqui não há um lago artificial próximo e então estive reparando as árvores; queria observar o desenvolvimento durante a primavera, queria verificar como as plantas passam do estado sem-folhas para o estado com-folhas. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Há cinco dias atrás, as árvores tinham apenas as folhas da parte de baixo e estive pensando se as folhas cresceriam de baixo para cima, o que faria sentido se pensarmos que os nutrientes vêm da raiz. Será esta a explicação? Fiz então uma pequena viagem para Amsterdã e quando voltei, depois de quatro dias, as árvores já estão repletas de folhas. Parece que elas adquirem as folhas rapidamente quando a temperatura é boa, o também faz muito sentido se pensarmos que elas precisam da glicose que vem da fotossíntese, processo que transforma luz do sol em açúcar através de um complexo sistema de cadeias químicas de transportadores de életros e energia. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Infelizmente não pude verificar o desenvolvimento das plantas do estado sem-folhas para o estado com-folhas... elas já estão repletas de folhas. Devo fazer essa pergunta, portanto, a algum dos meus amigos botânicos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-5672803482186495846?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/5672803482186495846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=5672803482186495846&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5672803482186495846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/5672803482186495846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/05/primavera-e-as-folhas-das-rvores.html' title='Primavera e as folhas das árvores'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-1281920348356831538</id><published>2008-04-29T06:25:00.002-03:00</published><updated>2008-04-29T06:32:16.377-03:00</updated><title type='text'>Padrões gerais nacionais</title><content type='html'>Eu tava conversando com o francês gente-boa outro dia. Não lembro o nome dele, mas ele é chegado da galera e já foi no Brasil, diz que o melhor amigo dele é brasileiro e tal. Sem dúvida ele conhece um pouco da nossa cultura. Ele morou também nos EUA e é mais ou menos viajado. Mais do que tudo, ele é francês e conhece muito bem os franceses. Ele professou sua opinião sobre o francês que eu achei muito apropriada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O francês é um sujeito que pensa demais. Dá pra colocar também o europeu (em geral) nessa sacola. O fato de uma pessoa pensar demais sobre as outras pessoas e sobre suas atitudes tem um lado bom, mas tem também o lado ruim, que é esquecer das coisas simples, pensar que se pode encontrar padrões em eventos que são na verdade aleatórios e complicar o que não tem nenhum problema. Lembro daquele ditado e acho que se aplica aos franceses: eles às vezes encontram chifre em cabeça de cavalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que você faz na França, você tem que pensar o que os outros vão pensar dessa coisa. Bem, eu não sou assim, mas os franceses são. É preciso evitar qualquer coisa que dê dupla interpretação ou que alguém possa levar a mal. Todos tomam cuidado em rodas sociais, mesmo nas mais extrovertidas, em meio à grama, sob o sol, um piquenique. Qualquer mínimo sinal de patriotismo, como por exemplo sair com a camisa do Brasil, ou coisa do gênero, pode fazê-los pensar que você é do tipo autoritário, xenofóbico ou mesmo nazista. O tal francês me contou que estava no Brasil assistindo o show de uma banda colombiana e que o cantor balançou a bandeira do seu país no fim do show e foi ovacionado pela galera. Na França eles pensariam que o cara seria colombi-nazi e teriam, talvez, enchido o sujeito de ovos -- se os tivessem para jogar. Talvez esse comportamento seja originado de uma sociedade que é bastante diferenciada desde os primórdios e precisa respeitar a cultura alheia. Viaja-se menos de 50Km na Europa por vezes e já se têm pessoas muito diferentes. É preciso respeitá-las e respeita-se, mas sempre observa-se, estereotipa-se e fica-se com o pé atrás. Coisa de nossa natureza humana, talvez. A diferença pode estar mesmo no fato de tanta gente de origem cultural diferente viver tão próxima, sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, para fazer qualquer coisa aqui é preciso pensar bem por si mesmo e também imaginar o que toda a gama de esquisitos que andam por aí pensarão de você. Se você leva um vinho pra festa, tem que pensar se alguém vai poder achar que esse vinho é ruim e você pode sempre cometer uma gafe. Eles estão sempre preocupados em não cometerem gafes. Se você sai com camisa de marca é porque deve ser capitalista, se você gosta de futebol, provavelmente é bastante ignorante... essas coisas. Eles podem ter até razão às vezes, mas tendem a estereotipar demais a galera por atos e situações que às vezes são um tanto quanto aleatórias. O brasileiro, como disse meu amigo francês, é mais simples e natural. Fazemos simplesmente o que temos vontade e não ficamos enquadrando ou racionalizando demais coisas corriqueiras que vão e vêm. Talvez os europeus identifiquem padrões mais cedo e com mais precisão do que os brasileiros, mas isso vem ao custo de estar sempre numa paranóia de buscá-los em todo lugar. Não sei se vale a pena. Dá a impressão que vemos as coisas de uma forma mais holista... é preciso ainda pensar mais sobre essa teoria, mas pode sair alguma coisa interessante daí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, bom mesmo é ser brasileiro. Você chega lá, faz o que quer e depois diz que a sua cultura que é diferente e tal. Tenho a impressão também que alguns europeus que já conviveram com brasileiros conhecem bem essa nossa simplicidade e a admiram de alguma forma. A italiana aqui do lab, por exemplo, está sempre me mostrando alguma música ou falando alguma coisa aleatória comigo com muito mais desenvoltura do que faz com os franceses. Brasileiro é gente-boa mesmo, o esquema é esse. E pensar demais, quem diria, pode dar no pino... ah, o que não faz a falta de problemas sociais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-1281920348356831538?