Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Homenagem a Dorival Caymmi

Estive fora por uns dias e quando voltei, fiquei sabendo que Dorival Caymmi morreu. Sempre tenho um pouco de tristeza quando morre algum desses meus ídolos do samba. Caymmi tinha um samba bem puro e bem característico; natural e agradável aos ouvidos.

Segue como homenagem neste blogue, uma das músicas do compositor que mais gosto e que fala, na minha opinião, sobre a decisão que fazemos sobre envolver-mo-nos ou não num relacionamento. Esta é também uma das músicas que mais gosto de tocar quando sozinho em casa e até hoje pelejo para tocá-la de fato bossanovamente; a quedinha do "como é que nós vamos fazer?" tem uma meia dúzia de acordes que ainda não decorei muito bem.

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Doralice
Composição: Dorival Caymmi / Antônio Almeida

Doralice eu bem que lhe disse,
Amar é tolice,
É bobagem, ilusão

Eu prefiro viver tão sozinho,
Ao som do lamento do meu violão

Doralice eu bem que lhe disse,
Olha essa embrulhada,
Em que vou me meter

Agora amor, Doralice meu bem,
Como é que nós vamos fazer?

Um belo dia você me surgiu,
Eu quis fugir mas você insistiu
Alguma coisa bem que andava me avisando,
Até parece que eu estava adivinhando

Eu bem que não queria me casar contigo,
Bem que não queria enfrentar, esse perigo Doralice

Agora você tem que me dizer,
Como é que nós vamos fazer?

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Uma pequena análise: gosto particularmente desta música porque normalmente consigo perceber durante o começo de uma relação amorosa em que eu esteja participando, quando é que as coisas começam a tender para o lado do "relacionamento sério". Normalmente é o que se quer mesmo, ao menos no meu caso que sou adepto da monogamia e gosto de dar e receber amor. Enfim, chega-se sempre um momento na relação que se percebe: se passarmos daqui, teremos que nos comprometer um com o outro e mudaremos nossas vidas de uma forma tal que ela não será mais a minha ou a sua vida, porém a nossa.

Talvez a Doralice da canção fosse casada, tivesse algum outro impedimento que não a deixasse ficar com o autor. É possível. Mas talvez ela não tivesse impedimento algum mesmo e o autor estivesse apenas nesta angústia de ter que mudar sua vida por causa de um amor. Será que ambos quereriam isso mesmo? Entregar-se a este amor? Entrar de cabeça na relação?

Enfim, como de fato acontece no caso dos verdadeiros amores, nesta canção também Doralice e o eu-musical (o eu-lírico da canção) não conseguiram se ver separados e, agora, há algo que devem fazer. Como é que farão? Como é que nós vamos fazer, Doralice?



Salve, Caymmi.