O filme do Vinícius
Re-assisti algumas vezes por aqui também o filme do Vinícius de Moraes, lançado em 2005. Se você o assiste permitindo-se ser tomado por emoções fortes, você consegue isso a todo instante. Vale a pena assistir e re-assistir o filme quando se está à flor da pele.
Teria várias coisas a comentar sobre o filme, mas teve uma frase dita por Ferreira Gullar, citando T. S. Eliot que me serviu como carapuça. Depois de comentar como Vinícius era mesmo um sujeito que vivia com a emoção sempre à flor da pele, chorando por diversas vezes ao se lembrar de certos amigos e tal, Gullar se lembra desta frase de Eliot: "o poeta escreve para se livrar das emoções". "O poeta quer se livrar daquilo, ele quer se libertar, fique pra você esta emoção porque eu não aguento, fique pra você!", dizia Gullar. Neste mesmo toque de caixa, vale dizer que sempre que estou agonizado e com dúvidas existenciais, gosto de escrever. Isso me permite exatamente racionalizar o sentimento, analisá-lo friamente e, de certa forma, permite-me desfazer dele. Sinto isso muitas vezes depois de escrever um texto ou uma poesia, que meu sentimento agora se acalmou um pouco. Escrever nos livra dos sentimentos fortes. E um grande poeta como Vinícius certamente tinha sentimentos muito fortes para se livrar e talvez por isso tenha sido tão grande como foi, na poesia e na música popular.
Particularmente me vem à cabeça agora outra parte do filme onde se comenta sobre um jovem negro que teria assobiado para uma garota branca e sido morto a tiros por policiais, talvez na África do Sul. Isso aí me chocou muito e me fez refletir também sobre como esta sociedade é mesmo uma coisa escrota.
Deveria ter anotado mais coisas neste caderno sobre o filme, pois lembro que me emocionei muito nas últimas vezes em que o assisti.


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