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/1281920348356831538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=1281920348356831538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1281920348356831538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/1281920348356831538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/04/padres-gerais-nacionais.html' title='Padrões gerais nacionais'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-8973554184292461944</id><published>2008-04-28T05:28:00.003-03:00</published><updated>2008-04-28T05:51:47.383-03:00</updated><title type='text'>Sobre a minha liberdade como escritor</title><content type='html'>Tenho uma certa liberdade de escrever coisas às vezes um tanto quanto subversivas, porque sei que ninguém vai me ler mesmo. Chego lá no meu outro &lt;a href="http://chicopros.blogspot.com"&gt;blog&lt;/a&gt; mais oficial que este e falo um monte de coisas que a maioria das pessoas discordaria. Mas tá tudo ali no meio de relatos do cotidiano e sei muito bem que a grande maioria das pessoas que entram não têm paciência pra ler tudo que escrevo. Então me sinto livre pra escrever o que eu quiser. Se eu soubesse que meus amigos ou familiares fossem chegar ali e ler tudo, tim-tim por tim-tim, não sei se publicaria essas coisas. Acho que ficaria com vergonha, ficaria com um pé atrás, com medo de mexer em seus mais arraigados valores. Mas como sei que a maioria não lê, então tenho liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, não tenho muita vontade de escrever as coisas e guardar pra mim, gosto de publicar pra mesmo uma ou outra pessoa que deseje perder seu tempo a ler essas abobrinhas. A arte tem algo de exibicionista, diria o Chico Buarque. Dá até pra guardar e tenho sim um ou outro texto jamais publicados. Mas dá uma pena, você vê que o texto quer se mostrar. Ele tem sua vontade própria, seu desejo memeticamente egoísta de ser publicado, sei lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, você pode não considerar que essas bostas de textos que escrevo não sejam arte, mas eu considero mais ou menos por aí e isso me basta. São ao menos uma forma livre de expressão que beira a poesia e se inspira nos relatos da natureza e do cotidiano. Chame de "bobagens de blog" se quiser, para mim têm algo de arte e quando me leio depois de um tempo, essa leitura me trás de volta um pouco daquilo que vivi e dos questionamentos que tinha em uma certa época da vida: estou sempre cheio de questionamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para mim é difícil conseguir me expressar em palavras sem ir contra a ortodoxia ou sem ferir os sentimentos, valores e morais de alguns -- ou muitos. Já tive um pseudônimo e publicava com nome de outro os textos que achava um pouco mais subversivos, eróticos ou simplesmente idiotas e despropositados. Às vezes dá vontade de continuar a escrever sob pseudônimos, mas a maior liberdade que tenho é a de saber que ninguém me lê mesmo. É a liberdade da multidão, é a liberdade da super-informação em épocas de internet e do pouco tempo das pessoas para fazerem leituras apuradas de textos escritos por um cara que mal conhecem ou que já conhecem suficiente bem. Viva o mundo moderno!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23357100-8973554184292461944?l=pensamentosfugazes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/feeds/8973554184292461944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23357100&amp;postID=8973554184292461944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8973554184292461944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23357100/posts/default/8973554184292461944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pensamentosfugazes.blogspot.com/2008/04/sobre-minha-liberdade-como-escritor.html' title='Sobre a minha liberdade como escritor'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23357100.post-3165907065019488968</id><published>2008-04-23T11:43:00.003-03:00</published><updated>2008-04-23T11:47:39.463-03:00</updated><title type='text'>Fronteiras da ciência</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 1&lt;/span&gt;: -- Como faremos isso?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 2&lt;/span&gt;: -- Não tenho a mínima idéia.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 1&lt;/span&gt;: -- Nem eu.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 2&lt;/span&gt;: -- Mas precisamos fazer, já submetemos o projeto e já temos o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 1&lt;/span&gt;: -- É, fudeu.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 2&lt;/span&gt;: -- Bem, a gente pode tentar fazer desse e desse jeito, que tal?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 1&lt;/span&gt;: -- Sei não, vamos ter muitos problemas. Não sei o que vai dar.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 2&lt;/span&gt;: -- Pois é, também não estou muito seguro. Mas não consigo pensar em nada além disso.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 1&lt;/span&gt;: -- Pois é, eu também não. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;CIENTISTA 2&lt;/span&gt;: -- Acho que vamos ter que fazer assim, então.&lt;br /&gt;&lt;span style=
